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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

O Alcorão na matança de infiéis


Talvez o verso corânico que é mais frequentemente citado por ocidentais para demonstrar a natureza violenta da religião islâmica é o verso conhecido dentro e fora do Islã como “o verso da espada”:

Mas quando os meses sagrados houverem transcorrido, então mate os idólatras onde quer que estejam, e os capturem e os cerquem e esperem por eles em cada emboscada, porém, caso se arrependam, observem a oração e paguem o zakat [taxa obrigatória para caridade], abri-lhes o caminho. Sabei que Alá é Piedoso, Misericordioso. – Surata 9:5 (Shakir)

 

Allah cobrará dos crentes o sacrifício de seus bens e suas pessoas, em troca do Paraíso. Combaterão pela causa de Allah, matarão e serão mortos. É uma promessa infalível, que está registrada na Torá, no Evangelho e no Alcorão. E quem é mais fiel à sua promessa do que Allah? Regozijai-vos, pois, da troca que haveis feito com

terça-feira, 29 de junho de 2021

A Páscoa do Egito: Como tudo começou

 

A primeira páscoa foi instituída no Egito, para marcar o princípio dos meses.

O contexto é a libertação do povo hebreu da escravidão no país das pirâmides, liderada por Moisés, o filho de uma hebreia que foi criado no palácio de faraó como filho da filha de faraó. Cônscio de sua origem, Moisés, após matar um egípcio ao defender o seu povo, foge para a terra de Midiã, e passa a viver como um pastor de ovelhas. Contudo, ele era o escolhido por Deus para livrar o seu povo da escravidão no Egito. Deus aparece à Moisés na sarça ardente e o comissiona a voltar ao Egito e libertar o seu povo (Êxodo 3). No primeiro momento, Moisés resiste, mas acaba cedendo e retorna ao Egito com essa árdua missão (Êxodo 4).

A primeira páscoa foi instituída no Egito, para marcar o princípio dos meses – como o início do ano religioso, como marco da redenção do povo hebreu e da sua liberdade (Êxodo 12:2). A ordem divina escolhe o mês de Nisã, início da primavera no hemisfério norte, para ser o primeiro mês do ano israelita.

A celebração da Páscoa

A celebração da Páscoa seria uma festa familiar, o cardápio principal seria um cordeiro de um ano sem defeito para cada família. O cordeiro seria separado no dia 10 de Nisã e guardado por quatro dias. Do décimo ao décimo quarto dia o cordeiro ficaria em observação para que não apresentasse nenhum defeito, a fim de estar apto para o sacrifício. No dia da Páscoa 14 de Nisã o cordeiro seria sacrificado à tarde (Êxodo 12:3-6). Segundo Flávio Josefo, esse sacrifício era oferecido entre as 15 e 17 horas.

Acrescenta-se ao cardápio principal a matzá – pães ázimos (pão sem fermento), e o marór – ervas amargosas. A matzá – refere-se ao pão da aflição, da privação de ser escravo, e que também se tornou o símbolo da liberdade. Enquanto o marór – refere-se a amargura de ser escravo.

Os dois juntos para o judeu, tem um significado de dualismo da vida, se por um lado há liberdade, não se deve esquecer jamais a amargura da escravidão, e, nos tempos de opressão, a chama da esperança de liberdade deve-se manter acesa.

Ou como encontramos no comentário dos editores da Torá – a Lei de Moisés: “A união desses dois elementos ensina que apenas quem experimentou o doce sabor da liberdade é capaz de compreender a amargura da opressão, e vice-versa. É a convivência milenar com esse dualismo que fez o povo judeu suportar tantas e tão nefastas provocações no decorrer de sua história, até alcançar, o restabelecimento de seu próprio estado nacional em nossos dias, que, baseado nos ensinamentos da Torá, representa o prenúncio da concretização das profecias messiânicas e da redenção global da humanidade” (Torá, 2001, p. 185).

