Nesse artigo eu quero tratar de um dos apóstolos escolhido por Deus cujo nome era Judas Iscariotes ou אִישׁ־קְרִיּוֹת יהוּדָה ( Hbr. Yehudhah ish Qeryoth). Iscariotes não era seu sobre nome e sim a aldeia de onde ele viera segundo São Jerónimo – seria o nome simplificado da aldeia, ou mais provavelmente um conjunto de aldeias, de Queriote-Ezron (Josué 15:25) – nome que significa “cidades de Ezron” – localizada na província romana da Judeia (no território da Tribo de Judá) e que é comumente identificada com a moderna Qirbet el-Qaryatein, situada a cerca de 20 km a sul de Hebron, ou seja, ele era o
único não galileu.Judas se tornou conhecido por ter traído Jesus, o homem
que tanto o instruiu nos sermões dos montes, sinagogas, templo e etc. Há um
ritual In Memorian conhecido como ‘Malhação de Judas ou Queima de Judas’ é uma
tradição vigente em diversas comunidades católicas e ortodoxas que foi
introduzida na América Latina pelos espanhóis e portugueses. É também realizada
em diversos outros países, sempre no Sábado de Aleluia, simbolizando a morte de
Judas Iscariotes.
Mas o que levou Judas a participar do consórcio para
matar Jesus? Será que Cristo o escolheu para tal tarefe horrorosa, ou por
ventura já era profética tal atitude e ele não podia resistir? Deus havia
programado Judas a participar da morte do seu filho, ou Ele pela sua
presciência sabia que seria Judas? Para responder a essas questões eu separei
alguns pontos que mostram que era impossível que Judas fosse predestinado ao
lago de fogo simplesmente por um decreto manipulador da parte do Criador.
Mostrarei que Jesus não foi injusto com Judas em nenhum momento e que ele teve
todas as chances possíveis!
1º No capítulo 22 e nos versos 14-30 do evangelho de
Lucas, é narrada uma reunião onde Cristo instituiu a ceia e que de forma
indiscutível são apresentadas 13 pessoas sendo uma delas Jesus e o restante
seus ➜12 apóstolos.
Nessa mesma festividade Jesus refaz a promessa que Ele
havia feito há tempos atrás quando após anunciar as boas novas ao jovem rico
ele prometeu que os➜12
apóstolos se assentariam em ➜12 tronos para julgar as ➜12 tribos de Israel (Mt 19:28) e após repetir essa
promessa aos➜12
apóstolos ele faz mais uma, vejamos:
“E digo-vos que, desta hora em
diante, não beberei deste fruto da videira, até aquele dia em que o hei de
beber, novo, ➜convosco(12) no reino de meu Pai.” (Mt
26.29).
Observem que Jesus Cristo
reforça ainda mais o seu encontro com os 12 apóstolos presentes na mesa da
ceia. Para os que creem na doutrina da predestinação fatalista fica vários
questionamentos insolúveis diante das evidências bíblicas. Isso nos mostra
claramente que essa doutrina desenvolvida no século XVI nunca foi crida pelos
apóstolos ou pelos pais da igreja. Os predestinacionistas fatalistas ensinam
que Jesus quando fez essas promessas não incluiu a Judas pelo simples fato de
não ter citado entre os nomes dos➜ 12 que se
“assentariam nos” ➜12 tronos para julgar as ➜12 tribos chegando até a insinuarem que Jesus fizera
as promessas aos 11 apóstolos e que ou Paulo ou Matias estaria sendo insinuado
por Jesus nessa noite, embora ele tenha citado o número de tronos que os tais
que estavam na ceia se assentariam. E há os que creem que o fato de não
aparecer no NT Judas chamando Jesus de Senhor é uma forte prova que ele não era
crente de verdade. Todavia essa forma de pensar se torna um erro gravíssimo de
interpretação de texto, pois nos textos onde aparece Jesus fazendo essas
promessas, sempre é citado os pronomes oblíquos átonos e tônicos, VÓS, VOS e
CONVOSCO, pronomes aplicados aos 12 apóstolos
originais dentro desse contexto, pois como foi dito no início só estavam presentes
Jesus e os seus 12 discípulos. E o fato de não
aparecer no Novo testamento o apóstolo Judas chamando Jesus de Senhor em nada
influi uma vez que também não vemos Bartolomeu e nem Simão o Zelote assim o
chamar.
2ª Não entendemos que Judas fora predestinado ao lago de
fogo por um decreto arbitrário da parte de Deus, visto que no texto bíblico são
mostradas várias dádivas que somente um crente verdadeiro pode tê-las, como bem
podemos ver a seguinte:
“Tendo chamado os seus doze
discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e
para curar toda sorte de doenças e enfermidades.
A estes doze enviou Jesus,
dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em
cidade de samaritanos;
Curai enfermos, ressuscitai
mortos, purificai leprosos, expeli demônios; de graça recebestes, de graça
dai.” (Mt 10:1-8 ARA)
Como lemos, Judas recebeu dádivas espirituais na mesma
proporção dos demais apóstolos e ainda Jesus o enquadrou naqueles que iriam ser
entregues aos sinédrios por amor do seu nome, mas que nenhum dos apóstolos
temessem na hora de falar, uma vez que quem falaria por ele seria o Espírito
Santo, mas que somente os que perseverassem até o fim poderiam ser salvos (Mt
10.22).
