Martin Harris foi uma das
“três testemunhas” do Livro de Mórmon.
Pediram-lhe que hipotecasse a sua fazenda para ajudar a publicar e distribuir
o Livro de Mórmon. Como cautela, Harris foi ao
professor Charles Anthon, renomado erudito da Universidade Columbia, com uma ou
duas páginas de caracteres do “egípcio reformado”.
Depois de examinar o material, Anthon preveniu a Harris que estava sendo vítima de uma fraude. Os caracteres não eram hieróglifos egípcios. Entretanto, José Smith afirmou em sua revelação, Pérola de Grande Valor, que Anthon havia dito: “que a tradução estava
correta, muito mais que qualquer outra tradução que ele tinha visto antes, traduzida do egípcio. Então mostrei-lhe aqueles que ainda não haviam sido traduzidos e me disse que eram egípcios, caldeus, assírios e arábicos; e disse que eram caracteres verdadeiros” (Pérola de Grande Valor 2:64, pp. 65.66).
Ainda que Anthon não
tivesse, em carta, refutado o testemunho de José Smith, a afirmação de Smith
suscita vários problemas. Primeiro diz-se
que o egípcio reformado é uma língua completamente perdida “que nenhum homem
conhece”. Entrentanto, eis alguém que sem nenhuma “revelação divina” podia
lê-lo! Nem mesmo José Smith podia fazer isso! E Anthon o fez sem o Urim nem o
Tumim!
Segundo, por que continham os papéis caracteres caldeus,
assírios e arábicos, se as placas de ouro tinham sido escritas somente em
egípcio reformado?
Terceiro, uma vez esta teria sido a primeira e única tradução do
egípcio reformado por mais de mil anos, como é que Anthon podia ter dito que
era a tradução mais correta do egípcio que ele já vira? Como é que ele podia
saber se a tradução inglesa era correta ou não?
Quarto, os mórmons afirmam que o incidente com Anthon cumpriu
Isaías 29:11, 12: “Toda a visão já se vos tornou como as palavras dum livro
selado – que se dá ao que sabe ler, dizendo: Lê isto, peço-te; e ele responde:
Não posso, porque está selado; e dá-se o livro ao que não sabe ler, dizendo:
Lê, peço-te; e ele responde: Não sei ler.” Se lermos a passagem com cuidado,
veremos que o assunto principal é a condição do povo naquela época. Não se refere a um livro em época
futura.
Ainda assim, Anthon nunca
obteve um livro completo, somente algumas folhas com alguns caracteres. Mas Harris,
segundo José Smith em Pérola de Grande Valor,
disse ter Anthon afirmado ser correta a tradução. Ele somente podia dizer isto
se pudesse lê-lo . Mas Isaías disse que
“o que sabe ler não podia ler porque estava
selado”.
Há vários outros
problemas, mas isto deve ser suficiente. Deus jamais contradiz a si mesmo, nem
mesmo no mínimo detalhe no cumprimento
da profecia. É desta forma que Deus nos disse para distinguir o verdadeiro do
falso. Recusar-se a fazer tal teste seria desobedecer a Deus que disse: “não
deis crédito a qualquer espírito: antes, provai os espíritos se procedem de
Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (1 João 4:1).
Somos advertidos de que os falsos profetas podem realizar milagres (maravilhas
mentirosas). A nós também é revelado que eles aparecem como anjos de luz,
ministros da justiça.
Mateus 7:15 diz-nos: “Acautelai-vos dos falsos profetas
que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos
roubadores.” Se amarmos Jesus e a sua palavra não poderemos deixar de
obedecer-lhe e aplicar o teste aos que se dizem profetas de Deus. Se não
fizermos isto, o resultado para nós mesmos e para incontáveis outros será perda
eterna terrível. Se José Smith pudesse passar no teste, ficaríamos contentes em
aceitá-lo como profeta de Deus. Infelizmente, ele não pôde.
O ponto central desta
história toda é uma carta que o professor Anthon escreveu, sete anos mais
tarde, a E.D. Howe, em 17 de fevereiro de 1834. “A história toda acerca de eu
ter dito que a inscrição mórmon fosse hieróglifos do egípcio reformado é totalmente falsa… logo cheguei à conclusão de
que tudo não passava de um truque – um embuste talvez…. O papel
continha tudo menos hieróglifos egípcios.”[1]
Talvez o golpe mais
prejudicial de todos à credibilidade de José Smith como tradutor ou profeta que
recebia revelações de Deus fosse um episódio datado de 1835. José Smith comprou
algumas múmias egípcias e alguns rolos de papiro de Michael H. Chandler. José
Smith recebia revelações de Deus quanto ao significado dos caracteres e esboços
dos papiros. Esta tradução, e mais três desenhos dos papiros egípcios ele
publicou como o “Livro de Abraão” em Pérola de Grande Valor página
32. Ele afirmava que o primeiro desenho ou “Fac-símile #1”, mostrava o
sacerdote idólatra de Elkenah tentando oferecer Abraão em sacrifício. Os quatro
jarros embaixo do altar eram deuses idólatras, etc. O pássaro do quadro era o
“anjo do Senhor”.
