Os batistas têm o habito de reciclar temas teológicos
calorosos. A soberania de Deus e o livre-arbítrio humano é um que vive
aparecendo. Agora mesmo, o debate entre calvinistas e arminianos está
esquentando novamente. Recentemente, um presidente de um seminário batista
sugeriu que a Convenção Batista do Sul não tem lugar para os arminianos, o que
deve ter sido um choque aos milhões de crentes no livre-arbítrio que são leais
batistas do sul.
O que muitas pessoas não notam é que calvinistas e arminianos concordam que Deus é soberano e que Deus governa providencialmente sobre a
criação e predestina pessoas para salvação. Suas áreas de acordo são muito maiores do que seus desacordos sobre interpretações específicas destes conceitos bíblicos.Soberania tem a ver com o governo de Deus de todas as
coisas; a doutrina cristã da soberania de Deus é que Deus está no comando do
universo e tudo nele. Ele domina sobre ele. Providência é quase idêntico à
soberania; ela trata do modo no qual Deus domina sobre sua criação.
Predestinação é outra doutrina ligada à soberania de
Deus, mas não é idêntica à providência. Predestinação é o ensino bíblico que
Deus preordena ou pré-conhece quais de suas criaturas humanas serão salvas. Os
“eleitos” são escolhidos por Deus. Sobre estas doutrinas, calvinistas e
arminianos concordam. Eles discordam sobre o papel que o livre-arbítrio
desempenha em se uma pessoa está entre os eleitos e assim predestinada por
Deus. Os calvinistas negam o livre-arbítrio como poder de escolha contrária e
afirmam que a graça de Deus é irresistível. Os arminianos acreditam em
livre-arbítrio como poder de escolha contrária e dizem que a graça nunca é
imposta sobre ninguém; as pessoas podem e resistem à graça de Deus.
Seguindo o teólogo holandês Jacob Arminius (que morreu em
1609), os arminianos creem que Deus é soberano. De fato, Deus é tão soberano
que ele é soberano sobre sua soberania. Em outras palavras, Deus limita seu
poder para dar espaço ao poder humano da livre escolha, incluindo a liberdade
para resistir à graça. Livre-arbítrio não é um resíduo de bondade humana que
sobreviveu à queda no jardim; é um dom da graça de Deus que nos capacita a
responder livremente à oferta de Cristo no evangelho.
O Calvinismo é a crença no determinismo divino; Deus é a
realidade toda-determinante que soberanamente planeja e controla todos os
eventos, incluindo as escolhas livres dos humanos. Os arminianos perguntam quão
livres as pessoas podem ser se suas decisões são controladas. Os arminianos
querem saber como Deus é bom e amoroso à luz da combinação do mal no mundo e a
soberania e o poder todo-determinante de Deus. Até mesmo o mais inflexível dos
calvinistas hesita em lançar a culpa do pecado e do mal em Deus. Após falar
sobre o poder todo-determinante de Deus, eles se esquivam de dizer que Deus
determinou a queda da humanidade no jardim ou o holocausto de Hitler. Uns
poucos audaciosos vão em frente e dizem que Deus até mesmo causou os atos
terroristas de 11 de setembro.
Nós que cremos na real liberdade da vontade, liberdade e
poder de escolha contrária, vemos isso como a única forma de livrar-se de
tornar Deus o autor do pecado e do mal. Um Deus que determina pessoas a pecar,
ainda que somente por “permissão eficaz” (retirando a graça necessária para não
pecar), é o pecador último. Um Deus que poderia salvar alguém, porque a
salvação é incondicional, mas passa por alto de muitos – enviando-os para a
condenação eterna – é moralmente ambíguo na melhor das hipóteses. Como John
Wesley comentou, se isto é amor, é um amor que faz gelar o sangue.
Reconhecidamente, a maioria dos calvinistas não segue a
lógica de sua própria concepção da soberania de Deus a sua justa e necessária
conclusão. Eles afirmam que Deus é amoroso, mas dizem que “mundo” em Jo 3.16
não se refere a todos, mas a pessoas de toda tribo e nação – os eleitos. Deus
ama todas as pessoas de alguma forma, mas somente os eleitos de todas.
Os arminianos acreditam no amor universal de Deus por
todas as pessoas criadas à sua imagem e semelhança. Deus não quer que ninguém
pereça, senão que todos alcancem o arrependimento (2Pe 3.9), porque ele deseja
que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm
2.4).
Claramente, Deus não consegue completamente o que quer,
porque ele é soberano sobre sua soberania e permite que pessoas pecadoras se
oponham à sua vontade. Mas isso de forma alguma diminui sua grandeza ou poder;
é evidência de sua autolimitação e respeito amoroso pelas pessoas.
Roger E. Olson
Fonte: http://www.baptiststandard.com/ Tradução: Paulo
Cesar Antunes

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