Há algum tempo, perguntei a um estudante, na Universidade
da Carolina do Norte, se acreditava em Deus.
– Sim – respondeu ele. – Tenho os meus deuses
particulares.
No homem ocidental, a idolatria é o humanismo, o
materialismo e o sexo. A idolatria apresenta uma associação quase automática de
superstição, magia, feitiçaria, bruxaria e ídolos físicos, mas os deuses
modernos são evoluídos, cultos, bem na moda e intelectuais.
Quando uma nação se afasta do Deus verdadeiro e vivo de sua herança cristã, troca-O por deuses falsos. O homem é criatura inatamente religiosa e
precisa ter um deus de algum tipo. Foi Russell Kirk quem observou: “Na prova final, o poderio de uma nação ou civilização será avaliado não em mísseis ou em divisões de exército, mas em fé, seja falsa ou verdadeira.”Esse estado de fé falsa,
bem como de religião apenas nominal, reflete-se numa afirmação feita por Carl
Henry, diretor da revista Christianity Today:
“Embora o homem moderno explore com afinco o espaço que rodeia a Terra, parece
bem contente em viver num jardim de infância espiritual e em brincar nutria
atmosfera de primitivismo moral.” Na verdade, brinca com deuses de sua própria
confecção.
A cultura ocidental moderna é hoje uma mistura de paganismo e cristianismo. Somos uma combinação de ambos e falamos de Deus, mas muitas vezes nos comportamos como se fôssemos ateus. Criamos um tipo de personalidade dupla, esquizofrênica. Cunhamos as palavras “Em Deus Confiamos” (In God We Trust) em nossas moedas, mas nos corações temos gravada a afirmação: “Primeiro, Eu” (Me First). O fato é que, enquanto acreditamos em Deus, teoricamente, construímos em nós próprios imagens gravadas e passamos a adorá-las. Temos coisa bem próxima de um novo tipo de politeísmo, mediante o qual tentamos adorar tanto o Deus da Bíblia quanto os deuses de nossa própria feitura, e isso simultaneamente.
DEUSES DE UNIVERSIDADE
O abismo entre uma relação
operante com o Deus da Bíblia e nossa idolatria atual se vê nas atitudes dos
estudantes de nossa geração. Otto Butz, da Universidade de Princeton, em seu
livro The Unsilent Generation (A Geração Que Não
Silenciou) cita trechos de ensaios preparados por onze componentes da turma de
1957. As suas afirmações a respeito de Deus são bastante reveladoras. Um deles
afirma: “Acho que posso ser indiferente a um Deus que se mostra indiferente
para conosco. . . . é este o mundo, e não o próximo, com que me preocupo.”
Outro dizia: “Raramente penso em Deus como tal, e só
quando estou em dificuldades excepcionais. Mesmo quando oro, não me vejo a
pedir ajuda ou orientação. Acontece simplesmente que, ao orar, descubro certa
dose de reconforto.”
A maioria dos estudantes
universitários de hoje professa ter fé em Deus, mas não se trata de fé em um
Deus pessoal. Para eles, um Deus pessoal não é importante, não faz diferença.
Por esse motivo, têm tendência a fabricar um deus ou deuses próprios, aquilo a
que Chad Walls chama “deuses de universidade” no livro intitulado Campus Gods on Trial (Deuses de Universidade em
Julgamento).
Parte da explicação advém da trágica negligência, por
parte da igreja, que deixou de cuidar dos jovens nos anos críticos em que os
mesmos mais necessitavam de orientação espiritual. O estudante universitário
comum traz, em sua mente, uma caricatura de Deus. Estudou pouco a Bíblia, e
apresenta conceito débil dos ensinamentos bíblicos e de nossas
responsabilidades morais para com Deus. Por esse motivo, o estudante rejeita o
Deus bíblico, mas como precisa ter um deus de algum tipo, cria-o para si
próprio no ambiente universitário. O seu objetivo máximo podem ser as notas
altas, a conquista de belas pequenas, a perícia esportiva ou a rebelião, como
disse um deles, “só pelo prazer de rebelar-se”. Coisas assim tornam-se aquilo
com que ele substitui Deus. Na verdade, chegam a ser deuses nas vidas de
milhares de estudantes, e a um ou mais desses deuses o estudante dedicará sua
vida. É assim que milhares de estudantes não têm qualquer crença genuína em
Deus ou nos valores morais que sustentam a sociedade humana.