Infelizmente para José Smith desta vez foi possível fazer
um teste científico e analítico de suas afirmações. O egípcio era uma língua
conhecida dos egiptologistas, ao passo que o “egípcio reformado” não o era.
O bispo F. S. Spalding enviou cópias deste e de vários
outros fac-símiles que Smith desenhou e traduziu dos papiros egípcios a vários
dos egiptologistas mais preeminentes do mundo.[2] Todos eles concordaram que o
assunto da gravura era “embalsamemento dos mortos”. Todos disseram que a
interpretação de José Smith era falsa e não uma tradução real do fac-símile ou
dos hieróglifos egípcios.
Então, em 1967,
descobriu-se um manuscrito que se acreditava ter sido destruído num incêndio em
Chicago. Este foi positivamente identificado pelos mórmons como o manuscrito original do qual José Smith
“traduzira” a informação do “Livro de Abraão”. Parece que isso resolvia o
assunto.
Mas o professor Dee Jay
Nelson, egiptólogo mórmon preeminente,
depois de análise cuidadosa dos papiros e das supostas traduções do egípcio
para o inglês por José Smith, pronunciou o “Livro de Abraão” uma tradução
falsa.
Dee Jay Nelson usou não somente sua considerável
capacidade linguística mas também a ajuda de um computador que mostrou ser
matematicamente impossível José Smith ter traduzido tantas palavras de tão
poucos caracteres egípcios num fragmento de papiro tão pequeno (1.125 palavras
oriundas de 46 caracteres).
Este “manuscrito original” do “Livro de Abraão” é, na
realidade, um texto fúnebre egípcio de alguns séculos antes do nascimento de
Cristo, contendo instruções aos embalsamadores. A tradução de José Smith fazia
com que este mesmo texto versasse sobre Abraão e sua vida na Mesopotâmia alguns
2.000 anos antes. Fac-símiles #1,2,e 3, e também outros materiais dos quais
José Smith afirmava ter traduzido o “Livro de Abraão” têm sido examinados e Dee
Jay Nelson e outros egiptólogos preeminentes mostraram que são traduções
falsas.[3]
O professor Nelson, membro do sacerdócio mórmon, e sua
família, pediram demissão da igreja dos Santos dos Últimos Dias no dia 8 de
dezembro de 1975, como resultado desta descoberta.
Numa carta endereçada à Primeira Presidência, o professor
Nelson afirma: “Nós [ele, a esposa e a filha] não desejamos estar associados
com uma organização religiosa que ensina mentiras.”[4] O professor Nelson, numa
carta a R.L. Eardley, de Billings, Montana, em 15 de fevereiro de 1976,
afirmou: “O mundo científico acha que o Livro de Abraão é um insulto à
inteligência. Alguns dos egiptólogos mais brilhantes e qualificados de nosso
tempo têm-no rotulado de fraudulento por causa da evidência esmagadora dos
papiros metropolitanos- José Smith recentemente descobertos. Esse papiro ainda
não recebeu nenhum apoio de nenhum egiptólogo qualificado. Não desejamos e
intolerância racial.”
Talvez a esta altura devêssemos perguntar aos nossos
amigos mórmons se honestamente e com todo o coração podem confiar seu destino
eterno à credibilidade de José Smith. Como mómons, é isto que estão fazendo.
Qualquer tribunal nos Estados Unidos aceitaria como
conclusiva a prova que Nelson e outros egiptólogos apresentaram. José Smith
mentiu quanto a “traduzir” o texto egípcio. “O Livro de Abraão” é,
inegavelmente, falso.
___________
Notas
[1] Carta do professor Charles Anthon a E.D. Howe, 17 de
fevereiro de 1834.
Citado por Tanner em Mormonism, Shadow or Reality (Salt Lake City:
Modern Microfilm Company, 1972), p. 105.
[2] Os egiptólogos foram: Dr. A.H. Sayce, Oxford
University; Dr. Williams M.F. Petrie, London University; Dr. A.C. Mace,
Departamento de Egiptologia, Museu Metropolitano de Arte, Nova Iorque; Dr. J.
Peters, Diretor da Expedição Babilônica da Universidade de Pennsylvania,
1888-1895; Dr. S. A. B. Mercer, Western Theological Seminary, Chicago; Dr. E.
Meyer, Universidade de Berlim; Dr. Baron V. Bissing, Universidade de Munique.
[3] Dee Jay Nelson, The Joseph Smith Papyri, Parte 2, e
The Eye of Ra. Veja também o livro de Tanner, Mormonism, Shadow or Reality, no
capítulo “A queda do livro de Abraão.”
[4] De uma fotocópia da carta original enviada por Dee
Jay Nelson.
Extraído do Livro A ILUSÃO MÓRMON, Floyd C.
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