1.
Definição:
As Escrituras são, por definição, a
única Palavra de Deus escrita, e a única expressão verbal das verdades de Deus
publicamente acessível, visível, e infalível no mundo. Somente aquelas verdades
sobre a natureza de Deus e nosso relacionamento salvífico com Ele que são
claramente ensinadas nas Escrituras, ou claramente derivadas dos ensinamentos
das Escrituras, são necessárias à fé dos cristãos.
2. A Origem (e não a Base) da
definição: a cristalização dos ensinamentos das principais confissões
históricas de fé protestantes, especialmente as seguintes:
a. Confissão Belga (1561), artigo 7.
b. Segunda Confissão de Fé Helvética (1566), capítulo 2.
c. 39 Artigos de Religião da Igreja Anglicana (1571),
artigo 6.
d. Artigos Metodistas de Religião (1784), artigo 5.
e. Fórmula de Concórdia (1584), artigo 1.
f. Confissão de Fé de
Westminster (1647), capítulo 1.
3. Analisando a Definição:
a. Somente as Escrituras são a
Palavra de Deus escrita.
i. As Escrituras são a Palavra de Deus
· As teorias liberais que consideram as Escrituras como
sendo expressões falíveis de opiniões humanas, ou uma mistura de revelações
divinas com opiniões humanas, são irrelevantes nesse contexto, porque essas
teorias rejeitam o conceito de “Escrituras”.
· Nesse contexto, “Escrituras” se refere ao cânon de
escrituras inspiradas, dado à Igreja por Cristo através de seus representantes
e recebido por ela desde o princípio.
– A importante aqui é quando (Igreja Primitiva) e de quem
(apóstolos e seus assistentes) esses documentos foram recebidos.
– A definição, portanto, se aplica somente ao Antigo e
Novo Testamentos, e exclui qualquer outro documento (como por exemplo o Livro
de Mórmon) que alegue ter autoridade divina.
– O Antigo Testamento é incluído porque ele foi
confirmado pelo próprio Jesus e reafirmado por seus apóstolos no Novo
Testamento.
ii. Cristo é a Palavra de Deus encarnada. A idéia de Sola
Scriptura não interfere de modo algum com esse conceito.
iii. Todos os pregadores, evangelistas e mestres, desde os
tempos dos apóstolos até o dia de hoje, pregam ou ensinam a Palavra de Deus
somente no sentido de que eles interpretam e aplicam o que Deus diz nas
Escrituras, e não no sentido de serem veículos de novas revelações de Deus.
Uma palavra ou mensagem só pode ser dita como sendo de
Deus se ela for parte das Escrituras, ou se for nova revelação. Não há meio
termo.
– As Escrituras são aceitas como a Palavra de Deus.
– Novas revelações são rejeitadas, porque o cânon da
Palavra de Deus está completo nas Escrituras, segundo elas mesmas, e segundo a
providência de Deus.
b. As Escrituras são a única expressão verbal das verdades
de Deus publicamente acessível, visível, e infalível no mundo.
i. Não há nenhum profeta ou apóstolo nos dias de hoje
falando com a autoridade da Palavra de Deus.
· Do contrário, suas palavras deveriam ser escritas e
anexadas à Bíblia como sendo a Palavra de Deus. O cânon das Escrituras estaria
sendo constantemente expandido.
c. Somente aquelas verdades sobre a natureza de Deus e nosso
relacionamento salvífico com Ele que são claramente ensinadas nas Escrituras,
ou claramente derivadas dos ensinamentos das Escrituras, são necessárias à fé
dos cristãos.
i. O que isso não significa
Que a verdade
pode ser encontrada somente nas Escrituras.
– Toda a verdade pertence a Deus, onde quer que ela seja
encontrada.
– Há verdades que não se encontram nas Escrituras.
– Supostas verdades que contradizem os ensinamentos das
Escrituras não são na realidade verdades.
– Verdades não encontradas nas Escrituras podem até
corrigir interpretações incorretas das Escrituras.
· Que todas as tradições que não se encontram nas
Escrituras devem ser rejeitadas.
– Tradições que contradizem as Escrituras devem ser
rejeitadas.
– Tradições que são coerentes com as Escrituras podem ser aceitas mas não podem ser consideradas obrigatórias para a fé dos cristãos.
Que palavras ou
fórmulas teológicas que não são encontradas nas Escrituras devem ser
rejeitadas.
– A maior parte dos cristãos no mundo não fala grego ou
hebraico, e portanto termos extra-bíblicos sempre serão necessários.
– As Escrituras nunca requerem que estejamos limitados a
termos ou proposições encontradas no texto bíblico.
– A uso exclusivo de termos bíblicos não é nenhuma
garantia de que o que está sendo dito ou argumentado é fiel aos ensinamentos
bíblicos.ii. O que isso significa
· Inferências teológicas fiéis às Escrituras, ou seja,
que procedem logicamente dos aos ensinamentos bíblicos, tem autoridade divina e
são obrigatórios à fé dos cristãos. Interpretações especulativas, por outro
lado, não o são.
