Para defender a crença errônea do aniquilacionismo,os
Tnetopsichitas ou Mortalistas conhecidos como Testemunhas De Jeová e
Adventistas Do Sétimo Dia,tem insistido por vários anos que a alma do homem
após a morte é aniquilada caso morra sem ser salva e se for salva fica em um
sono profundo até o dia da ressurreição ;e um dos versos usado para tentar
provar isso é o do evangelho de Lucas 23:43 que a Sociedade Torre De Vigia
traduziu da seguinte forma:
“Deveras, eu te digo hoje: Estarás comigo no Paraíso.(Lc
23:43) .
Essa tradução profana tem sido defendida pelos sectários com o argumento inútil de que no Códice Vaticano(B) datado do século IV há uma vírgula depois da palavra hoje e que isso indica que Jesus estava somente falando sobre a
Sexta-Feira dia da sua crucificação, que iria salvar o ex-ladrão ,porém, Jesus não dissera que o salvaria naquele presente dia.Seria isso verdade?Confira abaixo o Códice Vaticano(B):Século IV.
Esse argumento não tem fundamento algum,pois eles
desprezam no mínimo duas regras da crítica textual que são elas: Datação do
manuscrito e quantas ocorrências há da mesma palavra nos demais
manuscritos,pois só assim após haver uma averiguação minuciosa é que o crítico
decide qual o melhor texto e o tradutor se for fiel traduzirá de forma
coerente.
A seguir algumas notas de especialistas sobre o tal sinal
ou ponto no Códice:
O reputadíssimo crítico textual Bruce Metzger nada diz
sobre essa mancha.
A T Robertson diz:
[1] “O ponto no topo da linha (·) (stigmh teleia, ‘ponto
alto’) era um ponto final; aqueles sobre a linha (.) (upostigmh) era
equivalente ao nosso ponto e vírgula, enquanto um ponto médio (stigmh mesh) era
equivalente à nossa vírgula. Mas gradualmente surgiram mudanças sobre estas
pausas até que o ponto alto tornou-se equivalente aos nossos dois pontos, o
ponto baixo tornou-se um ponto final, e o ponto médio desapareceu, e por volta
do século IX dC a vírgula (,) tomou o seu lugar” (Robertson, Grammar, p. 242).
[2] Ver nota 1. No entanto, a pontuação em manuscritos
antigos, e particularmente no Codex Vaticanus, estava longe de ser consistente.
Por conseguinte, devemos admitir que é possível que um escriba ou corretor
pudesse usar um ponto-baixo de uma forma consistente com a nossa vírgula
moderna, no entanto dado o fato de que o ponto-baixo não parece ter sido usado
de modo nenhum pelo escriba do século IV ou pelo seu corretor contemporâneo, ao
mesmo tempo que eles (raramente) usaram tanto o ponto-alto como o ponto-médio,
parece muito improvável que um deles fizesse isso aqui. Robertson diz: “B tem o
ponto-alto como um período, e o ponto-baixo para uma pausa curta” (Ibid.). No
entanto, Robertson não diz que o “ponto baixo” foi feito pelo escriba original
ou pelo seu corretor do século IV.
AT Robertson na obra (Robertson’s Word Pictures in the
New Testament):
Hoje estarás comigo no Paraíso (Σημερον μετ εμου εσηι εν
τωι παραδεισωι – Sēmeron conheceu ’emou ESEI en toi paradeisōi). No entanto
bruto pode ter sido ideias messiânicas do assaltante Jesus limpa o caminho para
ele. Ele promete-lhe a comunhão imediata e consciente após a morte com Cristo
no Paraíso, que é uma palavra persa e é aqui não é usado por qualquer suposto
estado intermediário, mas a própria felicidade do céu em si. Esta palavra persa
foi usado para um parque fechado ou terra de prazer (assim Xenofonte). A
palavra ocorre em duas outras passagens no N. T. (2 Coríntios 00:04, Apocalipse
2:7), em ambas as quais a referência é claramente para o céu. Alguns judeus
fizeram uso da palavra para a morada dos piedosos mortos até a ressurreição,
interpretando “seio de Abraão” (Lucas 16:22). Nesse sentido também. Mas a
evidência para tal estado intermediário é muito fraco para justificar a crença.
