A Bíblia é a Palavra de Deus revelada aos homens por meio
de homens que serviram de instrumento à Sua vontade, pelo Seu Espírito Santo. É
uma biblioteca composta de 66 livros (39 no Antigo e 27 no Novo Testamento)
que, no decorrer da Idade Média, sofreu duras perseguições da Igreja Católica.
Em 1211, por exemplo, o bispo de Metz lamenta-va-se com o Papa Inocêncio III da
existência de círculos de leigos, que à revelia das autoridades eclesiásticas
liam as Escrituras; em 1229, o Sínodo de Toulouse proibiu a leitura de suas
traduções; em 1234, o Sínodo de Tarragona ordenou o confisco de todas as
traduções espanholas e mandou lançá-las na fogueira.
Katarina J. H. Paster, notável escritora, traduziu um documento que se acha arquivado na Biblioteca Nacional de Paris, fl. B, número 1088, vol. 2, páginas 641 e 650, documento esse que
contém conselho dado ao Papa Júlio III pelos cardeais, na ocasião de sua eleição, em 1550. (O mesmo papa que conseguiu trazer o catolicismo de volta à Inglaterra, por pouco tempo, através da rainha católica Maria Tudor, a Sanguinária.)De todos os conselhos que podemos
oferecer à sua santidade, temos guardado o mais importante para o último. Temos
de abrir bem os nossos olhos e exercitar toda a força possível no assunto, a
saber: permitir a leitura do Evangelho o menos possível, especialmente na
língua comum, em todos os países que estão abaixo de vossa jurisdição. Que seja
o suficiente o muito pouco que é lido na missa; e não permitir que seja lido
mais. Enquanto o povo se contentar com esse pouco, nossos interesses
prosperarão, mas, logo que o povo tiver vontade de ler mais, os nossos
interesses começarão a falhar. Este é o livro [a Bíblia] que mais do que
qualquer outro tem levantado contra nós barulhos e tempestades pelos quais
estamos quase perdidos. O fato é que, se qualquer pessoa examinar
diligentemente e fizer comparações do ensino bíblico com o que se passa em
nossas igrejas, logo achará discórdia e verá que o nosso ensino é muitas vezes
diferente dele, e ainda mais vezes contrário a ele (…).
Em 1559, já se encontrava
uma cláusula junto à menção de várias edições da Bíblia, no índex dos Livros Proibidos, promulgada por Paulo
IV: “Não se pode ler, imprimir ou possuir sem licença do Santo Ofício as
edições da Bíblia em língua vulgar.” Em 1664, era proibida “qualquer Bíblia
traduzida em vernáculo” (revista católica Angelicum, 1947,
volume XXIV, páginas 147-158, onde consta o artigo: “La chiesa e la versione
delia Scritura in lingua volgare”, da autoria de P. G. Duncker).” Há ainda um
xingamento que em nada diminui o valor das Escrituras, regra de fé, orientação
e prática dos cristãos genuínos; antes, pelo contrário, valoriza-as e mostra
quanto o catolicismo está distante dos ensinamentos de Jesus: o Papa Leão XII,
na Encíclica Ubi Primum, de 5 de maio de
1824, chama de pestes as Sociedades Bíblicas,
por divulgarem, sem nenhuma censura, os Ensinos Sagrados, conforme a vontade do
Espírito Santo na ministração de Jesus e dos homens por ele inspirados.
Para reprimir a petulância, a
fim de que ninguém, movido pela sua própria consciência nas coisas relativas à
fé e aos costumes pertencentes à edificação das doutrinas cristãs (…) [quando
ele diz cristãs, refere-se ao catolicismo] torça para o seu modo de entender a
Sagrada Escritura, contrariando o sentido aceito pela Santa Madre Igreja, a
quem cabe julgar o verdadeiro sentido e a verdadeira interpretação das Sagradas
Escrituras, ou contrariando o unânime consenso dos padres. (Concílio de Trento, Sessão IV, de 8 de abril de 1546).