Além disso, há a restrição de não comer “nada cru, nem cozido em água, senão assado no fogo”, e isso não é tudo, deveria se comer o cordeiro com “a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura”, o cordeiro inteiro simboliza a unidade completa de toda a família de Israel; sem sobras, e o que sobrar seria queimado pela manhã (Êxodo 12:8-10).

E o jeito de se comer a Páscoa na saída do Egito é ordenado aos filhos de Israel: “Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor” (Êxodo 12:11), lombos cingidos, sapatos nos pés e cajado na mão, por quê? Porque acontecerá a libertação da escravidão, a saída do Egito – o Êxodo; “esta é a páscoa do Senhor, páscoa (heb. Pessach) significa: passagem; passar por cima, quando o Senhor passaria pelo Egito para derramar a décima e última praga, a morte dos primogênitos (Êx.12:12,13).

O sangue do cordeiro

Deus ordenou que o sangue derramado do cordeiro, fosse passado nas portas das casas dos hebreus: “E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem” (Êxodo 12:7).

 do povo foi manifestada em função da obediência ao mandamento divino. O sangue passado na verga e nos umbrais, foi o sinal que Deus usou para poupar a vida dos filhos primogênitos no momento que o anjo da morte passou, ferindo a terra do Egito: “E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito” (Êxodo 12:13).

 

Os israelitas usaram o hissopo para passar o sangue na verga e nas ombreiras das portas, e ficaram dentro de suas casas protegidos pelo sangue do cordeiro, conforme lemos em Êxodo 12:22-23: “o SENHOR passará para ferir os egípcios, porém quando vir o sangue na veja da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir”.

 

Considere isso, cada família israelita sacrificar um cordeiro no Egito poderia se visto como uma grande afronta às crenças dos egípcios, pois “O carneiro era um animal sagrado entre os egípcios. Aqueles dentre os israelitas que não tivessem coragem de afrontar os egípcios, matando um carneiro e aspergindo o sangue nas portas, no lado externo de suas casas, não gozariam de isenção da morte do primogênito. Assim, desde os tempos bíblicos, o israelita-hebreu-judeu é educado a ter a sinceridade e a coragem de proclamar publicamente sua crença e fé no Deus único” (Torá, 2001, p. 186), felizmente esse ato de fé e coragem terminou bem para os israelitas.

 

As 10 pragas sobre os deuses do Egito

Os juízos de Deus enviados ao Egito foi uma clara demonstração de superioridade sobre os falsos deuses do Egito em contraste ao único, vivo, verdadeiro e todo poderoso Deus de Israel, conforme lemos em Êxodo 12:12: “E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor”, as pragas feriram mortalmente as divindades egípcias de acordo com Carlos Osvaldo:

 

·        A praga das águas transformadas em sangue revelou a autoridade de Yahweh sobre o Nilo, o rio sustentava a vida do Egito (7:14-24).

·        A praga de rãs revelou a superioridade de Yahweh sobre a deusa Heqt e produziu o primeiro ciclo de permissão-negação por parte de Faraó (8:1-14).

·        A praga dos piolhos revelou a superioridade de Yahweh sobre o deus Set, o deus do deserto [poeira?] e levou os magos a admitir a intervenção divina (8:16-19).

·        A praga das moscas revelou a superioridade de Yahweh sobre o deus Uatchit, estabeleceu a distinção entre Israel – a nação a ser libertada – e o Egito –, a nação a ser julgada, e fez Faraó repetir sua falsa promessa de permissão (8:32).

·        A praga da peste nos rebanhos egípcios demonstrou a superioridade de Yahweh sobre Ápis, o deus-touro, e Hathor, a deusa-vaca, ao preservar o gado dos israelitas (9:1-7).