Dr.Wieland Willker especialista em grego, tem uma página
dedicada ao Códice Vaticano : O ponto em B(Códice Vaticano) não é de grande
relevância, pois a questão de pontuação existe independente dela. A pontuação,
se houve algum, foi, como ortografia, irregular no início do MSS. Qualquer
pontuação no MSS antiga é muito duvidoso. A pontuação na Nestle-Aland ou GNT
NUNCA é baseado em uma pontuação em um MS. É sempre uma decisão baseada em
gramática, sintaxe, lingüística e exegese (Willker, Textual Commentary , p.
436, grifo no original).
Observem como é a escrita de forma mais clara e sua
tradução fiel:
καὶ εἶπεν αὐτῷ· ἀμήν σοι λέγω, σήμερον μετ᾽ ἐμοῦ ἔσῃ ἐν
τῷ παραδείσῳ. (Luk 23:43 BNT)
Jesus lhe respondeu: Em verdade te digo que hoje estarás
comigo no paraíso. (Luk 23:43 ARA)
Logo vemos a diferença em relação as das Testemunha De
Jeová:
E ele lhe disse: “Deveras, eu te digo hoje: Estarás
comigo no Paraíso.” – Lucas 23:43, TNM.
Como pôde-se notar, o advérbio de tempo ‘’hoje’’ está
modificando o primeiro verbo, ‘’digo’’. Esta é a estratégia que
aniquilacionistas ao usarem a vírgula e dois pontos de forma errada já
que o idioma original não possuía vírgulas para separar as orações. Assim, a
ênfase de Jesus está sobre o ato de dizer.
Com duas versões possíveis para o texto, como então
resolver qual a melhor tradução? Muitas pessoas têm respondido a esta última
tradução, alegando que o verbo no presente juntamente com o advérbio hoje seria
uma repetição desnecessária. No entanto, esta argumentação ignora que o idioma
grego também pode se valer de repetições para enfatizar algo.
Por outro lado, acredito que uma análise do contexto e da
sintaxe do texto são capazes de esclarecer quaisquer dúvidas sobre a tradução
deste texto. Jesus estava respondendo um pedido do ladrão, então, vamos começar
analisando este pedido, que Lucas registra como:
Lucas
23:42 Então disse: Jesus, lembra-te
de mim, quando entrares no teu reino.
και ελεγεν ιησου μνησθητι μου οταν ελθης εις την
βασιλειαν σου
A sintaxe desta frase nos revela detalhes muito
interessantes, que nossas traduções não costumam trazer. Observem este pedido:
O ladrão pede para que Jesus se lembre dele. A palavra usada aqui é μνησθητι,
que é um imperativo aoristo passivo. Qual é a função sintática de um imperativo
aoristo? Em sua gramática, Daniel Wallace nos revela que este imperativo
aoristo pode ser colocado sob duas categorias: o ingressivo e o constativo. O
ingressivo tem como foco, o início da ação. No verso acima, seria como se o
ladrão pedisse para Jesus começasse a se lembrar dele. Por outro lado, o
imperativo aoristo constantivo parece se encaixar muito melhor no contexto
deste relato:
Essa é uma ordem solene ou categórica. A ênfase não está
no “comece uma ação”, nem “continue a agir”. A ênfase, porém, está na
solenidade e urgência da ação. Assim, “Eu solenemente conjuro-te a agir e
faço-o agora!”. Esse é o uso do aoristo em preceitos gerais. Embora o mesmo
esteja aqui transgredindo o papel do tempo presente, ele acrescenta certo
gosto. É como se o autor dissesse: “Faça disso sua prioridade número um”. Como
tal, o aoristo é frequentemente usado para ordenar uma ação que está em estado
de processo. Nesse caso, tanto a solenidade quanto a urgência destacada são sua
força.
Gramática Grega, Wallace, Daniel B. Página 720, Editora
EBR.