A IDOLATRIA DAS MASSAS
Voltando-nos dos deuses de universidade para a idolatria
das massas, examinemos antes de mais nada o deus do humanismo, ou a adoração ao
homem. O humanista verdadeiro canta com Swinburne: “Glória ao homem nas
alturas!” É esta a nova idolatria de nossa era, intelectual e evoluída, e está
ficando altamente organizada.
David Winter, diretor da
revista Crasade em Londres, é quem afirma: “Nenhum outro
inimigo tão sutil já enfrentou a igreja cristã quanto esse, que lhe tira do
trono o seu Deus e O substitui pela Sua criatura.” Os humanistas, em especial
na Grã-Bretanha, estão-se tomando militantes. Devotaram-se a atacar o
cristianismo e Julian Huxley declarou que para adquirir uma atração maior o
humanismo deve ser uma religião, enquanto outro humanista, L. F. J. Ross,
sugere que “deve adotar-se uma bíblia humanista simples e hinos humanistas,
podendo-se acrescentar a isso dez mandamentos para os humanistas, bem como
práticas confessionárias humanistas para os grupos ou indivíduos… o uso de técnicas
hipnóticas… música e outros dispositivos… durante o culto humanista
proporcionaria à platéia uma experiência espiritual profunda, da qual ela
sairia reanimada e inspirada por sua fé humanista”.
Numa esclarecedora série
de artigos publicados na revista Crasade, diz Edward
Atkinson: “O humanismo pode estar-se lentamente transformando num culto de
mistério, mostrando-se completo com sua própria superstição curiosa, pensamento
confuso e jargão obscuro. E, como todos os cultos assim, sua atração principal
se exerce sobre os místicos. É fato dos mais irônicos que o humanismo, a
despeito de todas as suas acusações absurdas de que o cristianismo extrai sua
origem de cultos de mistério, venha a ser um deles.”
Assim vemos que o humanismo se tornou, para muitos, um
nome educado para uma cruzada eloqüente, agressiva e influente contra a
religião, em nome do progresso social e moral. Nada de novo existe no
humanismo, que é o ceder à primeira tentação utilizada pelo Demônio contra Adão
e Eva: “Sereis como deuses” (Gênesis 3:5).
Em segundo lugar, temos nos Estados Unidos uma idolatria, chamada a “adulação da juventude” em recente artigo publicado pela revista Look. Aparentemente perturbados por sua incapacidade de comunicar-se com a geração mais jovem, muitos adultos passam simplesmente a imitá-la, e cada vez mais as mulheres que seguem as trilhas da era nova se esforçam por parecer adolescentes.
O HOMEM ADORA A CIÊNCIA
Em terceiro lugar, dessa nova era de ciência e tecnologia tem aparecido uma nova fé no cientificismo, que afasta a fé bíblica. Esta era nuclear reduziu muito a fé bem arraigada na cultura do passado. Foi certo cientista quem declarou: “O quadro mundial da era nuclear não inclui Deus. O homem culto de nossos dias não encontra Deus em seu reator atômico, nem O vê pelo seu telescópio. Deus não se encentra entre os elétrons em disparada, e não se faz visível no espaço exterior.”
Não resta dúvida de que existem poderes novos da ciência,
que correspondem ao acionamento de um botão no santuário dos computadores
eletrónicos, mais do que à palavra de nossas orações ou aos altares de nossos
templos. Encontra-se em nossas mãos um poder que, às nossas mentes finitas,
parece tão grande quanto aquele antes atribuído a Deus. Para muitos, esse poder
é o de um deus, e mais uma vez ouvimos, agora de modo novo, as palavras
proferidas pela serpente quando seduzia os nossos primeiros ancestrais: “Sereis
como deuses” (Gênesis 3:5).