  • A praga das úlceras nas pessoas e no gado demonstrou a superioridade de Yahweh sobre Ísis, a deusa da cura, sobre Sekhmet, deusa dos remédios, e sobre Sunu (deus da peste), incapacitando os magos que se opunham a Moisés e Arão (9:8-12).
  • A praga da saraiva revelou a superioridade de Yahweh sobre Nut [deus do céu], Osíris [deus das colheitas e da fertilidade] e Set [deus das tempestades], inspirando temor de Deus em alguns oficiais egípcios, em contraste com a renovada dureza de Faraó (9:13-35).
  • A praga dos gafanhotos revelou a superioridade de Yahweh sobre Nut e Osíris e evidenciou o profundo descontentamento na corte do Egito com a política obstinada de Faraó, que o levou a violar sua promessa mais uma vez (10:1-20).
  • A praga das trevas revelou a superioridade de Yahweh sobre Rá e Hórus, divindades do sol, e sobre Nut, deus do céu, produzindo uma confrontação final entre Moisés e Faraó (10:21-29).
  • A anunciada praga da morte dos primogênitos revelaria a superioridade, de Yahweh, sobre Min, deus da reprodução, sobre Ísis, a deusa da cura, e sobre o herdeiro de Faraó, considerado divino pelos egípcios, quebrando por fim a obstinada resistência do monarca quanto à libertação de Israel (11:1-10) (PINTO, 2006, p. 75-76).

 

Jetro, o sogro de Moisés reconheceu: “(…) O Senhor é maior que todos os deuses (…)” (Êxodo 18:10-11).

 

A Páscoa como memorial eterno

A celebração da páscoa passou a ter um caráter eterno: “E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (Êxodo 12:14), podemos entender a razão do memorial nas palavras do Rabino Lord Jonathan Sacks: “o antigo Egito e a antiga Israel eram dois povos que fizeram a mais decisiva das perguntas: como, num curto período de tempo, é possível criar algo que perdure para sempre? Como é possível conquistar a imortalidade? Os egípcios deram uma resposta: construir grandes monumentos de pedra – templos, pirâmides – que resistirão aos ventos e areias do tempo. E assim fizeram. O que eles construíram continua em pé. Mas apenas os edifícios, e não a civilização que um dia lhes deu vida. Os israelitas deram uma resposta diferente. Vocês não precisam criar monumentos. Tudo o que precisam fazer é contar a história de geração após geração. Vocês precisam gravar seus valores nos corações dos seus filhos e eles nos dos filhos deles, de modo que vocês vivam dentro deles, e assim por diante, até o fim dos tempos”, a história provou que os israelitas estavam certos. Este ano vamos ouvir novamente: “Hag Pessach Sameach – Feliz festa de Páscoa”.

A Páscoa do Egito e o Messias

Agora, aqui está o próximo passo – entender como a festa da Páscoa e seus agentes se aplica ao Messias de Israel e a sua obra salvadora.

Em primeiro lugar o Senhor Jesus é apresentado por João o Batista como: “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1:29b), ele é o cordeiro prometido que derramaria o seu precioso sangue para salvar a humanidade caída, aqui está o porquê: “e sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb.9:22b), essa é uma referência explicita a Levítico que fala da expiação do pecado pelo derramamento de sangue no altar.

 

O cordeiro era escolhido, separado para ficar em observação e, se apresentasse as condições necessárias, era sacrificado e tinha o seu sangue passado sobre a verga e os umbrais das portas dos israelitas. Tendo isso em vista, vejamos a comparação com a vida e a obra do Senhor Jesus:

– O Senhor Jesus após três anos e meio de ministério público havia sido examinado pelo povo de Israel: “Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não me credes?” (João 8:46), e foi achado sem culpa, perfeito;

 

– Depois de ser preso foi interrogado pelo Sumo Sacerdote e pelo Sinédrio: “Ora, os principais sacerdotes, e os anciãos, e todo o conselho, buscavam falso testemunho contra Jesus, para poderem dar-lhe a morte; 60. E não o achavam; apesar de se apresentarem muitas testemunhas falsas, não o achavam. Mas, por fim chegaram duas testemunhas falsas” (Mt.26:59-60), tirando as duas falsas testemunhas foi achado novamente sem culpa, apto como um cordeiro imaculado;