Mas Daniel Wallace explica isto de forma ainda melhor:
Em sumário sobre o imperativo aoristo constativo, pode
ser dito como uma regra geral que essa ordem nada fala sobre o começar ou
continuar uma ação. Ele basicamente tem a força de: “fazer de algo sua
prioridade número um”. Nosso conhecimento sobre o autor e o contexto nos
ajudará a ver se os ouvintes têm feito qualquer prioridade quanto a isso, ou se
eles o têm negligenciado completamente.
Gramática Grega, Wallace, Daniel B. Página 479, Editora
EBR.
Assim, o nosso ladrão não apenas pede para Jesus se
lembrar dele, mas também pede que se lembre dele com prioridade, tamanha é a
ansiedade deste homem por redenção.
Embora ele demonstrasse tanta certeza sobre o fato de
Jesus ser o Messias e sobre Jesus entrar no reino celestial, ele não tem
certeza sobre quando isto iria acontecer. Por isto ele utiliza também a
construção οταν + verbo no subjuntivo. Daniel Wallace em outro lugar explica
esta construção:
O subjuntivo frequentemente é usado depois de um advérbio
temporal (ou preposição imprópria) com o sentido de até que (ex., ἕως, ἄχρι,
μέχρι). Ou ainda mesmo, depois da conjunção temporal ὅταν com o sentido de
quando quer que. Ele indica uma contingência futura da perspectiva do tempo do
verbo principal.
Gramática Grega, Wallace, Daniel B. Página 479, Editora
EBR.
O pedido do ladrão portanto, seria como: “Jesus, quando
quer que você entre em teu reino, lembre-se de mim em primeiro lugar!”. Este é
o pedido do ladrão, e a forma de se traduzir a resposta de Jesus deve levar
este pedido em conta. Pois uma resposta que não o responde, estaria violando o
contexto do relato.
Conhecendo portanto o pedido do ladrão, voltemos à
resposta dada por Jesus. Sua resposta foi:
Lucas 23:43 – Respondeu-lhe Jesus: Em verdade te digo que
hoje estarás comigo no paraíso.
και ειπεν αυτω αμην σοι λεγω σημερον μετ εμου εση εν τω
παραδεισω
Aqui, Jesus inicia sua resposta com a expressão αμην λεγω
(Verdade, te digo). Sobre a expressão, o BDAG nos diz:
… partícula asseverativa, verdadeiramente, sempre com
λεγω, iniciando uma declaração solene mas usada somente por Jesus (Eu te
asseguro que, Eu solenemente te digo). – BDAG, verbete αμην
Assim, esta era uma expressão solene usada apenas por
Jesus. Digno de nota é que em nenhuma das instâncias que Jesus a usa, ela é
modificada pelo advérbio σημερον (hoje), como pode ser visto em Mt 5:18; Mt
5:26; Mt 6:2; Mt 6:5; Mt 6:16; Mt 8:10; Mc 8:12; Mc 9:1; Lc 4:24; Lc 12:37 e
outros.
F. Blass e A. Debrunner, em sua gramática, notam que:
A posição de nomes e advérbios
(1) A regra é que um atributivo adjetivo anarto
geralmente segue seu substantivo. (2) Um advérbio que define um adjetivo (ou um
verbo) também toma a segunda posição. (3) Mt particularmente tem o hábito de
colocar advérbios depois de imperativos enquanto coloca-os antes de indicativos.
A Greek Grammar of the New Testament and Other Early
Christian Literature (BDF), parágrafo 474.
Assim, o item 2 deste texto do BDF tem sido usado às
vezes para se defender que σημερον deve modificar o verbo λεγω, que o antecede.
O terceiro ponto, no entanto, mostra que isto não era uma regra, já que Mateus
os coloca antes de infinitivos. Além disto, o BDF comentando o segundo ponto,
nos diz:
(2) Mt 4:8 υψηλον λιαν, 2:16 εθυμωθη λιαν, cf. μέλας
δεινῶς Aelian, NA 1.19, ἔρημος δεινῶς 4.27. Mas também λιαν (om. D) πρωι Mk
16:2, λιαν γαρ αντεστη, 2Ts 4:15.
