- Que são anjos?
- Por que Deus os criou?
- Como os cristãos devem considerar atualmente Satanás e os demônios?
EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA
Que são anjos?
Podemos definir anjos da seguinte
maneira: Anjos são seres espirituais criados com juízo moral e alta
inteligência, mas sem corpos físicos.
Seres espirituais criados.
Os anjos não existem desde sempre; eles são parte do universo que Deus criou. Em uma passagem que se refere aos anjos como o “exército” dos céus, Esdras diz: “Só tu és o SENHOR. Fizeste os céus, e os mais altos céus, e tudo o que neles há, a terra e tudo o que nela existe, os mares e tudo o que neles existe. Tu deste vida a todos os seres, e os exércitos dos céus te adoram” (Ne 9.6; cf. Sl 148.2,5). Paulo nos diz que Deus criou todas as
coisas “visíveis e invisíveis” por meio de Cristo e para ele, e a seguir inclui especificamente o mundo angélico com a frase “sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades” (Cl 1.16).Os anjos exercem juízo moral, como
podemos perceber pelo fato de que alguns deles pecaram e caíram de seu estado
original (2Pe 2.4; Jd 6) . Sua alta inteligência é vista por toda a Escritura à
medida que eles falam com as pessoas (Mt 28.5; At 12.6-11; etc.) e cantam
louvores a Deus (Ap 4.11; 5.11).
Como os anjos são “espíritos” (Hb
1.14), ou criaturas espirituais, efetivamente eles não possuem corpos físicos
(em Lucas 24.39, Jesus diz: “um espírito não tem carne nem ossos, como vocês
estão vendo que eu tenho”). Portanto, normalmente eles não podem ser vistos por
nós a menos que Deus nos dê a capacidade espiritual para vê-los (Nm 22.3 1; 2Rs
6.17; Lc 2.13). Em suas atividades ordinárias de nos guardar e nos proteger (Sl
34.7; 91.11; Hb 1.14), bem como de se juntar conosco para a adoração de Deus
(Hb 12.22), eles são invisíveis. Contudo, em certas ocasiões anjos tomaram
forma corporal para aparecer a várias pessoas na Escritura (Mt 28.5; Hb 13.2).
Outros nomes para os anjos.
A Escritura às vezes usa outros
termos para os anjos, como “filhos de Deus” ( Jó 1.6; 2.1); “santos” (Sl
89.5,7); “espíritos” (Hb 1.14),”sentinelas” (Dn 4.13,17,23), “tronos”,
“soberanias”, “poderes”, “autoridades” (Cl 1.16) e”governos”(Ef 1.21).
Outras espécies de seres celestiais.
Existem outros três tipos específicos
de seres celestiais mencionados na Escritura. Tanto se pensarmos neles como
tipos especiais de “anjos” (no sentido mais amplo do termo) ou como seres
celestiais distintos dos anjos, eles são de qualquer forma seres espirituais
criados que servem e adoram a Deus.
Os “Querubins”.
Aos querubins foi dada a tarefa de
guardar a entrada do Jardim do Éden (Gn 3.24), e é dito que o próprio Deus está
entronizado entre os querubins ou que viaja com os querubins como sua carruagem
(Sl 18.10; Ez 10.1-22). Sobre a arca da aliança no AT estavam duas figuras
douradas de querubins com suas asas estendidas acima da arca, e foi ali que
Deus prometeu vir morar entre o seu povo: “Ali, sobre a tampa, no meio dos dois
querubins que se encontram sobre a arca da aliança, eu me encontrarei com você
e lhe darei todos os meus mandamentos destinados aos israelitas” (Êx 25.22; cf.
v. 18-21).
Os “Serafins”.
Outro grupo de seres celestiais, os
Serafins, é mencionado somente em Isaías 6.2-7, onde eles continuamente adoram
ao Senhor e dizem uns aos outros: “Santo, santo, santo é O SENHOR dos
Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória” (Is 6.3)
Os seres viventes.
Tanto Ezequiel como Apocalipse
falam-nos de outras espécies de seres celestiais conhecidos por “seres
viventes” ao redor do trono de Deus (Ez 1.5-14; Ap 4.6-8). Parecidos com um
leão , um boi , um homem e uma águia , são os representantes mais poderosos das
várias partes da totalidade da criação de Deus (animais selvagens, animais
domesticados, seres humanos e pássaros) e adoram a Deus continuamente: “Santo,
santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir”
(Ap 4.8).
Posição e ordem entre os anjos.
A Escritura indica que há uma hierarquia
e ordem entre os anjos. Um anjo, Miguel, é chamado “arcanjo ” em Judas 9 ,
título que indica governo ou autoridade sobre outros anjos. Ele é chamado “um
dos príncipes supremos” em Daniel 10.13. Miguel também parece ser o líder do
exército angelical: “Houve então uma guerra nos céus. Miguel e seus anjos
lutaram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos revidaram. Mas estes não
foram suficientemente fortes, e assim perderam o seu lugar nos céus” (Ap
12.7,8). E Paulo diz-nos que o Senhor retornará do céu “dada a ordem, com a voz
do arcanjo” (lTs 4.16). Se essa menção se refere a Miguel, o único arcanjo
mencionado, ou se há outros arcanjos, a Escritura não nos diz.
As pessoas possuem anjo da guarda pessoal?
A Escritura menciona claramente que
Deus envia os seus anjos para a nossa proteção: “Porque a seus anjos ele dará
ordens a seu respeito, para que o protejam em todos os seus caminhos; com as
mãos eles o segurarão, para que você não tropece em alguma pedra” (Sl
91.11,12). Mas algumas pessoas vão além dessa idéia de proteção geral e pensam
que Deus dá um “anjo da guarda” específico para cada indivíduo no mundo, ou ao
menos para cada cristão. As palavras de Jesus a respeito dos pequeninos têm
servido de apoio para essa idéia: “Pois eu lhes digo que os anjos deles nos
céus estão sempre vendo a face de meu Pai celeste” (Mt 18.10). Contudo, nosso
Senhor pode estar dizendo que os anjos designados para a tarefa de proteger as
criancinhas têm pronto acesso à presença de Deus. (Para usar uma analogia
esportiva, os anjos podem valer-se da marcação “por zona” em vez da marcação
“homem a homem”.) Quando os discípulos em Atos 12.15 dizem que o “anjo” de
Pedro devia estar batendo à porta, isso não implica necessariamente na crença
do anjo da guarda individual. Poderia ser que um anjo estivesse guardando ou
tomando conta de Pedro naquela situação específica. Parece não haver,
entretanto, qualquer apoio convincente para a idéia de “anjos da guarda”
individuais no texto da Escritura. Mas cremos que os anjos em geral têm a tarefa
de proteger o povo de Deus.
O poder dos anjos.
