As seitas não é apenas um fenômeno escatológico,
mas social. Elas destroem vidas, causa anomia social e transtornos psicológicos
irreversíveis. Estamos diante de um fenômeno socioespiritual que cresce a cada
dia de modo alarmante. Nossa época e o tipo de sociedade em que nós vivemos
possibilitam os mais diversos grupos religiosos proliferarem suas ideias,
doutrinas e visão de mundo entre nós. Quem são eles? Qual o maior perigo que
eles representam para a Igreja e para a sociedade em geral? Diante do caos
religioso instalado em nossa “Era pós-moderna” é justo que todo estudioso das
seitas façam algumas perguntas dentre elas podemos destacar as seguintes:
1 - O que faz uma pessoa aderir a uma seita?
2 - Pessoas se juntam as seitas ou elas são
recrutadas?
3 - Pessoas são recrutadas por uma
mensagem ou por um método?A resposta não é tão simples assim. Não existe
apenas um fator determinante que sejas o responsável pela explicação. O
sociólogo Edgar Morin, afirma que o homem é um ser complexo. Esta complexidade
é formada por fatores tais como: cultural, social, psicológico, etc.
Paulo alerta os crentes para o fato de não sermos enganados por artimanhas filosóficas mundanas nos seguintes termos: “Tendo cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Col 2.8).
1. QUAL O PERFIL PSICOLÓGICO DE UM LÍDER DE SEITA?
O bispo de Hipona no século V já afirmava: “Não
penses que as heresias são produto de mentes obtusas. É necessário uma mente
brilhante para conceber e gerar uma heresia. Quanto maior o brilho da mente,
maiores suas aberrações.”
Geralmente, o líder da seita é dotado de carisma,
magnetismo irresistível, aparência de vencedor, demonstrando grande entusiasmo
pela causa que defende ou pelo produto que vende.
O Poder de convencimento do líder vem por meio do
carisma que pode ser alguma habilidade especial ou divina.
Este carisma é em parte construído pelos adeptos,
pois o discurso do líder vai ao encontro dos anseios e necessidades do adepto.
O líder sabe que tem a solução para aquele anseio e convence o adepto a aceitá-lo.
2. TÉCNICAS DE RECRUTAMENTO
2.1 A técnica do Atalho Mental
Somos, de certa forma, programados culturalmente e
biologicamente com certas cargas de informações pressuposicionais.
Alguns atalhos mentais podem ser criados, enquanto
outros já estão lá na sua mente, instalados pela nossa sociedade e prontos para
serem usados. Exemplos: beleza, cor, sexo, vestimenta, amabilidade,
autoridades, etc…
2.2 A técnica da Reciprocidade
É uma subdivisão do atalho mental.
A maneira como esta regra funciona é a seguinte:
“se alguém faz a você um favor, você deve a ele um favor em retribuição”.
Resultado gerado: “constrangimento e culpa”.
3. O CONTROLE PÓS-CONVERSÃO
“Uma pessoa modifica o comportamento de outra mudando o mundo em que esta vive.” (B. F. Skinner. Sobre o Behaviorismo. São Paulo, Cultrix, 1982. p.55)
Definindo os termos
O que significa “modificação do comportamento”?
“Trata-se de estabelecer uma correspondência entre
“recompensas ou castigos pelas ações realizadas”.
3.1 CONTROLE PSICOSSOCIAL: O BIG BROTHER DAS SEITAS
3.1.2 Técnicas de Manipulação Mental
A Enciclopédia de Psicologia define manipulação
como:
“O gerenciamento e a direção dos seres humanos pelo
uso hábil de seus desejos e qualidades com o propósito de controlá-los com fins
sociais, científicos ou políticos, contrários as suas próprias escolhas”.
1) Controle do comportamento
2) Controle do Pensamento
3) Controle dos sentimentos
4) Controle da informação
3.1.3 Controle do Comportamento
É efetuado mediante uma seleção comportamental,
isto é, a seita seleciona a vida pessoal do adepto (biológica e social) por
meio de controles e/ou restrições.