Ou seja, o próprio BDF nos traz exemplos onde um advérbio
de tempo precede o verbo que ele modifica. Que motivos Lucas teria para colocar
o advérbio antes? O BDF, falando sobre ordem de palavras no grego, comenta:
472. A ordem de palavras no Grego e assim no NT é mais
livre do que em línguas modernas. Há, contudo, certas tendências e hábitos (no
NT especialmente em narrativas) que tem criado algo como uma ordem de palavras
comum.
Mais adiante, o BDF comenta ainda:
(2) Estas posições, contudo, não são de qualquer forma
mandatórias. Qualquer ênfase em um elemento da sentença faz aquele elemento ser
movido para frente…
Assim, se o elemento precisa de destaque, é natural que
ele seja movimentado para frente. Se a palavra hoje precisava de destaque,
seria de se esperar que ela fosse movida para o início da declaração. A pergunta
é: ela precisava de destaque? Agora voltamos ao contexto.
Observamos que o pedido do ladrão demonstrava urgência.
Ele pedia algo como “Jesus, dê prioridade para isto”, e Jesus respondia: “Não
se preocupe: hoje mesmo você colherá os frutos de sua confissão”.
Por outro lado, o ladrão expressou também uma dúvida
sobre o tempo que Jesus poderia cumprir esta promessa. Ele disse algo como
“Quando quer que você entre em seu reino”, e a resposta de Jesus faz um grande
contraste com esta dúvida: “Hoje estarás comigo no paraíso”.
Certamente esta tradução se encaixa bem melhor no
contexto, do que a ênfase sobre o momento da promessa. O ladrão não queria
saber quando a promessa era feita, mas quando ela se cumpriria.
Há ainda alguma contra-argumentação contra esta tradução,
mesmo que a forma “te digo hoje” não se encaixe no contexto. Costuma-se alegar
que, se Lucas desejasse deixar claro que hoje modifica o verbo estarás, ele
teria usado a conjunção οτι (que) antes de σημερον. Este argumento é
irrelevante, pois da mesma forma, Lucas poderia usar οτι depois de σημερον.
Por outro lado, costuma-se também citar as palavras de
Jesus ressurreto, no evangelho de João:
Disse-lhe Jesus: Deixa de me tocar, porque ainda não subi
ao Pai; mas vai a meus irmãos e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai,
meu Deus e vosso Deus. – João 20:17
O objetivo é demonstrar que Jesus não poderia ter ido ao
paraíso naquele mesmo dia, pois depois, ao ressuscitar, ele teria dito que não
tinha subido ao Pai ainda. Esta argumentação também é irrelevante, pois Jesus
Cristo é Deus e o fato do seu corpo não estar glorificado como ele bem falou em
(Jo 20:17)não o impediu cumprir sua promessa.
Antes de finalizar que ainda mostrar outros códices que
não trazem o tal ponto entre a palavra SEMERON e MET. σήμερον μετ:
Códice Sinaítico:Século IV.
Códice Alexandrino:Metade do século V.
Códice Bezae:Século VI.
Códice Washingtoniano.Século V ou VI.
Conclusão:
Acreditamos que o contexto é primordial na seleção de
qual a melhor tradução deste texto. E como observamos aqui, a tradução que
melhor preserva o contexto é a tradução que faz o advérbio hoje modificar o
verbo estarás. Como Daniel B. Wallace disse em sua gramática, e que já citamos
antes, “Nosso conhecimento sobre o autor e o contexto nos ajudará a ver se os
ouvintes têm feito qualquer prioridade quanto a isso, ou se eles o têm
negligenciado completamente”. Quando Jesus diz que hoje o ladrão estaria no
paraíso, Jesus estava demonstrando que realmente estava tratando aquele assunto
com a mais alta prioridade. Não era apenas uma promessa feita naquele dia, mas
era uma promessa cumprida naquele dia.
As fontes:
http://conhecereis-a-verdade.blogspot.com.br/2013/08/a-pontuacao-de-lucas-2343-e-o-codex.html
http://www.e-cristianismo.com.br/teologia/apologetica/a-pontuacao-de-lucas-23-43.ht
Autor: Itard Víctor Camboim de Lima
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Graça e Paz de Cristo, será um prazer receber seu comentário. Jesus te abençoe.