Aparentemente os anjos têm poder
muito grande. Eles são chamados “anjos poderosos, que obedecem à sua palavra”
(Sl 103.20),”governo” (Ef 1.21) e ainda “poderes” e “autoridades” (Cl 1.16). Os
anjos são aparentemente “maiores em força e poder” que os seres humanos
rebeldes (2Pe 2.11; cf. Mt 28.2). Ao menos durante o tempo de sua existência
terrena, a raça humana foi feita “um pouco menor do que os anjos” (Hb 2.7).
Embora o poder dos anjos seja grande, ele não é certamente infinito, mas é
usado para batalhar contra os poderes demoníacos do mal que estão sob o
controle de Satanás (Dn 10.13; Ap 12.7,8; 20.1-3). Não obstante, quando o
Senhor retornar, seremos elevados à posição mais alta que a dos anjos (lCo 6.3).
O lugar dos anjos no propósito de Deus
Os anjos mostram a grandeza do plano de Deus e de seu amor por nós.
Os seres humanos e os anjos são as
únicas criaturas morais e altamente inteligentes que Deus criou. Portanto,
podemos entender muita coisa a respeito do plano de Deus e de seu amor por nós
quando nos comparamos com os anjos.
A primeira distinção a ser observada
é que nunca é mencionado que os anjos foram criados a imagem de Deus, ao passo
que diversas vezes é dito que os seres humanos foram criados à imagem de Deus
(Gn 1.26,27; 9.6). Já que ser criado à imagem de Deus significa ser igual a
Deus, parece justo concluir que somos mais parecidos com Deus que os anjos.
Isso é apoiado pelo fato de que Deus
algum dia nos dará autoridade sobre os anjos, para julgá-los: “Vocês não sabem
que haveremos de julgar os anjos?” (1 Co 6.3). Embora o ser humano tenha sido
feito “um pouco menor do que os anjos” (Hb 2.7), quando a nossa salvação se
completar seremos exaltados acima dos anjos e dominaremos sobre eles. De fato,
mesmo agora os anjos já nos servem: “Os anjos não são, todos eles, espíritos
ministradores enviados para servir aqueles que hão de herdar a salvação?” (Hb
1.14).
A capacidade dos seres humanos de
gerar filhos iguais a si mesmos (“Adão gerou um filho à sua semelhança,
conforme a sua imagem” Gn 5.3) é outro elemento de nossa superioridade sobre os
anjos, que certamente não podem gerar filhos (cf. Mt 22.30; Lc 20.34-36).
A existência dos anjos também
demonstra a grandeza do amor de Deus por nós, porque os anjos pecaram e nunca
foram salvos. Pedro nos diz que “Deus não poupou anjos que pecaram, mas os
lançou no inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados
para o juízo” (2Pe 2.4). Judas diz que “quanto aos anjos que não conservaram suas
posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem guardado
em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia” (Jd 6). E
lemos em Hebreus: “Pois é claro que não é a anjos que ele ajuda, mas aos
descendentes de Abraão” (Hb 2.16).
Vemos, portanto, que Deus criou dois
grupos de criaturas morais inteligentes. Entre os anjos, muitos pecaram, mas
Deus decidiu não remir nenhum deles. Foi perfeitamente justo Deus agir assim, e
nenhum anjo pode jamais reclamar de ter sido tratado injustamente por Deus.
Contudo, embora todos os seres humanos tenham pecado contra Deus e se apartado
dele, Deus decidiu fazer muito mais que meramente satisfazer as demandas da sua
justiça; ele decidiu salvar alguns seres humanos pecadores. De fato, ele
decidiu redimir uma grande multidão da raça pecaminosa, que homem nenhum pode
contar, “de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Esse é um ato de amor e
misericórdia incalculáveis, muito além de nossa compreensão. Tudo isso é favor
imerecido; tudo isso é graça. O contraste notável com o destino dos anjos deixa
clara essa verdade para nós.
Os anjos são prova de que o mundo invisível é real.
Exatamente como nos dias de Jesus os
saduceus diziam que não havia ”ressurreição nem anjos nem espíritos” (At 23.8),
muitas pessoas em nossos dias negam a realidade de qualquer coisa que não se
possa ver. Mas o ensino bíblico sobre a existência dos anjos é a lembrança
constante para nós de que há o mundo invisível que é muito real. Foi somente
quando o Senhor abriu os olhos do servo de Eliseu para a realidade desse mundo
invisível que o servo viu “as colinas cheias de cavalos e carros de fogo ao
redor de Eliseu” (2Rs 6.17; esse era um grande exército angelical enviado a
Dotã para proteger Eliseu dos arameus). O salmista também mostra a consciência
do mundo invisível quando encoraja os anjos: “Louvem-no todos os seus anjos,
louvem-no todos os seus exércitos celestiais” (Sl 148.2). O autor de Hebreus
nos lembra de que, quando adoramos, vamos à Jerusalém celeste para nos reunir
“aos milhares de milhares de anjos em alegre reunião” (Hb 12.22), a quem não
vemos, mas cuja presença nos encherá de temor e alegria. O mundo incrédulo pode
desprezar o tema dos anjos, considerando-os mera superstição, mas a Escritura
oferece essas afirmações como a percepção da realidade tal qual ela é.
Os anjos são exemplos para nós.
Tanto na obediência como na adoração,
os anjos proporcionam exemplos úteis para que os imitemos. Jesus nos ensina a
orar: “ Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10). No céu
a vontade de Deus é feita pelos anjos imediatamente, com alegria e sem qualquer
questionamento. Devemos orar todos os dias para que a nossa obediência e a
obediência dos outros seja igual à dos anjos no céu. O prazer deles é ser
servos humildes de Deus, cada um realizando a tarefa, grande ou pequena, que
lhe foi designada, com fidelidade e alegria. Nosso desejo e oração devem ser
para que nós e todos os demais na terra façamos o mesmo.
Os anjos também servem como exemplo
para nós na sua adoração a Deus. Os serafins perante o trono de Deus vêem Deus
em sua santidade e continuam a clamar: “Santo, santo, santo é o SENHOR dos
Exércitos, a terra inteira está cheia da sua glória” (Is 6.3). João vê ao redor
do trono de Deus um grande exército angelical: “Então olhei e ouvi a voz de
muitos anjos, milhares de milhares e milhões de milhões. Eles rodeavam o trono,
bem como os seres viventes e os anciãos, e cantavam em alta voz: ‘Digno é o
Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra,
glória e louvor!”’ (Ap 5.11,12). Como os anjos encontram a sua mais alta
alegria em louvar a Deus continuamente, não deveríamos também nos deleitar cada
dia no cântico de louvor a Deus, considerando esse o mais alto e o mais digno
uso de nosso tempo e nossa maior alegria?
Os anjos executam alguns dos planos de Deus.
A Escritura vê os anjos como servos
de Deus que executam alguns de seus planos na terra. Eles trazem as mensagens
de Deus às pessoas (Lc 1.11-19; At 8.26; 10.3-8,22; 27.23,24). Eles executam
alguns dos juízos, trazendo pragas sobre Israel (2Sm 24.16,17), ferindo os
líderes do exército assírio (2Cr 32.21), trazendo a morte ao rei Herodes porque
ele não dera glória a Deus (At 12.23), ou derramando as taças da ira de Deus
sobre a terra (Ap 16.1). Quando Cristo retornar, os anjos virão com ele como um
grande exército acompanhando o seu Rei e Senhor (Mt 16.27; Lc 9.26; 2Ts 1.7).