A) Controle físico – a comida, a roupa, o aspecto
físico, o sono;
B) Controle social – Tipo de trabalho, tipo de
cursos, tipo de amizades, seleção familiar;
C) Controle ocupacional – Nas seitas há sempre algo
para fazer. Cada seita tem sua série de comportamentos e tarefas que os adeptos
devem cumprir.
3.1.4 Controle Mental
O que é controle mental?
“o controle mental procura nada menos do que
desfazer a identidade original de um indivíduo – comportamento, pensamentos,
emoções – e reconstruí-la na imagem do líder da seita. Isso é feito
controlando, rigidamente, a vida espiritual, física, intelectual e emocional do
membro. O controle mental da seita é um processo social que encoraja
obediência, dependência e conformidade. O processo desencoraja autonomia e
individualidade ao imergir os recrutados num ambiente que reprime a livre
escolha. O dogma do grupo torna-se a única preocupação da pessoa” (Steve Hassan
ex-adepto da Igreja da Unificação do rev. Moon).
Essa etapa inicia-se quando é bloqueado o censo
crítico da pessoa.
O bloqueio se dá pelo seguinte processo:
A) Aprendizagem de uma linguagem própria (clichês);
B) Entoação de mantras, canções, meditações;
C) Doutrinação exaustiva
D) Atividades constantes
“O objetivo agora é que o grupo pense por eles”
3.4.1 OS CLICHÊS E RESPOSTAS PREPARADAS INTRODUZEMPRECONCEITOS MENTAIS
Testemunhas de Jeová
- Lampejos de luz – verdadeira felicidade, cristandade, etc…
Igreja Adventista Sétimo Dia
- Igreja remanescente – espírito de profecia – babilônia a Grande, verdade presente, etc…
“As seitas destroem a mente por completo. Elas destroem a sua habilidade de questionar as coisas, e ao destruir a sua habilidade de pensar, destroem também a sua habilidade de sentir.”
Testemunhas de Jeová
“Evite ideias independentes….Como se manifestam
tais ideias independentes? Um modo comum é questionar o conselho provido pela
organização visível de Deus” (A Sentinela de 15/7/1983, p. 22 ).
Mórmons
“Um dos
primeiros passos da apostasia é procurar imperfeições em seu bispo…Não demora
para que a pessoa se afaste da Igreja, e esse é seu fim. Vocês, por acaso,
estarão entre os que procuram imperfeições em seu bispo?” (Ensinamentos dos
Presidentes da Igreja – Brigham Young, p. 81) .
Seicho-No-Ie
“Quando o superior tem absoluta autoridade sobre o
subordinado e este segue o superior com a obediência total, realizar-se-á aí a
‘vontade de Deus’ ” (Seicho-No-Ie)
“Eu sou um pensador. Eu sou seu cérebro.”(Rev.
Moon)
3.1.5 Controle dos sentimentos
“Isto permite manipular os sentimentos da pessoa”.
- Medo : Externo – Criando
um inimigo externo.
Interno- Temor em deixar o grupo.
- Culpa : por não se enquadrar dentro das
regras internas (senso de utilidade).
3.1.6 Controle da Informação
- Privação de senso crítico interior (exegese bíblica
e algumas literaturas do grupo proibidas);
- Privação de informações exteriores (contato com literaturas religiosas e ou seculares).
3.1.7 Qual o resultado final alcançado com este controle?
“O controle de outras pessoas aprendido desde muito cedo vem por fim a ser usado no autocontrole e, eventualmente, uma tecnologia comportamental bem desenvolvida conduz a um autocontrole capaz.” (B. F. Skinner. Sobre o Behaviorismo. São Paulo, Cultrix, 1982. p.55)
Conclusão
A única maneira de não sermos enganados por líderes
manipuladores é aprendermos a nos render somente a Jesus Cristo, conhecer
profundamente a Palavra de Deus e procurarmos utilizar as ferramentas que a
apologética coloca diante de nós para reconhecermos e então combatermos de modo
eficaz os erros de líderes ávidos por poder e controle.
Prof. Paulo Cristiano da Silva

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