SEJA BEM VINDO EM NOME DE JESUS.

quarta-feira, 27 de julho de 2022

João 3:16

 

É o versículo mais conhecido, o evangelho esta contido neste versículo, a essência do evangelho e resumo do evangelho, evangelho compactado, João 3:16 Lutero chamou de “mini evangelho”.

Podemos evangelizar um pecador somente falando deste versículo, falando do amor de Deus.

 A lei nos mostra que precisamos de um salvador, então neste versículo vamos entender o amor.

Neste versículo temos uma grande promessa de Deus para nós e não tem coisa melhor neste mundo do que o amor de Deus por nós, certo?

Em João 3:16 ensina para nós pecadores que Deus nos amou, vamos ver a extensão do amor de Deus, através deste versículo.

Qual foi a extensão deste amor

Onde esse amor alcançou, até onde esse amor pode chegar, quais barreiras e fronteiras esse amor alcança João 3:16 mostra a distância, extensão a longitude quando ele diz “Deus amou o mundo”.

Deus ama, vamos ver até onde esse amor pode chegar, qual o alcance deste amor, Deus amou o mundo, todas as criaturas, todos os continentes, todos os vilarejos, todos os povos, todas as etnias, todas as raças, Deus não faz acepção de pessoas. O amor de Deus alcança todos os homens em todas as épocas, todas as culturas de todos os reinos.

Profundidade 

“Deus amou o mundo de tal maneira“ tão profunda que podemos falar também que é incompreensível este amor de Deus por nós, não conseguimos compreender. Quando Ele fala “de tal maneira”, Ele não amou somente os anjos, a trindade, Ele amou os animais, assassinos, prostitutas, drogados, serial killers, amou psicopatas, é um amor incondicional. Ele amou sem que tivéssemos bondade, justiça, beleza, algumas obras, foi de tal maneira, foi tão profundo que nós não conseguimos explicar.

Tanto como um bebe Ele amou um assassino de tal maneira, fala para nós que este amor alcançou todos os homens. Homens de todos os tipos, de todas as espécies, com todos os pecados. Olha a profundidade, fala para nós para termos esperança um ser corrupto, mal, pecador como eu e você podemos ter esperança no amor de Deus para com ser humano. O amor de Deus alcança todas as criaturas, não importa o que fazemos, mesmo que Ele não aprove, o amor Dele por nós continua.

Prova deste amor

Como podemos afirma que Deus nos ama deste jeito, você não me conhece, você não sabe quem eu sou, você não sabe o que eu fiz, qual é a prova que Ele alcançou todos nós? Qual prova que Ele me ama deste jeito? Mesmo eu sendo quem sou, é o que diz em João 3:16 “Que Deus deu Seu Filho unigênito” a prova desde amor está em Jerusalém há 2000 anos, o Filho de Deus foi esmagado na cruz, foi preso como um criminoso, sentenciado como bandido, cravaram-lhe uma coroa de espinho, furaram-lhe as mãos e os pés, foi despido na cruz, uma lança perfurou o Seu lado, todo pecada da humanidade caiu sobre Ele. A prova deste amor é que Ele entregou o Filho Dele em nosso lugar, nós que tínhamos que ter morrido, nós que tínhamos que ter pago a pena, nós que tínhamos que ser enviado ao inferno, a prova que Ele nos ama, foi o que Ele fez com Seu Filho, a prova deste amor foi o sacrifício que Deus ofereceu, por mim e por você, que somos pecadores.

O amor Dele me alcançou sim, Ele me amou mesmo sendo como eu sou, sim, creia nesta promessa.

As  consequências deste amor

João 3:16 “Para aquele que crer não pereça”

- 1ª consequência - Este amor te deu um livramento, te livrou da condenação, te livrou da ira Divina, te livrou do inferno, João 3:16 diz “para quem crer não pereça”. Este amor nos livra do lago de fogo, nos livra da justa condenação, este amor é tão grande, que trouxe a consequência, o livramento da condenação eterna que estava sobre nós, livramento do juízo final, livramento do lago que arde como enxofre. Veja a expressão de Deus só neste versículo, a ira de Deus é apaziguada, nós passamos da morte para a vida, não podemos mais sermos condenado.