Os anjos também patrulham a terra
como representantes de Deus (Zc 1.10,11) e guerreiam contra as forças
demoníacas (Dn l0.13;Ap 12.7,8). João,em sua visão, viu um anjo descendo do
céu, e ele registra que o anjo “prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o
Diabo, Satanás, e o acorrentou por mil anos” (Ap 20.2,3). Quando Cristo
retornar, um arcanjo proclamará a sua vinda (lTs 4.16; cf.Ap 18.1,2,21;
19.17,18; etc.).
Os anjos glorificam a Deus diretamente.
Os anjos também servem em outra
função: eles ministram diretamente a Deus ao glorificá-lo. Assim, em adição aos
seres humanos, há outras criaturas morais inteligentes que glorificam a Deus no
universo.
Os anjos glorificam a Deus pelo que
ele é em si mesmo, por sua excelência: “Bendigam o SENHOR, vocês, seus anjos
poderosos, que obedecem à sua palavra” (SI 103.20; cf. 148.2).
Os serafins continuamente louvam a
Deus por sua santidade (Is 6.2,3), assim como fazem os quatro seres viventes
(Ap 4.8).
Os anjos também glorificam a Deus por
seu grande plano de salvação à medida que o vêem revelado. Quando Cristo nasceu
em Belém, uma multidão de anjos louvou a Deus dizendo: “Glória a Deus nas
alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2.14;
cf. Hb 1.6) . Jesus nos diz: “há alegria na presença dos anjos de Deus por um
pecador que se arrepende”(Lc 15.10), indicando que os anjos se regozijam cada
vez que alguém se volta de seus pecados e confia em Cristo como Salvador.
Quando Paulo proclama o evangelho de
forma que pessoas de diversas origens raciais, judeus e gregos, sejam trazidas
à igreja, ele vê o plano sábio de Deus para a igreja como demonstração diante
dos anjos (e demônios): “A intenção dessa graça era que agora, mediante a
igreja, a multiforme sabedoria de Deus se tornasse conhecida dos poderes e
autoridades nas regiões celestiais” (Ef 3.10). Pedro nos diz que “os anjos
anseiam observar” (lPe 1.12) as glórias do plano de salvação enquanto ele se
realiza na vida dos crentes individuais cada dia. Além disso, o fato de que na
adoração da igreja as mulheres devem “ter sobre a cabeça um sinal de
autoridade” pelo fato delas serem mulheres e “por causa dos anjos” (1 Co
11.10), indica que os anjos testemunham a vida dos cristãos e glorificam a Deus
por nossa adoração e obediência.
Nossa relação com os anjos
Devemos estar cônscios dos anjos na vida diária.
A Escritura deixa claro que Deus quer
que estejamos conscientes da existência de anjos e da natureza de sua
atividade. Não devemos, portanto supor que seu ensino a respeito dos anjos não
diga respeito à nossa vida hoje. Ao contrário, há diversas formas pelas quais
nossa vida cristã será enriquecida por termos consciência da existência e
ministério dos anjos no mundo, mesmo nos dias presentes.
Quando comparecemos diante de Deus em
adoração, não nos juntamos simplesmente à grande companhia dos crentes que
morreram e estão na presença de Deus no céu, os “espíritos dos justos
aperfeiçoados” , mas também à grande multidão de anjos, “milhares de milhares
de anjos em alegre reunião” (Hb 12.22,23). Embora não vejamos nem ouçamos
normalmente nada como evidência de sua adoração celestial, certamente enriquece
nosso senso de reverência e alegria na presença de Deus apreciarmos o fato de
que os anjos se juntam a nós na adoração de Deus.
Além disso, devemos estar cônscios de
que os anjos observam nossa obediência ou desobediência a Deus durante o dia.
Mesmo se pensamos que nossos pecados são cometidos em segredo e não trazem
tristeza a ninguém (exceto, obviamente, ao próprio Deus), devemos ser alertados
pelo pensamento de que talvez centenas de anjos testemunhem nossa desobediência
e se entristeçam. Por outro lado, quando estamos desencorajados e pensamos que
a nossa obediência fiel a Deus não é testemunhada por ninguém e não oferece
encorajamento a ninguém, podemos ser confortados pela percepção de que talvez
centenas de anjos testemunhem nossa luta solitária, diariamente “anelando
perscrutar” o caminho da grande salvação de Cristo que encontra expressão em
nossa vida.
Tentando tornar a realidade da
observação angelical de nosso serviço a Deus ainda mais vívida, o autor de
Hebreus sugere que os anjos podem algumas vezes tomar forma humana,
aparentemente para fazer “visitas de inspeção”, algo parecido com um crítico de
restaurante enviado por um jornal que se disfarça e visita um novo restaurante.
Lemos o seguinte: “Não se esqueçam da hospitalidade; foi praticando-a que, sem
o saber, alguns acolheram anjos” (Hb 13.2; cf. Gn 18.2-5; 19.1-3). Isso deve nos
tornar mais desejosos de ministrar às necessidades de pessoas a quem não
conhecemos. Pois nos maravilharia se algum dia, ao entrarmos no céu,
encontrássemos o anjo a quem ajudamos quando apareceu temporariamente como um
ser humano em miséria aqui na terra.
Quando somos repentinamente libertos
de um perigo ou miséria, devemos suspeitar de que anjos enviados por Deu nos
ajudam, e devemos ser agradecidos por isso. Um anjo fechou a boca dos leões de
modo que eles não causaram nenhum dano a Daniel (Dn 6.22), um anjo ministrou a
Jesus no deserto em tempo de grande fraqueza, imediatamente após o término de
suas tentações (Mt 4.11), um anjo livrou os apóstolos da prisão (At 5.19,20) e,
mais tarde, um anjo libertou Pedro da prisão (At 12.7.11). A Escritura não promete
que “a seus anjos ele dará ordens a seu respeito, para que o protejam em todos
os seus caminhos; com as mãos eles o segurarão, para que você não tropece em
alguma pedra” (S1 91.11,12)? Portanto, não devemos agradecer a Deus por enviar
anjos para nos protegerem tais circunstâncias? Parece certo responder
positivamente a essa pergunta.
Cuidados com respeito ao nosso relacionamento com os anjos.
Precavenha-se para não receber doutrina falsa dos anjos.