 

 Também foi examinado pelas autoridades políticas de Israel Pilatos o presidente romano da Judéia e o rei Herodes: “E, convocando Pilatos os principais sacerdotes, e os magistrados, e o povo, 14. Disse-lhes: Haveis-me apresentado este homem como pervertedor do povo; e eis que, examinando-o na vossa presença, nenhuma culpa, das de que o acusais, acho neste homem. 15. Nem mesmo Herodes, porque a ele vos remeti, e eis que não tem feito coisa alguma digna de morte” (Lucas 23:13-15), nem a cúpula política de Israel encontrou culpa em Jesus.

 

Depois de um exame minucioso como do cordeiro pascal, o Senhor Jesus é escolhido profeticamente pelo sumo sacerdote Caifás para morrer em lugar do povo: “Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação” (João 11:50).

O pão da Páscoa – Matzá

Como se não bastasse temos a figura da matzá o símbolo de aflição, especialmente quando quebrada, mas também de pureza por estar isenta de fermento – símbolo de pecado na Bíblia (1Co.5:8). Para nos salvar, Deus teve que se tornar homem, fazer parte da raça (1 Tm.2:5) mas sem pecado, e sofrer em carne! Ele se tornou homem (matzá quebrada), porém nunca deixou de ser Deus (matzá devolvida ao Ehad). Como homem ele sofreu por nós (Isaías 53:1-12Mateus 26:26-29).

 

Jesus entregou seu espírito na hora nona (16h.), conforme Lucas 23:44-46: “E era já quase a hora sexta, e houve trevas em toda a terra até à hora nona, escurecendo-se o sol; 45. E rasgou-se ao meio o véu do templo. 46. E, clamando Jesus com grande voz, disse: Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou.” (conf. Mt.27:46Mc.15:33-37), confirmando o registro do historiador judeu Flávio Josefo.

 

Diante de todos esses fatos bíblicos o apóstolo Paulo pode afirmar: “Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1 Coríntios 5:7b), assim como a morte do cordeiro pascal marcou a liberdade da escravidão do povo de Israel, a morte do Messias naquela semana de páscoa marcou a liberdade da escravidão do pecado do homem.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Analisando as doutrinas do Judaísmo

 


Pecado

O judaísmo não enfatiza o pecado original, mas a virtude e retidão originais. Embora no judaísmo seja reconhecido que o homem comete atos e pecado, não há o senso de que o homem é totalmente depravado e indigno, segundo se vê na teologia cristã. No judaísmo, a expiação pelo pecado é obtida por meio da retidão pessoal, o que inclui o arrependimento, orações e boas obras. Não havendo, assim, necessidade de um Salvador.

Vejamos o que Trude Weiss Rosmarin disse:

O judaísmo exalta a justiça como um dos alicerces do Universo (p. 66).

A rejeição até mesmo dos mais antigos vestígios de mediação ou intermediação acabou por dar origem a um dos conceitos éticos mais sublimes: a certeza de que a redenção do pecado está totalmente em poder do pecador (p. 71).

Resposta Apologética:

A Bíblia nos diz: Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram (Rm 5.12). Deixando-nos claro que herdamos a culpa, por causa do pecado de Adão. Disse Davi: Eis que em iniquidade fui formado, em peca do me concebeu minha mãe (Sl 51.5). Deixando-nos claro que herdamos uma natureza pecaminosa.

A teoria de que a certeza que a redenção do pecado está em poder do pecador, dá base para a salvação através da justiça própria a partir das obras, o profeta Isaías nos diz: Mas nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia, e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades como um vento nos arrebatam (Is 64.6). Como vimos, embora do ponto de vista do judaísmo, as pessoas possam ser capazes de fazer o bem, o profeta Isaías afirma que todas as nossas justiças, são como trapo da imundícia.