- 2ª consequência – João 3:16 “Mas tem a vida eterna”, dádiva, nós recebemos um livramento com esse amor, sabe porque? Se Deus só tivesse nos livrasse do inferno, esta bom, nós não seriamos condenados para o inferno, nós não poderíamos ir morar com Ele na Nova Jerusalém. Não há mérito em nós, mas, naquela cruz, o mérito que estava sobre Cristo, a santidade de Cristo, a obediência de Cristo, a justiça de Cristo, foi transferida para nós, e este amor é tão grande, pegou a justiça Dele e depositou na nossa conta, para que agora nós podemos ter uma dádiva, herdar a vida eterna. Esse amor é tão grande que nos presenteou gratuitamente com a eternidade na Nova Jerusalém. Deus nos ama tanto que Ele nos colocou na Nova Jerusalém sem nós merecermos. Ele nos colocou na Nova Jerusalém sem ter que pagar nem um centavo por isso, este amor é tão grande, Ele nos dá uma dádiva chamada, vida eterna.

Por: Pr Paulo Junior


quarta-feira, 25 de maio de 2022

Deus ouvi e aprova todas as nossas orações


Sua Palavra, a Escritura Sagrada, nos incentiva a falar com ele sobre qualquer coisa que nos preocupe.

No entanto, Deus não aprova todas as orações. Vou expor duas razões pela quais a oração não é atendida, pecado e falta de perdão. O que Jesus nos diz sobre a consequência da falta de perdão, vamos ver em Mateus 6:14, que diz “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas,também vosso Pai celestial vos perdoará a vós.”

Vamos ver algumas passagens da Sua Palavra, nos mostrando que Ele não ouvi. 

Mateus 6:7. “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que, por muito falarem, serão ouvidos.”

Também, Deus não gosta de orações de pessoas que intencionalmente desrespeitam Sua lei. 

Veja o que diz em Provérbios 28:9 “O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominável.” 

Por exemplo, nos tempos bíblicos, Deus se recusava a ouvir qualquer israelita que fosse culpado de assassinato. Isaias 1:15 diz “Pelo que, quando estendeis as mãos, escondo de vós os olhos; sim, quando multiplicais as vossas orações, não as ouço, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.”

Isaias 59: “1 - Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem o seu ouvido, agravado, para não poder ouvir. 2 - Mas as vossas iniquidades fazem divisão entre vós e o vosso Deus, e os vossos pecados encobrem o Seu rosto de vós, para que vos não ouça.”

O que devemos fazer para Deus ouvir a nossa oração? 

O pré-conhecimento de Deus é um fator importante, em Suas respostas à oração.

Não podemos orar a Deus se não tivermos fé.

Precisamos estar convencidos de que Ele existe e que se importa conosco. As vezes oramos, mas não temos uma resposta de Deus, isso não quer dizer que Ele não esta importando com você, pode não está na hora certa.

Podemos fortalecer nossa fé estudando a Escritura Sagrada, pois a verdadeira fé é baseada em evidências e garantias encontradas na Palavra de Deus. 

Devemos ser sinceros e humildes ao orar.

Até mesmo o Filho de Deus, Jesus, era humilde em suas orações.

Por isso, em vez de dizer a Deus o que fazer, devemos tentar entender seus requisitos por ler a Sua Palavra.

O que diz em Lucas 22:41 vamos o que Jesus falou “dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a Tua.”

Só então podemos orar em harmonia com a vontade de Deus. 

I João 5:14 “E esta é a confiança que temos nele: que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.”


Ouvir e praticar a Palavra de Deus


Tiago 1:22 a 25

"22 E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos.
23 Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural;
24 Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era.
25 Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade, e nisso persevera, não sendo ouvinte negligente, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito."