A Bíblia nos adverte contra
recebermos doutrina falsa de supostos anjos: “Mas ainda que nós ou um anjo dos
céus pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja
amaldiçoado!” (Gl 1.8). Paulo faz essa advertência porque sabe que há
possibilidade de engano. Ele diz: “Isto não é de admirar, pois o próprio
Satanás se disfarça de anjo de luz” (2Co 1 1.14). De modo semelhante,o profeta
mentiroso que enganou o homem de Deus em lReis 13 disse: “Eu também sou profeta
como você. E um anjo me disse por ordem do SENHOR: ‘Faça-o voltar com você para
a sua casa para que coma pão e beba água”'(lRs 13.18). Todavia, o texto da
Escritura imediatamente acrescenta no mesmo versículo: “Mas ele estava
mentindo”.
Esses são exemplos de doutrina ou
orientação falsa sendo transmitida por anjos ou pessoas assegurando que anjos
lhes falaram. É interessante que esses exemplos mostram a possibilidade clara
de engano satânico tentando-nos a desobedecer aos ensinos claros da Escritura
ou às ordens claras de Deus (cf. lRs 13.9). Essas advertências devem guardar
qualquer cristão de ser enganado, por exemplo, pelos ensinos dos mórmons, que
dizem que o anjo Moroni falou a Joseph Smith e lhe revelou a base da religião
mórmon. Tal “revelação” é contrária aos ensinos da Escritura em muitos pontos
(com respeito a doutrinas como a Trindade, a pessoa de Cristo, a justificação
pela fé somente, e muitas outras), e os cristãos devem ser advertidos para não
aceitar tais declarações.
Não adore anjos, não ore a eles nem os procure .
A ”adoração de anjos” (Cl 2.18) era
uma das doutrinas falsas ensinadas em Colossos. Além disso, no livro de
Apocalipse um anjo adverte João para que ele não o adore: “Não faça isso! Sou
servo como você e como os seus irmãos que se mantêm fiéis ao testemunho de
Jesus. Adore a Deus!” (Ap 19.10).
Nem devemos orar aos anjos. Devemos
orar a Deus somente, o único que é onipotente e, assim, capaz de responder à
oração e o único que é onisciente e, portanto, capaz de ouvir as orações de
todo o seu povo de uma só vez. Paulo nos adverte contra o pensamento de que
outro “mediador” possa estar entre nós e Deus: “Pois há um só Deus e um só
mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (1Tm 2.5). Se oramos aos
anjos, estamos implicitamente atribuindo-lhes posição igual à de Deus, o que
não devemos fazer. Não há exemplo na Escritura de alguém orando a um anjo
específico ou pedindo ajuda a anjos.
Além disso, a Escritura não nos
autoriza a buscar aparições de anjos. Eles se manifestam a nós de forma que não
os vemos. Buscar tais aparições parece indicar curiosidade doentia ou o desejo
por uma espécie de evento espetacular em vez do amor a Deus e a devoção a ele e
à sua obra. Embora os anjos tenham realmente aparecido em várias ocasiões na
Escritura, com toda a certeza as pessoas a quem eles apareceram nunca
procuraram essas aparições. Nosso papel é antes conversar com o Senhor, que é o
próprio comandante das forças angelicais. Contudo, não parece errado pedir a
Deus para cumprir a sua promessa em Salmos 91.11 de enviar anjos para
proteger-nos em tempos de necessidade.
Demônios e sua origem
A discussão
anterior nos leva naturalmente à consideração de Satanás e dos demônios, já que
eles são anjos maus que anteriormente foram anjos bons, mas que pecaram e
perderam o seu privilégio de servir a Deus. Iguais aos anjos, eles também são
seres espirituais criados com juízo moral e com alta inteligência, mas sem
corpos físicos. Podemos definir os demônios da seguinte e maneira: Os
demônios são anjos maus que pecaram contra Deus e que agora operam
continuamente o mal no mundo.
Quando Deus criou o mundo, ele “viu
tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom” (Gn 1.3 1). Isso
significa que mesmo o mundo angelical que Deus havia criado não possuía anjos
maus nem demônios àquela altura. Mas, quando chegamos a Gênesis 3 , percebemos
que Satanás, na forma de uma serpente, tentou Eva para que pecasse (Gn 3.1-5).
Portanto, em um determinado tempo entre os eventos de Gênesis 1.31 e Gênesis
3.1 , deve ter havido uma rebelião no mundo angelical, com muitos anjos se
voltando contra Deus e tornando-se maus.
O NT fala disso em dois lugares.
Pedro nos diz que “Deus não poupou a anjos que pecaram, mas os lançou no
inferno, prendendo-os em abismos tenebrosos a fim de serem reservados para o
juízo” (2Pe 2.4) . Judas também diz que “quanto aos anjos que não conservaram
suas posições de autoridade mas abandonaram sua própria morada, ele os tem
guardado em trevas, presos com correntes eternas para o juízo do grande Dia”
(Jd 6). Uma vez mais a ênfase recai sobre o fato de que eles são removidos da
glória da presença de Deus e sua atividade é restringida (metaforicamente, eles
estão em “correntes eternas”), mas o texto não sugere que a influência dos
demônios tenha sido removida do mundo ou que alguns demônios sejam guardados em
um lugar de punição à parte do mundo, enquanto outros são capazes de
influenciá-lo.Ao contrário, tanto 2Pedro como Judas nos dizem que alguns anjos
se rebelaram contra Deus e se tornaram oponentes hostis à sua palavra. O pecado
deles parece ter sido o do orgulho, a recusa em aceitar seu lugar designado,
pois eles “não conservaram suas posições de autoridade mas abandonaram sua
própria morada” (Jd 6).
É também possível que haja uma
referência à queda de Satanás, o príncipe dos demônios, em Isaías 14 . Conforme
Isaías descreve o juízo de Deus sobre o rei da Babilônia (um rei humano,
terreno), ele chega à seção onde começa a usar uma linguagem que parece forte
demais para referir-se meramente a um ser humano:
Como você caiu dos céus, ó estrela da manhã, filho da alvorada! Como foi atirado à terra, você, que derrubava as nações! Você, que dizia no seu coração: ‘Subirei aos céus; erguerei o meu trono acima das estrelas de Deus; eu me assentarei no monte da assembléia, no ponto mais elevado do monte santo. Subirei mais alto que as mais altas nuvens; serei como o Altíssimo’. Mas às profundezas do Sheol você será levado, irá ao fundo do abismo! (Is 14.12-15; cf. Ez 28.11-19).
Essa linguagem de subir ao céu e assentar-se no trono acima das estrelas e dizer “serei semelhante ao Altíssimo” sugere enfaticamente a rebelião de uma criatura angélica de grande poder e (isso não significa que esses anjos pecaminosos não exerçam atualmente influência no mundo, pois no versículo 9 Pedro diz que o Senhor também “sabe livrar os piedosos da provação e manter em castigo os ímpios para o dia de juízo”, referindo-se aos seres humanos pecaminosos que obviamente ainda tinham influência no mundo e até causam problema para os leitores de Pedro. O versículo 4 simplesmente significa que os anjos ímpios haviam sido removidos da presença de Deus e permanecem guardados debaixo de alguma espécie de influência restritiva e até o juízo final, o que, entretanto, não anula a sua atividade contínua no mundo nesse meio-tempo.) dignidade. Não seria incomum para a linguagem profética hebraica passar das descrições de eventos humanos para descrições de eventos celestiais que lhes são paralelos e que os eventos da terra ilustram de modo limitado. Se assim for, então o pecado de Satanás é descrito como orgulho e tentativa de ser igual a Deus em posição e autoridade.
