Um episódio muito interessante, narrado na Bíblia, que reforça ainda mais o nosso argumento de que um fato real, muitas vezes, pode ser usado como uma parábola para ilustrar uma verdade moral ou espiritual, ou até mesmo outro fato histórico, está registrado no livro do profeta Ezequiel. Esse fato, inclusive, referendado pela profetisa do movimento adventista do sétimo dia, pelo Comentário Bíblico Adventista e pela Bíblia de Estudo Andrews, pertencente à Igreja Adventista do Sétimo Dia, diz respeito à profecia contra o rei de Tiro, a qual, por sua vez, é ilustrada por um fato real contado em forma de parábola, uma vez que existem muitos elementos presentes nesta passagem que se
assemelham àqueles presentes em uma parábola, como veremos a seguir.O profeta Ezequiel, inspirado pelo Espírito Santo,
falando acerca da queda do rei de Tiro, faz uso de um acontecimento real, que
se deu há milhares de anos, no mundo espiritual, relacionado ao querubim
ungido, a saber, Satanás. Como sabemos, apesar de Ezequiel 28 ser uma profecia
contra o rei de Tiro, ela faz uma alusão à queda de Satanás, que também é
narrada em outros trechos da Bíblia como um fato real (Is 14; Lc 10.18; lTm
3.6; Ap 12.7-9). Há alguns teólogos que tentam negar que esta profecia seja uma
referência a Satanás, por entender que ela é uma alusão direta ao rei de Tiro.
Não obstante, apesar de concordarmos que ela tenha sido dirigida ao rei de
Tiro, esta profecia de Ezequiel 28 é uma daquelas que chamamos de “Profecia de
dupla referência”, ou seja, ela tem uma aplicação prática para aqueles dias,
sobre o rei de Tiro, mas, ao mesmo tempo, nos remete para um episódio anterior,
a saber, ela faz uma clara alusão à queda de Satanás, que se deu há milhares de
anos (Is 14; Lc 10.18; lTm 3.6; Ap 12.7-9).
É muito curioso que, nessa passagem de Ezequiel 28, o
profeta apresenta alguns elementos muito comum nas parábolas. Por exemplo:
A – Estavas no Éden, jardim de Deus (v. 13)
B – Toda pedra preciosa era a tua cobertura: a sardônica,
o topázio, o diamante etc. (v. 13)
C – A obra dos teus tambores dos teus pífaros estava em
ti; no dia em que foste criado, foram preparados (v. 13)
D – No meio das pedras afogueadas andavas (v. 14)
E – Na multiplicação do teu comércio (v. 14).
Como podemos entender essas expressões de forma literal,
uma vez que sabemos que Satanás é um anjo e, portanto, um espírito (Hb 1.14) e
de acordo com Jesus, “um espírito não tem carne e nem ossos”? Usando a mesma
tática dos opositores da doutrina bíblica da imortalidade da alma, poderíamos
fazer as seguintes perguntas: Um espírito vive num jardim? Um espírito se cobre
de pedras preciosas? Um espírito fabrica tambores e pífaros? Um espírito tem pé
para andar no meio de pedras afogueadas? Um espírito tem comércio?
Apesar dessas várias
figuras, presentes no texto de Ezequiel 28, creio que nenhum adventista do
sétimo dia, que acredita que o texto está fazendo uma alusão a Satanás, irá
dizer que Ezequiel 28 é fruto de uma crendice dos judeus, de uma lenda, de um
mito, de uma fábula, de uma história mentirosa, como eles fazem com a história
do rico e Lázaro. Pois não somente a própria Ellen G. White, em seu livro,
Patriarcas e Profetas, p. 35, vê o texto
como uma referência à queda de Satanás, mas até mesmo os autores do
Comentário Bíblico Adventista do Sétimo Dia, e
da Bíblia de Estudo Andrews, produzida pela Casa
Publicadora Brasileira, da Igreja Adventista do Sétimo Dia, têm essa mesma
visão, como podemos ver nos textos a seguir:
“Os versículos 11-19, ainda que sejam um lamento pelo rei de Tiro, sem dúvida têm uma aplicação mais ampla que a que se faz pelo príncipe de Tiro. (…). Por isto, é mais adequado considerar esta passagem como uma digressão da profecia contra o príncipe de Tiro, para apresentar a história do que era, na verdade o rei de Tiro: O próprio Satanás. Se entendermos assim, essa passagem nos proporciona a história da origem, a posição inicial e a queda do anjo que mais tarde chegou a ser conhecido como o diabo e Satanás” (Comentário Bíblico Adventista Del
Séptimo Día, 4, Isaias a Malaquias, pp. 704,705).
“O vocabulário usado nesta
seção não se aplica mais a um governante terreno. O foco passa para a esfera
cósmica, enfatizando o ser sobrenatural nos bastidores, o angélico do
representante humano no trono terreno. Essa passagem relata a origem cósmica do
pecado e da rebelião contra Deus” (Bíblia de Estudo Andrews, p.
1068).
Fonte: Livro – Perguntas
Difíceis de Responder – sobre a imortalidade da alma entre a morte e a
ressurreição, Elias Soares de Moraes, Editora Beit Shalom, 2016.

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