Não basta apenas aprender a verdade (ouvindo), você deve colocá-la em prática

O que seria cumpridores da Palavra, aquele que conhece por ouvir, ler ou ministrar e praticar.

Ler também é cumprir a Palavra, digo isso porque, lendo você vai aprofundar nela e se preparar para obra.  Tive entendimento lendo 4 vezes ....

A pratica envolve muitas coisas, por exemplo, o IDE, falar de Deus para as pessoas próximas, evangelizar (não tenha medo por achar que não está preparado, Deus te capacitara se seu coração estiver envolvido)

Todos nos temos um chamado, veja o que diz em Efésios 4:10 a 12 10 Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. 11 E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, 12 Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;

Veja que Jesus nos deu um dom, exerça este dom, assim você está cumprindo a Palavra e não somente ouvinte.

Quanto aos dons que Jesus deu a cada um, caso queira pode apanhar com a missionário Rosa Patrícia na radio um estudo sobre os dons que enviei a ela ou pesa pelo meu e-mail que te envio e posso te ajudar a entender o seu dom caso tenha duvida. Nele eu coloco alguns pontos que vai te ajudar a entender e saber qual é o seu dom.

A fé sem obras é morta, em Tiago 2:26 diz “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta.”

Cuidado quando fala de obra, cuidado, a obra que temos que fazer é a que Deus nos deu.

Mateus 7:22 diz  22 Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.

João 17: 3 e 4   3 E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. 4 Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.

Nós não podemos ficar só ouvindo e não praticar faça como Jesus nos ensina. 

sábado, 16 de abril de 2022

O Vinho nos Tempos do Novo Testamento


Lucas 7.33,34 “Porque veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Tem demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores.”

 

VINHO: FERMENTADO OU NÃO FERMENTADO?

 

Segue-se um exame da palavra bíblica mais comumente usada para vinho. A palavra grega para “vinho”, em Lc 7.33, é oinos. Oinos pode referir-se a dois tipos bem diferentes de suco de uva: (1)suco não fermentado, e (2) vinho fermentado ou embriagante. Esta definição apoia-se nos dados abaixo.

 

(1) A palavra grega oinos era usada pelos autores seculares e religiosos, antes da era cristã e nos tempos da igreja primitiva, em referência ao suco fresco da uva (ver Aristóteles, Metereologica, 387.b.9-13). (a) Anacreontes (c. de 500 a.C.) escreve: “Esprema a uva, deixe sair o vinho [oinos]” (Ode 5). (b) Nicandro (século II a.C.) escreve a respeito de espremer uvas e chama de oinos o suco daí produzido (Georgica, fragmento 86). (c) Papias (60-130 d.C.), um dos pais da igreja primitiva, menciona que quando as uvas são espremidas produzem “jarros de vinho [oinos]” (citado por Ireneu, Contra as Heresias, 5.33.3–4). (d) Uma carta em grego escrita em papiro (P. Oxy. 729; 137 d.C.), fala de “vinho [oinos] fresco, do tanque de espremer” (ver Moulton e Milligan, The Vocabulary of the Greek Testament, p. 10). (e) Ateneu (200 d.C.) fala de um “vinho [oinos] doce”, que “não deixa pesada a cabeça” (Ateneu, Banquete, 1.54). Noutro lugar, escreve a respeito de um homem que colhia uvas “acima e abaixo, pegando vinho [oinos] no campo” (1.54). Para considerações mais pormenorizadas sobre o uso de oinos pelos escritores antigos, ver Robert P. Teachout: “O Emprego da Palavra ‘Vinho’ no Antigo Testamento”. (Dissertação de Th.D. no Seminário Teológico de Dallas, 1979).

 

(2) Os eruditos judeus que traduziram o AT do hebraico para o grego c. de 200 a.C. empregaram a palavra oinos para traduzir várias palavras hebraicas que significam vinho (ver o estudo VINHO NOS TEMPOS DO ANTIGO TESTAMENTO). Noutras palavras, os escritores do NT entendiam que oinos pode referir-se ao suco de uva, com ou sem fermentação.