Satanás como cabeça dos demônios
“Satanás” é o nome pessoal do cabeça
dos demônios. Esse nome é mencionado em Jó 1.6, onde “os anjos vieram
apresentar-se ao SENHOR, e Satanás também veio com eles” (v. tb. Jó 1.7—2.7).
Aqui ele aparece como o inimigo do Senhor que traz severas provações para Jó.
De modo semelhante, ao final da vida de Davi, “Satanás levantou-se contra
Israel e levou Davi a fazer um recenseamento do povo” (1 Cr 21.1). Além disso,
Zacarias teve uma visão do “sumo sacerdote Josué diante do anjo do SENHOR, e
Satanás, à sua direita, para acusá-lo” (Zc 3.1). O nome “Satanás” é uma palavra
hebraica (sãtãn) que significa “adversário”. O NT também usa o nome “Satanás”,
tomando-o simplesmente do AT. Assim, Jesus, em sua tentação no deserto, fala a
Satanás diretamente, dizendo: “Retire-se, Satanás!” (Mt 4.10), ou “Eu vi
Satanás caindo do céu como relâmpago” (Lc 10.18).
A Bíblia usa também outros nomes para
Satanás. Ele é chamado: “Diabo” (somente no NT: Mt 4.1; 13.39; 25.41; Ap 12.9;
20.2; etc.); ”serpente” (Gn 3.1,14; 2Co 11.3; Ap 12.9; 20.2); ”Belzebu” (Mt
10.25; 12.24,27; Lc 1 l.15); ”o príncipe deste mundo” (Jo 12.31; 14.30; 16.1
l), ”príncipe do poder do ar” (Ef 2.2), ou “o Maligno” (Mt 13.19; 1Jo 2.13).
Quando Jesus diz a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Você é uma pedra de
tropeço para mim, e não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos homens” (Mt
16.23), ele reconhece que a tentativa de Pedro de tentar preservá-lo do
sofrimento e da agonia da cruz é realmente uma tentativa de impedir Jesus de
obedecer ao plano de seu Pai. Jesus percebe que a oposição, em última
instância, não vinha de Pedro, mas do próprio Satanás.
A atividade de Satanás e dos demônios
Satanás foi o originador do pecado.
Satanás pecou antes de os seres
humanos terem caído, como fica evidente no fato de que ele (na forma de uma
serpente) tentou Eva (Gn 3.1-6; 2Co 11.3). O NT também nos informa que Satanás
“foi homicida desde o princípio” e que ele é ”mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).
Ele diz igualmente que o Diabo “vem pecando desde o princípio” (lJo 3.8). Em
ambos os textos, a frase “desde o princípio” não sugere que Satanás tenha sido
mau desde o tempo em que Deus começou a criar o mundo (“desde o princípio do
mundo”) ou desde o começo de sua existência (“do princípio de sua vida”), mas
sim desde o começo da história do mundo (Gn 3 e mesmo antes). A característica
do Diabo tem sido a de originar o pecado e a de induzir outros a pecar.
Os demônios se opõem e tentam destruir, toda obra de Deus.
Assim como Satanás induziu Eva a
pecar contra Deus (Gn 3.1-6), ele também induziu Jesus a pecar para que
falhasse na sua missão como Messias (Mt 4.1-11). As táticas de Satanás e seus
demônios são as de usar as mentiras (Jo 8.44), o engano (Ap 12.9), o
assassinato (Sl 106.37; Jo 8.44) e qualquer outra espécie de atividade
destrutiva para provocar nas pessoas o abandono de Deus e a destruição delas
próprias. Os demônios tentarão toda tática para cegar as pessoas para o
evangelho (2Co 4.4) e mantê-las em escravidão às coisas que as impedem de vir a
Deus (Gl 4.8). Eles também usarão tentação, dúvida, culpa, temor, confusão,
doença, inveja, orgulho, calúnia ou quaisquer outros meios para impedir o
testemunho e a utilidade dos cristãos.
Os demônios são limitados pelo controle de Deus e têm poder limitado.
A história de Jó deixa claro que
Satanás poderia fazer somente o que Deus lhe deu permissão para fazer, e nada
mais (Jó 1.12; 2.6). Os demônios estão presos “com correntes eternas” (Jd 6) e
podem ser vitoriosamente rechaçados pelos cristãos por meio da autoridade que
Cristo lhes dá (Tg 4.7: “ Resistam ao Diabo, e ele fugirá de vocês”).
Além disso, o poder dos demônios é
limitado. Após rebelarem-se contra Deus, eles não têm o poder que tinham quando
eram anjos, porque o pecado é influência enfraquecedora e destrutiva.
O poder dos demônios, embora
significativo, é provavelmente menor que o poder dos anjos.
Na área do conhecimento, não devemos
pensar que os demônios podem conhecer o futuro ou que eles possam ler nossa
mente ou conhecer nossos pensamentos. Em muitos lugares no AT, o Senhor
revela-se como o Deus verdadeiro em contraposição aos deuses (demoníacos) das
nações pelo fato de que ele somente pode conhecer o futuro : “Lembrem-se das
coisas passadas, das coisas muito antigas! Eu sou Deus, e não há nenhum outro;
eu sou Deus, e não há nenhum como eu. Desde o início faço conhecido o fim,
desde tempos remotos, o que ainda virá” (Is 46.9,10). Nem mesmo os anjos
conhecem o tempo do retorno de Jesus (Mc 13.32) , e também não há indicação na
Escritura de que eles ou os demônios conheçam qualquer outra coisa a respeito
do futuro.
Com respeito a conhecer os nossos
pensamentos, a Bíblia nos diz que Jesus conhecia os pensamentos das pessoas (Mt
9.4; 12.25; Mc 2.8; Lc 6.8; 11.17) e que Deus conhece os pensamentos das
pessoas (Gn 6.5; Sl 139.2,4,23; Is 66.18), mas não há indicação de que anjos ou
demônios possam conhecer os nossos pensamentos. De fato, Daniel disse ao rei
Nabucodonosor que nenhuma pessoa falando por outro poder que não o de Deus
poderia dizer ao rei o que ele havia sonhado (v. Dn 2.27,28). Mas se os
demônios não podem ler a mente das pessoas, como haveremos de entender os
relatórios recentes dos bruxos, dos que lêem a sorte ou de outros evidentemente
sob influência demoníaca que são capazes de dizer às pessoas os detalhes de sua
vida que elas pensavam que ninguém sabia, como, por exemplo, o que haviam
comido no café da manhã ou onde haviam guardado secretamente algum dinheiro em
sua casa? A maioria dessas coisas pode ser explicada pela percepção de que os
demônios podem observar o que acontece no mundo e, provavelmente, deduzir
algumas conclusões de suas observações. Um demônio pode saber o que eu comi no
café-da-manhã simplesmente por me ver tomando o café-da-manhã! Ele pode saber o
que eu disse em uma conversa particular de telefone porque ele ouviu a minha
conversa. Os cristãos não devem deixar-se iludir se encontrarem membros do
ocultismo ou de outras falsas religiões que parecem demonstrar tal conhecimento
de vez em quando. Esses resultados da observação não provam que os demônios
possam ler os nossos pensamentos e nada na Bíblia nos leva a pensar que eles
tenham esse poder.
