SEJA BEM VINDO EM NOME DE JESUS.

sexta-feira, 10 de abril de 2026

CREDO ATANASIANO e a pessoa de Jesus Cristo

Vamos analisar estritamente com base no texto do Credo Atanasiano, observando o que ele afirma sobre Jesus Cristo em relação à Divindade e à Trindade.

 

1) O Credo começa definindo o quadro trinitário


Antes de falar diretamente de Cristo encarnado, o credo estabelece uma estrutura teológica:

“Venerar um só Deus na Trindade e a Trindade na unidade, sem confundir as pessoas e sem dividir a

substância.”


Aqui estão dois princípios fundamentais:

Distinção de pessoas

Pai ≠ Filho ≠ Espírito Santo

Unidade de substância

Não são três deuses

Há uma única divindade

Esse é o ambiente teológico no qual Jesus é apresentado.

2) O que o Credo afirma sobre a Divindade do Filho


O texto é enfático:

“Qual o Pai, tal o Filho…”

“Incriado é o Pai, incriado o Filho…”

“Eterno o Pai, eterno o Filho…”

“O Pai é Deus, o Filho é Deus…”

“O Pai é onipotente, o Filho é onipotente…”

O que isso significa segundo o próprio texto?

2.1 O Filho possui todos os atributos divinos

O Credo atribui ao Filho:

Eternidade

Incriação

Imensidão

Onipotência

Divindade plena

Portanto, Jesus não é apresentado como ser criado ou inferior em essência, mas como possuidor da mesma natureza divina do Pai.

3) O Filho é “gerado”, não criado


O Credo diz:

“O Filho é só do Pai; não feito, nem criado, mas gerado.”


Aqui há uma distinção importante:

Não feito

Não criado

 Gerado

O texto não explica o mecanismo dessa geração, mas faz questão de negar que seja criação.

Mais adiante:

“É Deus, gerado da substância do Pai antes dos séculos.”


Isso indica:

A geração é anterior ao tempo

Não se refere ao nascimento em Maria

Está relacionada à própria substância divina

Ou seja…

O uso do termo “gerado” no Credo, embora intencione distinguir o Filho de algo “feito” ou “criado”, acaba deixando o texto um tanto confuso e não completamente claro, pois não explica em que sentido essa geração ocorre. O Credo afirma que o Filho é “gerado da substância do Pai antes dos séculos”, negando que seja criado, mas não define como essa geração pode ser eterna sem implicar anterioridade ou causalidade temporal — especialmente quando também declara que “nada é anterior ou posterior” na Trindade. Assim, o termo parece querer afirmar uma relação de origem pessoal sem indicar começo no tempo, porém a falta de explicitação conceitual pode gerar tensão lógica no próprio texto, tornando a formulação aberta a interpretações distintas sobre a natureza dessa “geração”.


4) Igualdade e distinção


O Credo afirma:

“Nada é anterior ou posterior, nada maior ou menor.”


Logo, segundo o texto:

O Filho não é posterior ao Pai

O Filho não é menor que o Pai

Há coeternidade

Há igualdade absoluta quanto à divindade


Mas também diz:

“Uma é a pessoa do Pai, outra a do Filho…”


Portanto:

Há distinção pessoal

Há igualdade essencial


5) A Encarnação: Deus e Homem


Depois de estabelecer a plena divindade do Filho, o Credo passa à encarnação:

“Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, é Deus e homem.”


Ele desenvolve isso em duas naturezas:

5.1 Quanto à divindade:

“Gerado da substância do Pai antes dos séculos.”

5.2 Quanto à humanidade:

“Nascido no mundo da substância da mãe.”


Ou seja:

Divindade eterna

Humanidade histórica


6) Igual ao Pai e menor que o Pai


O texto diz:

“Igual ao Pai segundo a divindade, menor que o Pai segundo a humanidade.”


Isso resolve uma possível tensão:

Jesus é igual ao Pai quanto à natureza divina

É menor quanto à condição humana assumida


Portanto, a inferioridade não é ontológica, mas relacionada à encarnação.

7) União sem confusão


O Credo afirma:

“Não por conversão da divindade em carne, mas pela assunção da humanidade em Deus.”


Isso significa:

A divindade não virou humanidade

A humanidade foi assumida


E ainda:

“Não por confusão de substância, mas por unidade de pessoa.”


Logo:

Duas naturezas

Uma única pessoa


8) Cristo único mediador da salvação


O Credo conecta cristologia e salvação:

“O qual padeceu pela nossa salvação…”


Ele descreve:

Paixão

Descida aos infernos

Ressurreição

Ascensão

Juízo futuro


Tudo atribuído à única pessoa de Cristo.

9) Em resumo: o que o Credo ensina sobre Jesus


Com base exclusivamente no texto, o Credo ensina que:

01- Jesus é plenamente Deus

Possui todos os atributos divinos.

02 - Jesus não é criatura

É gerado, não criado.

03 - Jesus é coeterno ao Pai

Nada anterior ou posterior.

04 - Jesus é distinto do Pai

Outra pessoa.

05 - Jesus é plenamente homem

Assumiu humanidade real.

06 - Jesus é uma única pessoa

Duas naturezas, uma pessoa.

07 - Sua obra é central para a salvação

Ele sofre, ressuscita e julga.

Conclusão Teológica do Texto


O Credo constrói uma cristologia que:

Defende a unidade absoluta da Divindade

Afirma distinção pessoal na Trindade

Sustenta igualdade essencial entre Pai, Filho e Espírito

Rejeita qualquer ideia de que o Filho seja criatura

Explica a encarnação como união de duas naturezas numa só pessoa

Em relação à Divindade e Trindade, o Credo coloca Jesus:

Dentro da única essência divina

Em igualdade eterna com o Pai

Em distinção pessoal

E como Deus encarnado para a salvação

Por: Pr. João Flávio Martinez

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Graça e Paz de Cristo, será um prazer receber seu comentário. Jesus te abençoe.