 

(3) Quanto a literatura grega secular e religiosa, um exame de trechos do NT também revela que oinos pode significar vinho fermentado, ou não fermentado. Em Ef 5.18, o mandamento: “não vos embriagueis com vinho [oinos]” refere-se ao vinho alcoólico. Por outro lado, em Ap 19.15 Cristo é descrito pisando o lagar. O texto grego diz: “Ele pisa o lagar do vinho [oinos]”; o oinos que sai do lagar é suco de uva (ver Is 16.10 nota; Jr 48.32,33 nota). Em Ap 6.6, oinos refere-se às uvas da videira como uma safra que não deve ser destruída. Logo, para os crentes dos tempos do NT, “vinho” (oinos) era uma palavra genérica que podia ser usada para duas bebidas distintivamente diferentes, extraídas da uva: o vinho fermentado e o não fermentado.

 

(4) Finalmente, os escritores romanos antigos explicam com detalhes vários processos usados para tratar o suco de uva recém-espremido, especialmente as maneiras de evitar sua fermentação. (a) Columela (Da Agricultura, 12.29), sabendo que o suco de uva não fermenta quando mantido frio (abaixo de 10 graus C.) e livre de oxigênio, escreve da seguinte maneira: “Para que o suco de uva sempre permaneça tão doce como quando produzido, siga estas instruções: Depois de aplicar a prensa às uvas, separe o mosto mais novo [i.e., suco fresco], coloque-o num vasilhame (amphora) novo, tampe-o bem e revista-o muito cuidadosamente com piche para não deixar a mínima gota de água entrar; em seguida, mergulhe-o numa cisterna ou tanque de água fria, e não deixe nenhuma parte da ânfora ficar acima da superfície. Tire a ânfora depois de quarenta dias. O suco permanecerá doce durante um ano” (ver também Columela: Agricultura e Árvores; Catão: Da Agricultura). O escritor romano Plínio (século I d.C.) escreve: “Tão logo tiram o mosto [suco de uva] do lagar, colocam-no em tonéis, deixam estes submersos na água até passar a primeira metade do inverno, quando o tempo frio se instala” (Plínio, História Natural, 14.11.83). Este método deve ter funcionado bem na terra de Israel (ver Dt 8.7; 11.11,12; Sl 65.9-13). (b) Outro método de impedir a fermentação das uvas é fervê-las e fazer um xarope (para mais detalhes, ver o estudo O VINHO NOS TEMPOS DO NOVO TESTAMENTO (2)). Historiadores antigos chamavam esse produto de “vinho” (oinos). O Cônego Farrar (Smith’s Bible Dictionary, p. 747) declara que “os vinhos assemelhavam-se mais a xarope; muitos deles não eram embriagantes”. Ainda, O Novo Dicionário da Bíblia , observa que “sempre havia meios de conservar doce o vinho durante o ano inteiro”.

 

O USO DO VINHO NA CEIA DO SENHOR.

Jesus usou uma bebida fermentada ou não fermentada de uvas, ao instituir a Ceia do Senhor (Mt 26.26-29; Mc 14.22-25; Lc 22.17-20; 1Co 11.23-26)? Os dados abaixo levam à conclusão de que Jesus e seus discípulos beberam no dito ato suco de uva não fermentado.

 

(1) Nem Lucas nem qualquer outro escritor bíblico emprega a palavra “vinho” (gr. oinos) no tocante à Ceia do Senhor. Os escritores dos três primeiros Evangelhos empregam a expressão “fruto da vide” (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.18). O vinho não fermentado é o único “fruto da vide” verdadeiramente natural, contendo aproximadamente 20% de açúcar e nenhum álcool. A fermentação destrói boa parte do açúcar e altera aquilo que a videira produz. O vinho fermentado não é produzido pela videira.