Unidade e Tri-unidade

Para os judeus, Deus é Pessoal, Todo-Poderoso, Eterno, Misericordioso. Mas não é a Trindade.

Para o incondicional monoteísmo judaico, a doutrina da Trindade é profundamente objetável porque se trata de uma concessão ao politeísmo ou, de certa maneira, uma adulteração da ideia de um único indefinível e indivisível Deus.

Resposta Apologética:

Com poucas exceções, geralmente se acredita entre os judeus que os cristãos creem em três deuses diferentes. Essa impressão surgiu devido à fé cristã na Doutrina Bíblica da Trindade: crença num único Deus eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. O objetivo desta matéria é mostrar que a Doutrina Bíblica da Trindade não deveria ser estranha aos judeus que conhecem e compreendem e crêem nas Escrituras do Antigo Testamento, mas também faz parte do contexto dos escritos de Moisés e dos profetas.

Uma das razões por que os judeus deixaram de estar familiarizados com a doutrina do Deus Trino se encontra nos ensinamentos de Moisés Maimônides. Ele compilou os artigos de fé do judaísmo, que os judeus aceitaram e incorporaram em sua liturgia. Um desses artigos é: Creio com perfeita fé que o Criador (abençoado seja Seu nome) é um ser único (hebraico: yachid). Isso tem sido repetido diariamente pelos judeus em suas orações, desde o século doze, a época em que viveu Moisés Maimônides. Essa expressão yachid – único é absolutamente oposta à Palavra de Deus, a qual ensina enfaticamente que Deus não é um Yachid, isto é, único no sentido de unidade absoluta e, sim, Achad, cuja significação é unido no sentido de unidade composta.

Em Deuteronômio 6.4, Deus apresentou a seu povo um princípio que certamente é superior ao de Moisés Maimônides, visto que é originário do próprio Deus. Lemos nessa passagem: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. A palavra único no texto hebraico é achad – unido (unidade composta) e não yachid, conforme a interpretação de Moisés Maimônides.

Yachid – unido (unidade composta) e Achad – único (unidade absoluta).

Desejamos agora acompanhar essas duas palavras yachid e achad, em suas ocorrências no Antigo Testamento, verificando em que contexto e sentido são empregadas, a fim de nos certificarmos de seu verdadeiro significado.

Em Gênesis 1.13 lemos: … E foi a tarde e manhã, o dia primeiro. No texto hebraico primeiro é achad, o que subentende que a tarde e manhã ou ainda o dia e noite — duas coisas – são chamadas como se fossem uma só, mostrando assim claramente que o termo achad não significa único (unidade absoluta), mas sim unido (unidade composta). Novamente em Gênesis 2.24 lemos: Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar‑se‑á à sua mulher, e serão ambos uma só carne. Aqui também verificamos o uso da palavra achad, que fornece outra prova que significa unido (unidade composta), pois se refere a duas pessoas.

Yachid nas Sagradas Escrituras.

Vejamos, agora, onde a expressão yachid‑ único (unidade absoluta), pode ser encontrada. Em Gênesis 22.2, lemos: E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e... Aqui encontramos a palavra yachid. O mesmo termo é repetido no versículo 12 desse capítulo: … e não me negaste o teu filho, o teu único filho. No Salmo 25.16: Olha para mim, e tem piedade de mim, porque estou solitário e aflito, a palavra é outra vez aplicada a uma só pessoa, e também em Jeremias 6.26, onde lemos: … pranteia como por um filho único ...A palavra único é aqui expressa pelo hebraico yachid. Essa palavra aparece ainda com o mesmo significado em Zacarias 12.10: … e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá‑lo‑ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito …

E assim concluímos que Moisés Maimônides, apesar de sua grande sabedoria e erudição, incorreu num sério erro ao prescrever para os judeus uma confissão de fé na qual é dito que Deus é yachid‑ único (unidade absoluta), afirmação essa absolutamente oposta à Palavra do Deus vivo, que declara que Deus é achad – unido (unidade composta). E os judeus, seguindo fielmente o chamado segundo Moisés, mais uma vez demonstram suas antigas tendências em interpretar a Palavra de Deus de maneira que lhes convém. O Espírito Santo declarou acerca deles por intermédio do profeta Jeremias, dizendo: …pois torceis as palavras do Deus vivo, do Senhor dos Exércitos, o vosso Deus (Jr 23.36).