– Deduções e inferências lógicas das Escrituras devem ser
aceitas como a verdade de Deus.
· Por exemplo, a idéia de que Deus é incorpóreo, ou seja,
não tem um corpo, é claramente deduzida a partir da afirmação bíblica de que
Deus é espírito (Jo. 4:24).
– Por outro lado, “implicações” que são meramente
possíveis, mas não têm respaldo bíblico explícito não podem ser consideradas
necessárias à fé dos cristãos.
· Os ensinamentos bíblicos que dizem respeito à natureza
de Deus, e ao relacionamento salvífico com Ele, são essenciais, e portanto
obrigatórios para a fé cristã.
– São as Escrituras que indicam se algo é de natureza indiferente ou de conseqüência eterna.
4. Argumentação Bíblica Para o Conceito de Sola Scriptura
1. As Escrituras são a infalível Palavra
de Deus escrita (Mt. 5:17-18; 22:29; Jo. 10:35; 1 Tm. 5:18b; 2 Tm. 3:16-17; 2
Pe. 1:20-21; 3:16; Ap. 22:18-19, etc.).
2. As
Escrituras são a única Palavra de Deus verbal, infalível, e publicamente acessível.
a. A pregação oral dos próprios apóstolos estava sujeita às
Escrituras, e eles próprios instruíram que deveriam ser rejeitados quaisquer
ensinamentos contrários às Escrituras (cf. At. 17:11; Gl. 1:8-9).
b. Os documentos do Novo Testamento produzidos no final da
era dos apóstolos instruem cristãos a se lembrarem das palavras dos profetas
(Antigo Testamento) e apóstolos (Novo Testamento), e não a buscarem a Palavra
de Deus em outros pregadores ou mestres supostamente inspirados (Hb. 2:2-4; 2
Pe. 2:1; 3:1-3; Jd. 3-4; 17).
c. O Novo Testamento indica explicitamente que os ofícios
de apóstolos e profetas existiram na primeira geração da igreja cristã.
i. Eles eram os “fundamentos” da Igreja, e eram, portanto,
distintos dos ofícios de evangelistas, pastores, e mestres (cf. Ef. 2:20;
4:11).
ii. O ministério singular dos apóstolos e profetas foi
instituído por Cristo para efetuar a transição da natureza etnicamente
exclusiva do povo de Deus em Israel para a Igreja transnacional, incorporando
tanto judeus como gentios (Ef. 2:11-3:12, especialmente 3:4-7).
iii. Apóstolos eram considerados autênticos somente se eles
tivesses sido testemunhas oculares da ressurreição de Cristo, e tivessem
recebido sua comissão diretamente dele (Gl. 1:1; 11-12).
iv. Paulo indica que ele foi a última pessoa a ver o Senhor
pessoalmente e receber comissão apostólica dele (1 Co. 15:8).
v. O Novo Testamento em nenhum momento indica que gerações
futuras teriam apóstolos e profetas.
vi. As considerações acima excluem qualquer possibilidade de que possa haver apóstolos e profetas nos nossos dias, produzindo novas revelações e Escrituras.
3. Somente os
ensinamentos bíblicos que dizem respeito ao conhecimento salvífico de Deus
podem ser considerados obrigatórios para a fé de todos os cristãos.
a. As Escrituras ensinam tudo que é necessário para a
salvação e para a obediência à vontade de Deus (2 Tm. 3:15-17), e, portanto,
doutrinas e práticas que não estão claramente fundamentadas nas Escrituras não
podem ser impostas à Igreja.
b. Não se pode permitir que diferenças que não afetam fundamentalmente o relacionamento de uma pessoa com Deus em Cristo causem divisões nocivas ao corpo de Cristo (cf. Rm. 14).
A própria
Bíblia incentiva o livre exame das Escrituras
a) Neemias 8.3 – “3 E leu nela diante da praça que está
fronteira à porta das águas, desde a alva até o meio-dia, na presença dos
homens e das mulheres, e dos que podiam entender; e os ouvidos de todo o povo
estavam atentos ao livro da lei”
b) Efésios 3.4 – “pelo que, quando ledes, podeis perceber a
minha compreensão do mistério de Cristo”
c) II Timóteo 3.15 – “e que desde a infância sabes as
sagradas letras, que podem fazer-te sábio para a salvação, pela que há em
Cristo Jesus.”
d) Mateus 24.15 – “Quando, pois, virdes estar no lugar
santo a abominação de desolação, predita pelo profeta Daniel (quem lê,
entenda)”
e) Mateus 21.42 – “Disse-lhes Jesus: Nunca lestes nas
Escrituras…”
f) I João 2.20 – “Ora, vós tendes a unção da parte do
Santo, e todos tendes conhecimento.”
g) João 5.39 – “Examinais as Escrituras, porque julgais ter
nelas a vida eterna; e são elas que dão testemunho de mim;”
h) I João 2.27 – “E quanto a vós, a unção que dele
recebestes fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas,
como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e
não é mentira, como vos ensinou ela, assim nele permanecei.”
Prof: Paulo Cristiano
da Silva
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