 

(2) Jesus instituiu a Ceia do Senhor quando Ele e seus discípulos estavam celebrando a Páscoa. A lei da Páscoa em Êx 12.14-20 proibia, durante a semana daquele evento, a presença de seor (Êx 12.15), palavra hebraica para fermento ou qualquer agente fermentador. Seor, no mundo antigo, era frequentemente obtido da espuma espessa da superfície do vinho quando em fermentação. Além disso, todo o hametz (i.e., qualquer coisa fermentada) era proibido (Êx 12.19; 13.7). Deus dera essas leis porque a fermentação simbolizava a corrupção e o pecado (cf. Mt 16.6,12; 1Co 5.7,8). Jesus, o Filho de Deus, cumpriu a lei em todas as suas exigências (Mt 5.17). Logo, teria cumprido a lei de Deus para a Páscoa, e não teria usado vinho fermentado.

 

(3) Um intenso debate perpassa os séculos entre os rabinos e estudiosos judaicos sobre a proibição ou não dos derivados fermentados da videira durante a Páscoa. Aqueles que sustentam uma interpretação mais rigorosa e literal das Escrituras hebraicas, especialmente Êx 13.7, declaram que nenhum vinho fermentado devia ser usado nessa ocasião.

 

(4) Certos documentos judaicos afirmam que o uso do vinho não fermentado na Páscoa era comum nos tempos do NT. Por exemplo: “Segundo os Evangelhos Sinóticos, parece que no entardecer da quinta-feira da última semana de vida aqui, Jesus entrou com seus discípulos em Jerusalém, para com eles comer a Páscoa na cidade santa; neste caso, o pão e o vinho do culto de Santa Ceia instituído naquela ocasião por Ele, como memorial, seria o pão asmo e o vinho não fermentado do culto Seder” (ver “Jesus”. The Jewish Encyclopaedia, edição de 1904. V.165).

 

(5) No AT, bebidas fermentadas nunca deviam ser usadas na casa de Deus, e um sacerdote não podia chegar-se a Deus em adoração se tomasse bebida embriagante (Lv 10.9 nota). Jesus Cristo foi o Sumo Sacerdote de Deus do novo concerto, e chegou-se a Deus em favor do seu povo (Hb 3.1; 5.1-10).

 

(6) O valor de um símbolo se determina pela sua capacidade de conceituar a realidade espiritual. Logo, assim como o pão representava o corpo puro de Cristo e tinha que ser pão asmo (i.e., sem a corrupção da fermentação), o fruto da vide, representando o sangue não corruptível de Cristo, seria melhor representado por suco de uva não fermentado (cf. 1Pe 1.18,19). Uma vez que as Escrituras declaram explicitamente que o corpo e sangue de Cristo não experimentaram corrupção (Sl 16.10; At 2.27; 13.37), esses dois elementos são corretamente simbolizados por aquilo que não é corrompido nem fermentado.

 

(7) Paulo determinou que os coríntios tirassem dentre eles o fermento espiritual, i.e., o agente fermentador “da maldade e da malícia”, porque Cristo é a nossa Páscoa (1Co 5.6-8). Seria contraditório usar na Ceia do Senhor um símbolo da maldade, i.e., algo contendo levedura ou fermento, se considerarmos os objetivos dessa ordenança do Senhor, bem como as exigências bíblicas para dela participarmos.

O VINHO: MISTURADO OU INTEGRAL?

Os dados históricos sobre o preparo e uso do vinho pelos judeus e por outras nações no mundo bíblico mostram que o vinho era: (a) frequentemente não fermentado; e (b) em geral misturado com água. O estudo anterior O VINHO NOS TEMPOS DO NOVO TESTAMENTO, aborda um dos processos usados para manter o suco da uva fresco em estado doce e sem fermentação. O presente estudo menciona dois outros processos de preparação da uva para posteriormente ser misturada com água.