Nossa relação com os demônios
Os demônios são ativos no mundo hoje?
Algumas pessoas, influenciadas pela
cosmovisão naturalista que somente admite a realidade do que pode ser visto,
tocado ou ouvido, negam que os demônios existam hoje. Eles sustentam que anjos
e demônios são simplesmente mitos que pertencem à cosmovisão obsoleta ensinada
na Bíblia e em outras culturas antigas.
Se, entretanto, a Escritura nos dá o
relato verdadeiro do mundo como ele realmente é, então temos de levar a sério
sua descrição do intenso envolvimento demoníaco na sociedade humana. Nosso
compromisso com os cinco sentidos meramente nos diz que temos algumas
deficiências em nossa capacidade de entender o mundo, mas não que os demônios
não existam. De fato, não há razão alguma para pensar que há menos atividade
demoníaca no mundo hoje do que houve no tempo do NT. Estamos no mesmo período
do plano global de Deus para a história (a época da igreja ou a época da nova
aliança), e o milênio, quando a influência de Satanás será removida da terra,
ainda não veio. Da perspectiva bíblica, a recusa da sociedade moderna em
reconhecer a presença da atividade demoníaca hoje deve-se simplesmente à
cegueira das pessoas para a verdadeira natureza da realidade.
Mas em que espécie de atividade os
demônios estão envolvidos hoje? Há algumas características distintivas que vão
nos capacitar a reconhecer a atividade demoníaca quando ela ocorrer?
Nem todo mal e pecado procedem de Satanás e demônios, mas em alguns casos sim.
Se temos a visão da ênfase global das
cartas do NT, percebemos que pouco espaço é dado à discussão da atividade
demoníaca na vida dos crentes ou aos métodos para resistir e se opor a tal
atividade. A ênfase é dizer aos crentes para não pecar, mas viver retamente.
Por exemplo, em I Coríntios , quando há o problema das “divisões”, Paulo não
diz à igreja para repreender o espírito de divisão , mas simplesmente
incita-os a viver concordemente e a serem “unidos num só pensamento e num só
parecer” (lCo 1.10). Quando há um problema de incesto, ele não diz aos
coríntios para repreenderem um espírito de incesto, mas diz que eles exercessem
disciplina para que o ofensor se arrependesse (lCo 5.l-5). Esses exemplos
poderiam ser duplicados muitas vezes em outras cartas do NT.
Portanto, embora o NT claramente
reconheça a influência da atividade demoníaca no mundo, e mesmo, como veremos,
sobre a vida dos crentes, seu foco primário a respeito do crescimento cristão
não é a atividade demoníaca, mas as escolhas e ações feitas pelos cristãos (v.
tb. Gl 5.16-26; Ef 4.1—6.9; Cl 3.1—4.6 etc.). Similarmente, esse deveria ser o
foco principal de nossos esforços hoje, quando lutamos por crescer em santidade
e fé, para vencer desejos e ações pecaminosos que permanecem em nossa vida (cf.
Rm 6.1-23) e superar as tentações que vêm contra nós provenientes do mundo
descrente (lCo 10.13). Precisamos aceitar nossa responsabilidade de obedecer ao
Senhor e não culpar as forças demoníacas por nossos atos errados.
Não obstante, várias passagens
mostram que os autores do NT estavam definitivamente cônscios da presença da
influência demoníaca no mundo e na vida dos cristãos. Paulo advertiu Timóteo
que nos últimos dias alguns “abandonarão a fé e seguirão espíritos enganadores
e doutrinas de demônios” (1Tm 4.1) e que isso levaria a idéias de proibir o
casamento e proibir certas comidas (v. 3), coisas boas que Deus criou para
serem recebidas com ações de graça (v. 4). Portanto, ele considerou alguns
ensinos falsos como de origem demoníaca. Em 2Timóteo , Paulo sugere que os que
se opunham à sã doutrina eram mantidos em cativeiro pelo demônio para cumprirem
a vontade dele: “Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para
com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se
lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os
ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da
armadilha do Diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade” (2Tm
2.24-26).
Semelhantemente Jesus havia
asseverado que os judeus que tinham se oposto de modo obstinado a ele estavam
seguindo ao seu pai, que é o Diabo: “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo,
e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se
apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria
língua, pois é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44).
Em sua primeira carta João salienta
que os atos hostis dos descrentes têm influência demoníaca ou possuem às vezes
origem demoníaca. Ele faz uma afirmação geral dizendo que “aquele que pratica o
pecado é do Diabo” (1Jo 3.8), e continua dizendo: “Desta forma sabemos quem são
os filhos de Deus e quem são os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não
procede de Deus, tampouco quem não ama seu irmão” (lJo 3.10). Aqui João
caracteriza todos os que não são nascidos de Deus como filhos do Diabo e
sujeitos à sua influência e desejos.
Quando combinamos todas essas
afirmações, vemos que Satanás é visto como o originador das mentiras, dos
assassínios, do engano, do falso ensino e do pecado em geral. Por causa disso,
parece razoável concluir que o NT quer que entendamos que há algum grau de
influência demoníaca em todas as coisas erradas e pecados que ocorrem hoje. Nem
todo pecado é causado por Satanás ou pelos demônios, nem a atividade demoníaca
é a principal influência ou a causa do pecado, mas a atividade demoníaca é
provavelmente um elemento presente em quase todo pecado e em quase toda
atividade destrutiva que se opõe à obra de Deus no mundo hoje.
Na vida dos cristãos, como já
observamos, a ênfase do NT não é sobre a influência dos demônios, mas sobre o
pecado que permanece na vida deles. No entanto, devemos reconhecer que o pecado
(mesmo para os cristãos) oferece ponto de apoio para alguma espécie de
influência demoníaca em nossa vida. Assim, Paulo pôde dizer: “‘Quando vocês
ficarem irados, não pequem’. Apaziguem a sua ira antes que o sol se ponha, e
não deem lugar ao Diabo” (Ef 4.26,27). A ira pecaminosa aparentemente pode dar
oportunidade para o Diabo (ou demônios) exercer alguma influência negativa em
nossa vida — talvez atacando-nos na área de nossas emoções ou talvez por
aumentar a ira pecaminosa que já sentimos contra outras pessoas.