A Crença Cristã é Correta

Essa, pois, é a crença do verdadeiro cristão. Ele não tem três deuses, e, sim, um só Deus, de acordo com as Sagradas Escrituras, em hebraico expresso pela palavra achad – unido (unidade composta). Um único Deus, eternamente subsistente em três pessoas, conforme veremos nas Escrituras que seguem:

No primeiro versículo da Bíblia, Deus é apresentado com o nome hebraico Elohim. Em Gn 1. 1, o verbo está no singular (criou) e o sujeito no plural (Deus). Elohim é a forma plural de Eloah, mas o significado é o mesmo: Deus. Quando analisamos o contexto bíblico (Gn 1.26; 3.22; 11.7), podemos compreender a unidade composta de Deus na Trindade. Embora o nome Elohim por si só não prove a unidade composta, o contexto apóia a unidade composta de Deus: façamos… nossa (Gn 1.26-27); eis que o homem é como um de nós (Gn 3.22); desçamos e confundamos (Gn 11.7).

O Que Diz o Sagrado Livro Judeu – “Zoar”

Certamente interessará ao leitor saber que o mais sagrado dos livros judaicos – o “Zoar”, faz o seguinte comentário de Deuteronômio 6.4: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor (em hebraico: a palavra Senhor é YHWH). E o Zoar comenta: Qual a necessidade de mencionar o nome de Deus três vezes nesse versículo? Segue-se então a resposta: O primeiro YHWH – Senhor é ao Pai nos céus. O segundo é a raiz de Jessé, o Messias que deve sair da família de Jessé por meio de Davi. E o terceiro é o caminho na terra(significando o Espírito Santo, que nos mostra o caminho) e esses três são um.

Por conseguinte, em conformidade com o “Zoar”, o Messias não somente é chamado de YHWH como também está em união com o próprio YHWH Trino. Esse ensinamento do “Zoar” está baseado na Palavra de Deus falada por Jeremias 23.6, onde ao dar a promessa da segurança de Israel por intermédio do Messias, declara: …e este será o seu nome, com que será chamado: YHWH é a nossa justiça.

A doutrina bíblica da Trindade é apresentada na Bíblia em muitos trechos.

Por exemplo, Gn 1.26: E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. O que significa o verbo (façamos) e o pronome (nossa), ambos no plural? Tentam afirmar que se trata de plurais majestáticos, forma de falar que um rei usaria ao dizer, por exemplo: Temos o prazer de atender-lhe o pedido. Mas no Antigo Testamento hebraico não se encontravam outros exemplos em que um monarca use verbos no plural ou pronomes plurais para referir-se a si mesmo nessa forma. A melhor explicação é que temos aqui uma indicação da pluralidade de pessoas no próprio Deus.

Também acontece em Gênesis 3.22: Então disse o Senhor Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente;Gn 11.7: Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro, e Isaías 6.8: Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim (Repare a combinação de singular e plural).

Em certas passagens, duas pessoas distintas são denominadas Deus. Observe: Tu amas a justiça e odeia a impiedade; e por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros (Sl 45.7). Observamos claramente por isso Deus, o teu Deus duas pessoas denominadas Deus, indicando assim um plural de pessoas. Importante observar, que no livro de Hebreus o autor cita esta passagem e a aplica a Cristo: Hebreus 1.8.