Mas há quem questione que Judas era o diabo, porem o
texto diz “um diabo” e não “o diabo”, não há esse artigo definido no texto
grego e sim o adjetivo cardinal εἷς :
ἀπεκρίθη αὐτοῖς ὁ Ἰησοῦς· οὐκ ἐγὼ ὑμᾶς τοὺς δώδεκα
ἐξελεξάμην; καὶ ἐξ ὑμῶν ➜ εἷς
διάβολός ἐστιν.
(Joh 6:70 BNT).
Logo, quando Jesus se referiu dessa forma, ele estava
comparando a atitude que Judas iria cometer como as do diabo e não que ele
fosse o adversário de nossas almas, posto que se Judas fosse o diabo como
alguns acham, como Jesus iria dar-lhe poder para exorcizar Satanás se ele era o
próprio?
“Como pode Satanás expelir a
Satanás?” (Mc 3:23).
3º Se Judas fosse
predestinado por Deus ao sofrimento eterno e sem nenhuma chance de ter outro
destino, como poderia Jesus ter pronunciado a palavra “amigo”? Palavra
explicitada em aramaico e registrada pelo apóstolo João em grego como ἑταῖρε, que segundo os léxicos e dicionários de Walter
Bauer BDAG; TDNT; EDNT; FRIBERG; LS; LEH;UBS; THAYER; GNT; LIDDELL-SCOTT
e ainda LOW-NIDA da Sociedade Bíblica do Brasil pág/ 400 e o dicionário de
STRONG atestam que esse vocábulo significa amigo, companheiro de lutas,
camarada, meu amigo e etc…, ele a teria pronunciado como forma
hipócrita, pois eu creio que Jesus quando disse “amigo”, Judas era seu amigo
mesmo e que Jesus o amou até o fim (Jo 13) como fez ao orar ao Pai que não
imputasse culpa aos que o crucificavam visto que eles NÃO sabiam o que estavam
fazendo (Mt 27:3-4)?
Deus, na sua presciência, sempre soube que Judas faria
tudo o que fez, mas isso não significa que ele não teve todas as oportunidades
de fazer seu destino diferente. Judas não poderá acusar ao Soberano do Universo
de ter manipulado seu destino e o predestinado de maneira arbitrária a ser um
traidor desprezível. Judas deu lugar ao diabo tanto quanto Pedro. Matias poderia
ter tomado o lugar de qualquer um, mas Judas fez por merecer o epiteto de
TRAIDOR.
Conclusão:
Se Judas fosse um “predestinado incondicional” ao lago de
fogo, ele não deveria ter recebido as promessas de:
1º Ser um dos juízes que
se assentaria em um dos 12 tronos (Lc
22.30).
2º Participar da mesa com Cristo e os demais servos de
Deus na glória (Mt 26.29).
3º Ser entregue aos sinédrios por amor ao nome de Jesus
(Mt 10.17).
4º Receber a segurança de falar às autoridades inspirado
pelo Espírito Santo (Mt 10.20).
5º E não seria jamais considerado com um amigo íntimo de
Jesus, pois aquele que é amigo do mundo ou do mal se constitui INIMIGO de
Deus-Jesus (Tg 4.4).
Mas por que nenhuma dessas profecias se cumpriu sobre a
pessoa do apóstolo Judas? Pelo simples fato de ele não ter escolhido permanecer
ou perseverar como ministro do evangelho e obedecer à voz de Deus. Outro
caso de promessas não cumpridas é a de Moisés. Moisés que tinha a promessa de
entrar na terra prometida com a sua congregação, todavia essa promessa nunca se
cumpriu por justamente ele ter escolhido desobedecer a Deus ao ferir a rocha ao
invés de falar á rocha como o Senhor ordenara (Nm 20:8-12; Dt 32.50-52). Ou
seja, o que se cumpriu em Judas foi nada mais e nada menos do que a exclusão do
seu nome do livro da vida como colheita daquilo que ele plantou como bem frisou
Deus ao dizer:
“Então, disse o SENHOR a
Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este riscarei eu do meu livro.” (Ex 32.33).
Isto é, qualquer que tiver seu nome escrito no livro da
vida, pode tê-lo riscado, basta somente permanecer em desobediência (1Tm 4.1-2;
2Pe 2). A crença de que Judas nasceu condenado nunca passou pela mente dos
cristãos primitivos. Esse ideia equivocada somente passou a ter alguma
credibilidade após o movimento estatal de reforma do século XVI e não antes
como podemos ver na citação de Crisóstomo:
“Judas, meu amado, foi no
princípio um filho do reino, e ouviu o que lhe foi dito com os discípulos, ‘Vós
sentareis sobre doze tronos; ’ mas depois se tornou um filho do inferno.”
Amém!
Por: Itard Victor Camboim de Lima

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