Como os demais deuses da nossa geração, entretanto, a ciência não satisfaz aos reclamos profundos da alma humana. Quanto mais o homem aprende, tanto menos fica sabendo. Assim é que muitos dos mais destacados cientistas vieram a exprimir sua fé em Deus.
O HOMEM ADORA COISAS
Em quarto lugar, outra de nossas idolatrias é a adoração
nas coisas. Deixo ao psicólogo a tarefa de descobrir qual seja nossa motivação
mais profunda – se é um caso de imaturidade, tédio, orgulho ou um sentimento
genuíno da necessidade que nos impele à busca das coisas materiais, com
exclusão de tudo mais. Uma importante revista apresenta o anuncio onde se lê um
parágrafo revelador: “A automatização, o uso da eletrónica para dirigir
máquinas, irá encher seu lar de surpresas agradáveis? Irão olhos mágicos
iluminar todas as pegas da casa? Você virá a possuir um piano portátil,
relógios elétricos sem fio e telefones onde se fala sem ser preciso tirar o
receptor do gancho! Descubra como esse novo e emocionante acontecimento poderá
tornar mais feliz a sua vida.” Terá ficado a felicidade reduzida a pianos
portáteis e ao piscar de olhos mágicos?
No livro Alas Babylon (Ai, Babilônia!) Pat Frank imagina a
Flórida sob a mortalha de um ataque atômico fictício. Toda a eletricidade foi
cortada, as reservas de gasolina esgotaram-se e a vida se processa em condições
elementares. Cadillacs eram trocados por
galinhas, e lanchas a motor por saleiros cheios. Se uma guerra nuclear atingir
nosso mundo, os sobreviventes compreenderão de repente que a maioria das coisas
pelas quais temos lutado e atormentado o cérebro para conseguir são mais do que
inúteis. Se pudéssemos descobrir isso a tempo, talvez o destino de Sodoma e
Gomorra, para o qual estamos marchando, pudesse ser evitado.
A Madison Avenue descobriu ser lucrativo dirigir o
impulso principal da publicidade para um traço inerente da natureza humana, o
orgulho. Basta examinar as revistas elegantes e observar os anúncios coloridos
que tomam toda a página. Muitas vezes tais anúncios não se referem à utilidade
do artigo por eles apresentado, mas ao orgulho do comprador. “Pense na
satisfação que vai sentir quando seus amigos olharem, invejosos, o seu novo
banheiro, seu carro novo, seu novo iate.” E as ilustrações apresentam também a
expressão de inveja nos rostos dos amigos, a quem está sendo mostrada uma casa
nova, com todas as instalações elegantes e dispositivos embutidos. Foi Bacon
quem afirmou, há tempos idos: “A felicidade dos grandes não consiste em sentir
que sejam realmente felizes, mas em compreender como os outros acham que devem
ser felizes.”
Assim é que vemos gente entediada desfilando em veículos elegantes, não que esteja procurando oportunidades de fazer qualquer contribuição à sociedade, mas pondo-se à vista para que outras pessoas a admirem. O orgulho não está em querer ser rico, mas em querer ser mais rico ainda do que o vizinho. Não é querer ser notado, mas querer ser o mais notado. Não é querer ter as coisas, mas querer ter mais coisas do que os outros.
O HOMEM ADORA A SI PRÓPRIO
O homem recusou a revelação feita pela Bíblia a respeito
do Deus verdadeiro e vivo de seus pais, e pôs em Seu lugar os deuses de sua
própria fabricação. Na realidade, o homem moderno resolveu destronar Deus e
entronizar a si próprio com toda a sua glória nuclear. Muitos intelectuais
passaram a crer que a mente humana poderá compreender tudo, com o tempo, e
Kintner declara: “O resumo desse ponto de vista é desenvolvido nos doutrinas de
Marx, Engels e Lenine.” E, como diz Carl Henry, “em seu desejo de controlar o
universo o homem reiteradamente se coloca no lugar de Deus, mas a idéia do
Filho de Deus tomando o lugar do homem é por ele recusada como insensatez
inacreditável”.