 

(1) Um dos métodos era desidratar as uvas, borrifá-las com azeite para mantê-las úmidas e guardá-las em jarras de cerâmica (Enciclopédia Bíblica Ilustrada de Zondervan, V. 882; ver também Columella, Sobre a Agricultura 12.44.1-8). Em qualquer ocasião, podia-se fazer uma bebida muito doce de uvas assim conservadas. Punha-se lhes água e deixava-as de molho ou na fervura. Políbio afirmou que as mulheres romanas podiam beber desse tipo de refresco de uva, mas que eram proibidas de beber vinho fermentado (ver Políbio, Fragmentos, 6.4; cf. Plínio, História Natural, 14.11.81).

 

(2) Outro método era ferver suco de uva fresco até se tornar em pasta ou xarope grosso (mel de uvas); este processo deixava-o em condições de ser armazenado, ficando isento de qualquer propriedade inebriante por causa da alta concentração de açúcar, e conservava a sua doçura (ver Columella, Sobre a Agricultura, 12.19.1-6; 20.1-8; Plínio, História Natural, 14.11.80). Essa pasta ficava armazenada em jarras grandes ou odres. Podia ser usada como geleia para passar no pão, ou dissolvida em água para voltar ao estado de suco de uva (Enciclopédia Bíblica Ilustrada, de Zondervan, V. 882-884). É provável que a uva fosse muito cultivada para produção de açúcar. O suco extraído no lagar era engrossado pela fervura até tornar-se em líquido conhecido como “mel de uvas” (Enciclopédia Geral Internacional da Bíblia, V. 3050). Referências ao mel na Bíblia frequentemente indicam o mel de uva (chamado debash pelos judeus), em vez do mel de abelha.

 

(3) A água, portanto, pode ser adicionada a uvas desidratadas, ao xarope de uvas e ao vinho fermentado. Autores gregos e romanos citavam várias proporções de mistura adotadas. Homero (Odisséia, IX 208ss.) menciona uma proporção de vinte partes de água para uma parte de vinho. Plutarco (Symposíacas, III.ix) declara: “Chamamos vinho diluído, embora o maior componente seja a água”. Plínio (História Natural, XIV.6.54) menciona uma proporção de oito partes de água para uma de vinho.

 

(4) Entre os judeus dos tempos bíblicos, os costumes sociais e religiosos não permitiam o uso de vinho puro, fermentado ou não. O Talmude (uma obra judaica que trata das tradições do judaísmo entre 200 a.C. e 200 d.C.) fala, em vários trechos, da mistura de água com vinho (e.g., Shabbath 77a; Pesahim 1086). Certos rabinos insistiam que, se o vinho fermentado não fosse misturado com três partes de água, não podia ser abençoado e contaminaria quem o bebesse. Outros rabinos exigiam dez partes de água no vinho fermentado para poder ser consumido.

 

(5) Um texto interessante temos no livro de Apocalipse, quando um anjo, falando do “vinho da ira de Deus”, declara que ele será “não misturado”, i.e., totalmente puro (Ap 14.10). Foi assim expresso porque os leitores da época entendiam que as bebidas derivadas de uvas eram misturadas com água (ver Jo 2.3 notas).Em resumo, o tipo de vinho usado pelos judeus nos dias da Bíblia não era idêntico ao de hoje.

 

Tratava-se de 

 

(a) suco de uva recém-espremido;

(b) suco de uva assim conservado; 

(c)suco obtido de uva tipo passas;

(d) vinho de uva feito do seu xarope, misturado com água; e

(e) vinho velho, fermentado ou não, diluído em água, numa proporção de até 20 para 1. Se o vinho fermentado fosse servido não diluído, isso era considerado indelicadeza, contaminação e não podia ser abençoado pelos rabinos. À luz desses fatos, é ilícita a prática corrente de ingestão de bebidas alcoólicas com base no uso do “vinho” pelos judeus dos tempos bíblicos. Além disso, os cristãos dos dias bíblicos eram mais cautelosos do que os judeus quanto ao uso do vinho (ver Rm 14.21 nota; 1Ts 5.6 nota; 1Tm 3.3 nota; Tt 2.2 nota).