Esse é outro testemunho de
que a Bíblia contraria grandemente aquilo que ensina o catolicismo.74 Dizem-se representantes de Pedro, e no
entanto contestam por completo o que ele deixou escrito: “(…) sabendo
primeiramente isto: nenhuma profecia da Escritura é de particular
interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade dos homens,
mas os homens da parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo” (2Pe
1.20,21). Deus deixou meios para que cada um de nós se aproprie,
individualmente, de Seus ensinamentos, porque: “Então Pedro, tomando a palavra,
disse: Na verdade reconheço que Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34).
Para Deus todos são iguais, todos são criaturas que podem tornar-se seus filhos
por meio de Jesus Cristo (João 3.1)
A Bíblia é a Palavra de Deus revelada ao homem. Todas as
doutrinas cristãs baseiam-se nessa revelação; ela é o registro fiel dessa
revelação de Deus; é o código autorizado em tudo o que concerne à nossa fé e
prática religiosa; é inspiração, isto é, a direção divina sobre os homens que a
escreveram, porta-voz de Sua vontade, é Deus falando ao homem o que ele quer de
cada um. A Bíblia é um livro que foi escrito por mais de 40 pessoas, no curso
de mais de 1.000 anos; apesar das perseguições, chegou até nós preservada pela
própria vontade de Deus, e encerra o suficiente, de forma pura e harmoniosa, para
a salvação e edificação, isto é, para o crescimento espiritual de todos os que
aderem com sinceridade de coração aos seus ensinamentos.
A Bíblia ensina história, embora não seja esse o seu fim;
ensina ciência, arte, medicina, construção etc, mas é um livro essencialmente
espiritual. Nos livros de Jó e de Isaías, ela menciona a “redondeza” da Terra,
enquanto os homens pensaram o contrário por séculos a fio. Se os padres
conhecessem o seu conteúdo, não teriam condenado tanta gente à fogueira, nem o
grande Galileu, de Pisa. Certos textos bíblicos, que por algum tempo foram
postos em dúvida, como a existência do Rei Sargão, foram esclarecidos por
descobertas arqueológicas que vão confirmando o que se registra na Bíblia, sem
nenhuma incoerência. E, se alguém não concorda com o que ela diz, a mudança
acontecerá fatalmente — com o discordante, e não com ela.
Conta-se que ao tempo dos “enciclopedistas” do século
XVIII, época em que o ateísmo tomou grande vulto, alguém sugeriu que se
escrevesse sobre a Bíblia, numa tentativa de “desmoralizá-la”; logo apareceram
mais de 50 trabalhos apontando contradições e incoerências. Hoje
desmoralizadas, dizem que tais obras estão mofando no Museu do Louvre.
Por que a Igreja Católica se afastou tanto dos
ensinamentos da Escrituras? Por que dão mais valor à Patrística, aos ensinamentos
dos homens do que aos ensinamentos de Deus? Será que não leram “Maldito o varão
que confia no homem (…)”? (Jr 17.5). Por que confiar mais na tradição do que
naquilo que Jesus ensinou? A Bíblia chama de amigo “aquele que faz a vontade de
Jesus”. Gostaríamos de ser chamados de seus inimigos? Maldito o que modificar e
ensinar erroneamente a doutrina cristã, como diz o último capítulo de
Apocalipse Gostaríamos de ouvir nosso Salvador nos chamar de malditos? de
ouvi-lo dizer: “Apartai-vos de mim (…)”?
Tudo isso aconteceu porque todo afastamento dos
princípios do Novo Testamento, por menor que seja, é sempre um desvio; esse
desvio, como sabemos, começou com os judaizantes e prosseguiu com o batismo de
crianças e, mais tarde, com a regeneração pelo batismo, com a oficialização da
religião, como no paganismo — coisas mínimas como parecem e que, não obstante,
causam grandes transtornos. Depois, como veremos, a hierarquia foi ganhando
impulso, os poderes seculares, que atraíam incrédulos, compravam por dinheiro a
chefia da Igreja e a peso de ouro os cargos rentáveis. Papas devassos,
simoníacos, embriagados pelo poder, que queriam, como Inocêncio III, ser o
próprio Deus, “Senhor Deus, o Papa”; três papas “bonzinhos” incluídos no
“Inferno” de Dante; papas como Sisto, “o que não perdoaria nem a Cristo”; tudo
isto será discutido no capítulo 17.