Desse modo, o homem atirou para um lado as divindades
pagãs das civilizações anteriores, tais como o sol, a lua, o fogo, a água e os
animais – bem como o Deus vivo. Hoje em dia, adora a si próprio.
De muitas salas de aula em universidades vêm as
conclusões seguintes:
Em primeiro lugar, o homem é somente um animal.
Em segundo, a existência é um acidente químico.
Em terceiro, a luta pela sobrevivência tornou o homem o
que ele é.
Em quarto, a moralidade e os padrões de conduta são
extraídos somente de um contexto sociológico.
Em quinto, o homem vive neste e para este mundo, apenas,
e qualquer outra opinião a respeito é anticientífica.
Em conseqüência dessas premissas, o fracasso do homem em lidar com seu novo mundo trouxe a futilidade e o pessimismo a todas as áreas de sua vida. Desapareceu a alegria de viver. A sensação maravilhosa de estar vivo, o rosto radioso, o sorriso de satisfação e a emoção sentimental afastaram-se de nós. Desde que transformamos o homem em deus, os nossos olhos não se erguem mais para o céu, mas voltam-se para dentro, deturpando a visão de todo o nosso mundo.
AS PEQUENAS DIVINDADES FALHARAM
O homem não aceita mais os padrões de comportamento
pregados em nossos ensinamentos bíblicos. Tomamo-nos pragmatistas, contentados
com a ética existencial e situacional. Não mais nos preocupamos em fazer o que
é certo, mas sim em ajustar-nos e dar-nos uns com os outros. Estamos perdendo o
equilíbrio moral. Os Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Europa ocidental
estão-se tornando nações de gente sentada, acocorada, sem iniciativa e
descontente, farta e aborrecida com todas as bobagens que lhe foram entregues.
Quer o compreendam, quer não, estão todos fartos e cansados dos deuses feitos
pelo homem. As pequenas divindades falharam inteiramente. A alegria, a paz, a
segurança, e a felicidade que deviam ter trazido não existem.
Até uma leitura apressada da Bíblia ter-lhes-ia ensinado
que essas pequenas divindades fracassariam. Dizem as Escrituras: “Não vos
virareis para os ídolos, nem vos fareis deuses de fundição… Eu sou o Senhor
vosso Deus” (Levítico 19:4). Trata-se de um aviso, de um desafio feito pelo
Deus verdadeiro e vivo. Na verdade, a Bíblia ensina no Salmo 59:8 que Deus ri
quando olha para esses pequeninos deuses de nossa própria fabricação.
O Apóstolo Paulo nos preveniu para que não
transformássemos a verdade de Deus numa mentira (Romanos 1:25). Preveniu-nos
também de que não devemos adorar e servir a criatura mais do que ao Criador. No
entanto, é precisamente isso o que tem acontecido em grande parte do mundo
ocidental. A Bíblia avisa que os “idólatras… não herdarão o reino de Deus” (I
Coríntios 6:9, 10). O Apóstolo João escreveu: “Filhinhos, guardai-vos dos
ídolos” (I João 5:21). Mais adiante, é ele quem avisa: “Os idólatras… a parte
que lhes cabe será no lago que arde com rogo e enxofre, a saber, a segunda
marta” (Apocalipse 21:8).
Aos olhos de Deus a idolatria constitui pecado grave.
“Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20:3). O juízo incidirá sobre
todos os idólatras. Milhões de norte-americanos são culpados de idolatria e
muitos deles freqüentam as igrejas, servindo a Deus com os lábios enquanto os
seus corações se colocam bem longe dEle. São mais culpados de idolatria do que
o selvagem que na floresta se prostra diante de uma imagem que fez com as
próprias mãos.
Em todas as Escrituras Deus insiste com o povo para que
“volte”. Quando a cidade de Nínive cometera suas imoralidades e passara a
servir a outros deuses, Jonas foi enviado para avisar seu povo. Pregou o
arrependimento nas ruas, e o povo se arrependeu, sendo poupado ao juízo de
Deus. Não é tarde demais para que nos arrependamos. Ainda há tempo.
Extraído do livro MUNDO EM CHAMAS, BILLY GRAHAM
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