Semelhantemente, Paulo menciona “a couraça da justiça” (Ef 6.14) como parte da
armadura que temos de usar contra “as ciladas do Diabo” e na luta “contra os poderes
e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças
espirituais do mal nas regiões celestiais” (Ef 6.11,12). Se possuirmos áreas de
contínuo pecado em nossa vida, há fraquezas e buracos em nossa “couraça da
justiça”, e nessas áreas é que somos vulneráveis ao ataque demoníaco. Jesus, ao
contrário, que estava perfeitamente livre do pecado, pôde dizer de Satanás:
“Ele não tem nenhum direito sobre mim” (Jo 14.30). Podemos também observar a
conexão em lJoão 5.18 entre não pecar e não ser tocado pelo maligno: “Sabemos
que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado;6 aquele que nasceu de
Deus o protege, e o Maligno não o atinge”.
O cristão pode ser possuído pelo demônio?
O termo “possessão demoníaca” é um termo infeliz que aparece em algumas traduções da Bíblia, mas não reflete realmente o texto grego. O NT grego pode falar de pessoas que “têm demônio” (Mt 11.18; Lc 7.33; 8.27; Jo 7.20; 8.48,49,52; 10.20), ou pode falar de pessoas que estão sofrendo por causa de influência demoníaca (a expressão grega é daimonizomai ), porém a Bíblia nunca usa uma linguagem que sugira que um demônio realmente “possui alguém”.
O problema com ambos os termos,
possessão demoníaca e endemoninhado, é que eles conotam uma influência
demoníaca tão forte que parece insinuar que a pessoa que está sob o ataque
demoníaco não tem escolha senão sucumbir ao demônio. Eles sugerem que a pessoa
não mais é capaz de exercer sua vontade e está completamente sob domínio do
espírito mau. Embora isso possa ser verdade em casos extremos, como o do
endemoninhado de Gadara (v. Mc 5.1-20; observe que, após Jesus ter expulsado os
demônios, ele ficou “em perfeito juízo”, v. 15), certamente não é o que
acontece em muitos casos de ataque demoníaco ou conflito com demônios na vida
de diversas pessoas. Assim, como responderemos à pergunta “Um crente pode ser
possuído pelo demônio?”. Embora a minha preferência não seja, de forma alguma,
o uso do termo possessão demoníaca seja qual for a situação, a resposta a essa
pergunta dependerá do que se quer dizer por “possessão demoníaca”. Se por ela
se entende que a vontade de uma pessoa fica completamente dominada por um
demônio, de forma que essa pessoa não tenha nenhum poder de escolha para fazer
o certo e obedecer a Deus, então a resposta com respeito ao cristão ser
possuído pelo demônio é negativa, porque a Escritura assegura que o pecado não
terá domínio sobre nós, já que fomos ressuscitados com Cristo (Rm 6.14; v. tb.
v. 4,11).
A maioria dos cristãos, por outro lado, concorda que pode haver diferentes graus de ataque ou influência demoníaca na vida dos crentes. O crente pode em certas ocasiões ficar sob ataque demoníaco mais forte ou mais suave. (Observe a “filha de Abraão” a quem Satanás mantinha encurvada por dezoito anos de forma que, por causa desse espírito de enfermidade, ela não podia endireitar-se [Lc 13.11,16].) Embora os cristãos após o Pentecoste tenham poder mais pleno [A palavra daimonizomai, que pode ser traduzida por “estar sob a influência demoníaca” ou estar endemoninhados, ocorre treze vezes no NT, todas elas nos evangelhos (Mt 4.24; 8.16,28,33; 9.32; 12.22; 15.22 [“endemoninhada”]; Mc 1.32; 5.15,16,18; Lc 8.36; Jo 10.21). Todos esses exemplos parecem indicar a influência demoníaca muito grave. À luz disso, talvez seja melhor reservar a palavra endemoninhado para casos mais extremos ou graves. A palavra endemoninhado parece-me sugerir influência ou controle demoníaco muito forte. (V. outras palavras similares com o sufixo “izado”: pasteurizado, homogeneizado, tiranizado, materializado, nacionalizado etc. Todas essas palavras falam de uma transformação total no objeto a que se referem, não apenas de uma influência moderada ou suave.) Mas tornou-se comum em parte da literatura cristã de hoje descrever pessoas sob qualquer espécie de ataque do maligno como “endemoninhado”. Seria mais sábio reservar o termo para casos mais graves de influência demoníaca, a fim de que nossa linguagem não sugira uma influência mais forte do que realmente ocorre.] do Espírito Santo trabalhando dentro deles para capacitá-los a triunfar sobre os ataques demoníacos, eles nem sempre invocaram esse poder ou nem mesmo conheceram a respeito do poder que por direito lhes pertence. Faríamos bem em evitar a categorização dessa influência com os termos possessão demoníaca (assim como outros termos como oprimido ou atormentado), para simplesmente reconhecer que pode haver graus variados de ataque ou de influência demoníaca sobre pessoas, mesmo sobre cristãos, e não acrescer mais nada. Em todos os casos, o remédio será sempre o mesmo: repreenda o demônio em nome de Jesus e ordene que saia.
Jesus concede a todos os crentes a autoridade para repreender os demônios e para ordenar-lhes que saiam.
Quando Jesus enviou os doze
discípulos adiante dele para pregar o Reino de Deus, ”deu-lhes poder e
autoridade para expulsar todos os demônios” (Lc 9.1). Após os setenta terem
pregado sobre o Reino de Deus nas cidades e aldeias, eles retornaram com
alegria, dizendo: ”Senhor, até os demônios se submetem a nós, em teu nome” (Lc
10.17) , e Jesus lhes disse: ”Eu lhes dei autoridade […] sobre todo o poder do
inimigo”(Lc 10.19). Quando Filipe, o evangelista, desceu para Samaria para
pregar o evangelho de Cristo , ”os espíritos imundos saíam de muitos, dando
gritos” (At 8.7), e Paulo usou a autoridade espiritual sobre os demônios para
dizer ao espírito de adivinhação que estava em uma jovem adivinhadora: “Em nome
de Jesus Cristo eu lhe ordeno que saia dela!” (At 16.18).
Paulo estava cônscio da autoridade
espiritual que possuía, tanto nos encontros face a face como o de Atos 16 ,
como também em sua vida de oração. Ele disse: “Pois, embora vivamos como
homens, não lutamos segundo os padrões humanos. As armas com as quais lutamos
não são humanas; ao contrario, são poderosas em Deus para destruir fortalezas”
(2Co 10.3,4). Além disso, ele falou em alguma medida da luta que os cristãos
têm contra “as ciladas do Diabo” em sua descrição do conflito “contra as forças
espirituais do mal nas regiões celestiais” (v. Ef 6.10-18). Tiago fala a todos
os seus leitores (em muitas igrejas): “Resistam ao Diabo, e ele fugirá de
vocês” (Tg 4.7). Semelhantemente, Pedro diz a seus leitores em muitas igrejas
na Ásia Menor: “Estejam alertas e vigiem. O Diabo, o inimigo de vocês, anda ao
redor como leão, rugindo e procurando a quem possa devorar. Resistam-lhe,
permanecendo firmes na fé” (lPe 5.8,9).