Estaremos escrevendo isso porque somos seus inimigos?
Não! Nunca seremos inimigos dos padres, das freiras, dos bispos, dos monges,
dos sacerdotes ou dos leigos. Oramos por eles, por todos os católicos que vivem
distanciados dos ensinamentos de Jesus. Nós não os condenamos, absolutamente. É
a Bíblia que condena tais desvios. Jesus disse: “Eu sou o caminho, e a verdade
e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6); “(…) nenhuma condenação
há para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1); “Porque Deus enviou o seu Filho
ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por
ele” (Jo 3.17). É preciso que saibamos o que Jesus quer de nós para que
possamos fazer a Sua vontade.
Felizmente, hoje, o povo tem a Bíblia ao alcance da mão.
Não se pode escamotear, não se pode sofismar. O povo está tendo discernimento e
sabendo escolher, optando pelos Evangelhos. Pessoas convertem-se em todo o
mundo. Na Coreia há uma igreja pentecostal, dividida em grupos, que tem
arrolados quase 300 mil membros. As igrejas evangélicas vêm ganhando terreno na
Indonésia, na índia, na África de um modo geral, no Chile e em toda a América.
Na China comunista calcula-se em 100 milhões o número de evangélicos. Há pouco
tempo, na índia, em um só dia, uma igreja batista batizou 20 mil pessoas. No
Brasil, o crescimento é espantoso, exigindo “providências urgentes da
Conferência Nacional de Bispos”. Só no município de Nova Iguaçu, RJ, existem
mais de mil igrejas e congregações evangélicas.
Os líderes católicos de
todo o mundo sabem que sua Igreja está em processo de esvaziamento, que é
enorme o número de pessoas que estão aceitando o verdadeiro batismo, o batismo
de imersão, e não tomam providências. As providências seriam a volta do ensino
bíblico, o fim dos escândalos de todo género, que envolvem sacerdotes no mundo
inteiro, o fim do simonismo, do comércio secular no próprio Vaticano, das
fraudes bancárias, dos roubos e falcatruas, das mentiras e enganos. Em anúncio
oficial de viagem do papa aos Estados Unidos, declarou-se pretender ele falar
sobre padres homossexuais e sobre abusos que causaram um rombo de 400 milhões
de dólares nos cofres da Igreja Católica.
O ecumenismo pregado pela Igreja Católica recebeu um
grande impulso nas décadas de 60 e 70. Muitos padres até retiraram alguns
ídolos de suas igrejas, enchendo de esperança os menos avisados. Depois se
verificou que o catolicismo não quer dar nada em troca. Prega um ecumenismo por
meio do qual possa atrair evangélicos e protestantes. Na verdade, um grupo
destes chegou a aceitar o batismo católico de aspersão. É o grupo dos que, na
realidade, jamais abdicaram do que é católico, com exceção da autoridade do
papa, que não aceitam. Mas existe um grupo fiel que não se deixou enganar;
preferiu nunca trair o seu Salvador, Jesus, e ele não admite hierarquia entre
os homens. Como já foi dito: “(…) Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34);
“Portanto, quem se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino
dos céus” (Mt 18.4); e ainda: “Mas o maior dentre vós há de ser vosso servo.
Qualquer, pois, que a si mesmo se exaltar, será humilhado; e qualquer que a si
mesmo se humilhar, será exaltado” (Mt 23.11,12).
Cremos que será sempre melhor ficar com a Palavra de Deus
do que com a palavra dos homens.
Extraído do livro “O Catolicismo Romano Através dos
Tempos”, Ed. JUERP
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