 

A GLÓRIA DE JESUS MANIFESTA ATRAVÉS DO VINHO.

Em Jo 2, vemos que Jesus transformou água em “vinho” nas bodas de Caná. Que tipo de vinho era esse? Conforme já vimos, podia ser fermentado ou não, concentrado ou diluído. A resposta deve ser determinada pelos fatos contextuais e pela probabilidade moral. A posição desta Bíblia de Estudo é que Jesus fez vinho (oinos) suco de uva integral e sem fermentação. Os dados que se seguem apresentam fortes razões para rejeição da opinião de que Jesus fez vinho embriagante.

 

(1) O objetivo primordial desse milagre foi manifestar a sua glória (2.11), de modo a despertar fé pessoal e a confiança em Jesus como o Filho de Deus, santo e justo, que veio salvar o seu povo do pecado (2.11; cf. Mt 1.21). Sugerir que Cristo manifestou a sua divindade como o Filho Unigênito do Pai (1.14), mediante a criação milagrosa de inúmeros litros de vinho embriagante para uma festa de bebedeiras (2.10 nota; onde subentende-se que os convidados já tinham bebido muito), e que tal milagre era extremamente importante para sua missão messiânica, requer um grau de desrespeito, e poucos se atreveriam a tanto. Será, porém, um testemunho da honra de Deus, e da honra e glória de Cristo, crer que Ele criou sobrenaturalmente o mesmo suco de uva que Deus produz anualmente através da ordem natural criada (ver 2.3 nota). Portanto, esse milagre destaca a soberania de Deus no mundo natural, tornando-se um símbolo de Cristo para transformar espiritualmente pecadores em filhos de Deus (3.1-15). Devido a esse milagre, vemos a glória de Cristo “como a glória do Unigênito do Pai” (1.14; cf. 2.11).

 

(2) Contraria a revelação bíblica quanto a perfeita obediência de Cristo a seu Pai celestial (cf. 4.34; Fp 2.8,9) supor que Ele desobedeceu ao mandamento moral do Pai: “Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho… e se escoa suavemente”, i.e., quando é fermentado (Pv 23.31). Cristo por certo sancionou os textos bíblicos que condenam o vinho embriagante como escarnecedor e alvoroçador (Pv 20.1), bem como as palavras de Hc 2.15: “Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro!… e o embebedas” (cf. Lv 10.8-11; Pv 31.4-7; Is 28.7; Rm 14.21).

 

(3) Note, ainda, o seguinte testemunho da medicina moderna. 

 

(a) Os maiores médicos especialistas atuais em defeitos congênitos citam evidências comprovadas de que o consumo moderado de álcool danifica o sistema reprodutivo das mulheres jovens, provocando abortos e nascimentos de bebês com defeitos mentais e físicos incuráveis. Autoridades mundialmente conhecidas em embriologia precoce afirmam que as mulheres que bebem até mesmo quantidades moderadas de álcool, próximo ao tempo da concepção (c. 48 horas), podem lesar os cromossomos de um óvulo em fase de liberação, e daí causar sérios distúrbios no desenvolvimento mental e físico do nenê. 

 

(b) Seria teologicamente absurdo afirmar que Jesus haja servido bebidas alcoólicas, contribuindo para o seu uso. Afirmar que Ele não sabia dos terríveis efeitos em potencial que as bebidas inebriantes têm sobre os nascituros é questionar sua divindade, sabedoria e discernimento entre o bem e o mal. Afirmar que Ele sabia dos danos em potencial e dos resultados deformadores do álcool, e que, mesmo assim, promoveu e fomentou seu uso, é lançar dúvidas sobre a sua bondade, compaixão e seu amor.

A única conclusão racional, bíblica e teológica acertada é que o vinho que Cristo fez nas bodas, a fim de manifestar a sua glória, foi o suco puro e doce de uva, e não fermentado.