É importante que reconheçamos que a
obra de Cristo na cruz é a base definitiva para a nossa autoridade sobre os
demônios. Embora Cristo tenha ganho a vitória sobre Satanás no deserto, as
cartas do NT apontam para a cruz como o momento em que Satanás foi
definitivamente derrotado. Jesus assumiu a natureza humana (carne e sangue)
“para que, por sua morte, derrotasse aquele que tem o poder da morte, isto é, o
Diabo” (Hb 2.14). Na cruz, Deus, “tendo despojado os poderes e as autoridades,
fez deles um espetáculo público, triunfando sobre eles na cruz” (Cl 2.15).
Portanto, Satanás odeia a cruz de Cristo, porque lá ele foi inquestionavelmente
derrotado para sempre. Por causa da morte de Cristo na cruz, nossos pecados são
perdoados por completo, e Satanás não possui autoridade nem direito sobre nós.
[É bom acrescentar que, se há algum pecado específico que tenha dado lugar à influência do demônio, o pecado deve ser confessado e abandonado (v. anteriormente). Mas nem todo ataque demoníaco pode ser ligado a pecado específico, já que o próprio Jesus foi severamente tentado por Satanás, como aconteceu com Eva antes da queda].
Ainda mais, nossa posição como filhos
na família de Deus é a posição espiritual firme pela qual lutamos em nossa
batalha espiritual. Paulo diz a todo cristão: “Todos vocês são filhos de Deus
mediante a fé em Cristo Jesus” (Gl 3.26). Quando Satanás vem para atacar-nos,
ele está atacando um dos filhos do próprio Deus, um membro da família divina.
Essa verdade dá-nos autoridade para derrotá-lo e enfrentar a guerra contra ele
com muito sucesso.
Se como crentes achamos apropriado
falar uma palavra de repreensão ao demônio, é importante que nos lembremos de
que não precisamos temer os demônios. Embora Satanás e os demônios tenham muito
menos poder que o Espírito Santo que opera dentro de nós, uma das táticas de
Satanás é tentar causar medo em nós. Em vez de ceder a tal temor, os cristãos
devem lembrar as verdades da Escritura, que nos dizem: ”Filhinhos, vocês são de
Deus e os venceram, porque aquele que está em vocês é maior do que aquele que
está no mundo” (lJo 4.4); e: “Pois Deus não nos deu um espírito de covardia,
mas de poder, de amor e de equilíbrio” (2Tm 1.7). Paulo diz aos efésios que em
sua batalha espiritual eles devem usar o “escudo da fé”, para que possam
“apagar todas as setas inflamadas do Maligno” (Ef 6.16). Isso é muito
importante, visto que o oposto do temor é a fé em Deus. Ele também lhes diz
para serem intrépidos em sua luta espiritual, de forma que, tendo tomado toda a
armadura de Deus, pudessem “resistir no dia mau e permanecer inabaláveis,
depois deterem feito tudo” (Ef 6.13). Paulo diz que os cristãos, em seu
conflito contra as forças espirituais hostis, não devem bater em retirada ou se
encolher de medo, mas permanecer intrepidamente no seu lugar, sabendo que suas
armas e sua armadura “não são humanas; ao contrário, são poderosas em Deus para
destruir fortalezas” (2Co 10.4; cf. lJo 5.18).
Na realidade, essa autoridade de
repreender demônios pode resultar em uma breve ordem ao espírito maligno para
ir embora quando suspeitamos da presença de influência demoníaca em nossa vida
pessoal ou na vida dos que nos cercam. Devemos resistir ao Diabo (Tg 4.7), e
ele fugirá de nós. Há ocasiões em que uma breve ordem no nome de Jesus será
suficiente. Outras vezes será de grande utilidade citar as Escrituras no processo
de ordenar ao espírito para que abandone aquela situação. Paulo fala da “
espada do Espírito, que é a palavra de Deus” (Ef 6.17) . E Jesus, quando foi
tentado por Satanás no deserto, repetidamente citou as Escrituras em resposta
às tentações do Diabo (Mt 4.1-11). Entre os textos apropriados da Escritura
podem ser incluídas afirmações gerais do triunfo de Jesus sobre Satanás (Mt
12.28,29; Lc 10.17-19; 2Co 10.3,4; Cl 2.15; Hb 2.14; Tg 4.7; lPe 5.8,9; lJo
3.8; 4.4; 5.18), mas também versículos relacionados diretamente à tentação
particular ou dificuldade iminente.
É importante lembrar que o poder de
expulsar demônios não vem da nossa força ou do poder de nossa própria voz, mas
do Espírito Santo (Mt 12.28; Lc 11.20) . Além disso, Jesus emite uma advertência
clara de que não devemos nos regozijar demais ou nos tornar orgulhosos de nosso
poder sobre os demônios, mas que antes devemos nos regozijar em nossa grande
salvação. Devemos manter isso claro em nossa mente para que não nos tornemos
orgulhosos e o Santo Espírito não venha a retirar de nós esse poder. Quando os
setenta discípulos retornaram com alegria dizendo: “Senhor, até os demônios se
submetem a nós, em teu nome” (Lc 10.17), Jesus lhes disse: “Contudo,
alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes
estão escritos nos céus” (Lc 10.20). Devemos viver na expectativa de o
evangelho vir com poder para triunfar sobre as obras do Diabo. Quando Jesus
veio pregando o evangelho na Galiléia, “de muitas pessoas saíam demônios” (Lc 4.41).
Quando Filipe foi a Samaria para pregar o evangelho, “os espíritos imundos
saíam de muitos, dando gritos” (At 8.7). Jesus comissionou Paulo para pregar
entre os gentios “para abrir-lhes os olhos e convertê-los das trevas para a
luz, e do poder de Satanás para Deus, a fim de que recebam o perdão dos pecados
e herança entre os que são santificados pela fé em mim” (At 26.18). Segundo
Paulo, sua mensagem e pregação “não consistiram de palavras persuasivas de
sabedoria, mas consistiram de demonstração do poder do Espírito, para que a fé
que vocês têm não se baseasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus” (lCo
2.4,5; cf. 2Co 10.3,4). Se realmente cremos no testemunho da Escritura a
respeito da existência e da atividade dos demônios e se realmente cremos que
“para isso o Filho de Deus se manifestou: para destruir as obras do Diabo” (lJo
3.8), então parece apropriado esperar que mesmo hoje, quando o evangelho é
proclamado a descrentes e quando a oração é feita por crentes que talvez não
estejam conscientes desta dimensão de conflito espiritual, poderá haver triunfo
genuíno e muitas vezes imediatamente reconhecível sobre o poder do inimigo.
Devemos esperar que essa vitória aconteça, imaginá-la como parte normal da obra
de Cristo no desenvolvimento do seu Reino e nos regozijar nela.
Extraído da Teologia
Sistemática de Wayne Grudem

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