O ensinamento de Deuteronômio 6.4 é um sumário bem abreviado de um grande número de passagens espalhadas por toda a Bíblia com relação ao Deus Trino – único Deus eternamente subsistente em três pessoas. Por causa da fraqueza de nossos olhos, Deus não deixa que o sol apareça subitamente pela manhã, mas vai aparecendo gradualmente, a fim de não cegar-nos pelo súbito relampejar de luz tão gloriosa. Como exemplo, podemos citar a gloriosa manifestação da pessoa do Messias, o Filho da justiça, por uma apresentação repentina do mesmo nas Escrituras, mas foi desdobrando linha após linha, apresentando-o gradualmente até que nossa compreensão ficasse bem preparada para entender a revelação em sua inteireza: Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei (Gl 4.4).

Outros Exemplos da Pluraridade de Pessoas na Unidade Dividade

Abraão a os Três Mensageiros

Maravilhosamente Deus se revelou a Abraão como homem, está em Gênesis 18, onde o Senhor Deus apareceu a Abraão como três homens (anjos, mensageiros). No primeiro versículo lemos: Depois apareceu o Senhor nos carvalhais de Manre… e no versículo 2: E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele… e embora sejam três homens, ou seja, três pessoas, Abraão se dirigiu a eles no singular, dizendo: Meu Senhor…(Gn 18.3).

Assim é que Deus apareceu a Abraão em três pessoas. Em outras palavras, o Deus que apareceu a Abraão, e os três homens que Abraão viu quando levantou os olhos, são o Deus único que subsiste em três pessoas.

Jacó e o Lutador Celestial

Em Gênesis 32.25-32, encontramos um misterioso personagem a lutar com Jacó, o qual depois implorou sua bênção. E Jacó nomeou aquele lugar de Peniel, cuja significação é a face de Deus, pois declara: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva (Gn 32.30). Vemos a mesma idéia ainda mais claramente declarada por Jacó em Gênesis 48.15-17. Antes de sua morte, Jacó abençoou a José e seus dois filhos. Ele começa referindo-se ao Deus de seus pais, Abraão e Isaque, e então fala no Deus que me sustentou durante a minha vida até este dia. Em seguida explicando quem é esse Deus, invoca-O com as seguintes palavras: O anjo que me livrou de todo o mal, abençoe estes rapazes… (Gn 48-16). Certamente Jacó estava se referindo aqui ao misterioso personagem com quem se empenhou em luta, e que o redimira de Esaú; e, no entanto, identifica-o com o Deus de seus pais, Abraão e Isaque. E assim, as três diferentes definições de Deus nesta passagem não podem significar outra coisa senão a Santa Trindade.

Sábado

O povo judeu foi orientado por Deus em Êxodo 20.10: Mas o sétimo dia é o Sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Eryeh Kaplan diz: Dentro do judaísmo existe uma porção de atividades que não se pode fazer no Sábado, entre elas estão: Transportar, queimar, extinguir, fazer acabamento, escrever, apagar, cozinhar, lavar, costurar, rasgar, amarrar, desamarrar, moldar, orar, plantar, segar, colher, debulhar, joeirar, escolher, peneirar, moer, amassar, pentear, fear, tingir, fazer ponto em série, urdir trama, tecer, desembaraçar, construir, demolir, pegar em armadilha, cortar, abater, esfolar, curtir o couro, amaciar o couro e marcar (“Shabat dia de Eternidade”, Eryeh Kaplan, Editora Maayanot, 1a edição, pp. 39-40).

Declaram que o Sábado é o motivo de sua sobrevivência, Sem o Shabat, o judeu teria desaparecido. Foi dito que assim como o judeu manteve o Shabat, o Shabat manteve o judeu (“Shabat dia de Eternidade”, Eryeh Kaplan, Editora Maayanot, 1a edição, p. 9).

Resposta Apologética:

O Sábado da Lei, como sombra das coisas vindouras, prefigurava Cristo. Como relata Paulo em sua epístola aos Colossenses. Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é Cristo (Colossenses 2.16-17).

Jesus condena claramente o cerimonialismo no dia do Sábado. Acusado pelos judeus de violação do Sábado, Jesus afirmou que: Mas, se vós soubésseis o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem até do Sábado é Senhor (Mt 12.7-8).

Todo este cerimonialismo a tradição resulta de não terem recebido o Messias que é Jesus.

Messias

A palavra grega Christos significa Messias, e usar qualquer um dos dois termos para Jesus é uma confirmação da fé cristã e um anátema a tudo que é sagrado no judaísmo (“Bem-vindo ao Judaísmo Retorno e Conversão”, Maurice Lamm, Editora a Livraria Sêfer LTDA., 1a edição, p. 278).

Para as pessoas que vêm de um ambiente onde se assume sem discutir que Jesus é o Próprio Deus, ou, pelo menos, um profeta, é necessário afirmar que, no judaísmo Jesus não é Deus nem faz parte da Divindade, não é profeta e definitivamente, não é o Messias (Mesmo livro citado pp. 276 e 277).

Resposta Apologética:

O messianismo manteve vivas as esperanças de Israel e garantiu sua existência até a época de Cristo. A esperança de Israel, entretanto, fixava-se na restauração da nação. A libertação do povo podia ser compreendida por três formas diferentes: terrena, segundo as leis da história humana; sobrenatural, numa terra milagrosamente transformada; transcendente, com a ressurreição dos mortos e realizada no céu.

Ao que vemos, os judeus não entenderam as profecias que apontavam para o Messias, dentre elas: Jesus seria a semente da mulher em Gênesis 3.15; o descendente de Abraão, Isaque e Jacó que iria finalmente abençoar todas as nações (Gn 12.2-3; 22.18); o profeta semelhante a Moisés (Dt 18.15); seria crucificado (Sl 22); o menino de Deus que teria um reino eterno (Is 9.6-7); que seria transpassado e moído pelas nossas transgressões para que fôssemos curados pelas suas pisaduras; sobre quem o Senhor fez cair a iniquidade de toda humanidade (Is 53); o Renovo justo, o Rei sábio, que será chamado Senhor justiça Nossa (Jr 23.5-6); seria morto o Ungido depois de 483 anos (Dn 9.24-27); reinará sobre Israel, nascido em Belém Efrata (Mq 5.2).

As evidências nas Escrituras hebraicas provam que Jesus é o Messias. Deste modo, todas estas profecias, e muitas outras não mencionadas, mostram, de maneira que não deixa dúvida, que o Messias de Israel já veio.

Em Levítico 17.11, lemos que: sem derramamento de sangue, não há remissão de pecados. Então onde está o sangue? Os judeus tinham o templo de Salomão, os sacerdotes, os sacrifícios, mas tudo isto desapareceu. Por quê? A razão é que o Messias já veio ao mundo, e se tornou, ao mesmo tempo o tabernáculo (Ap 21.3), o sacerdote (Hb 10.21), e o sacrifício (Ef 5.2). Através do sangue imaculado do Messias de Israel, Deus providenciou o meio de perdoar os pecados dos judeus e da humanidade inteira.

Hoje, o lugar onde era o templo está ocupado por uma mesquita muçulmana,e não temos mais sacerdotes, nem apresentamos sacrifícios de animais.

No evangelho de João se lê que veio para o que era seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11). Em outra passagem Jesus faz uma advertência quanto a sua aceitação: Quem me rejeitar a mim,e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue, a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia (João 12.48). E para aquele que o aceitasse, o apóstolo João diz: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome (João 1.12).

Sendo assim, a maior dádiva de Deus a Israel, foi rejeitada.

Na cruz do calvário o Messias morreu uma vez por todos os pecados da humanidade e ali consumou para sempre a obra redentora predita nas escrituras do Antigo Testamento (Hb 10.4-31; 9.23-28; Ap 1.7-8,18).

Extraído da Série Apologética do ICP